Murilo Rubião se aventurou no universo do fantástico antes que o gênero ficasse em voga entre os escritores latino-americanos. Além de precursor — seus contos foram escritos, em sua maioria, entre os anos 1940 e 1960 —, Rubião é mestre em fazer o absurdo penetrar na realidade cotidiana, subvertendo-a e lançando novos olhares sobre temas consagrados da literatura, como o desejo, a morte, o amor e a falta de sentido do mundo moderno. Este volume celebra o centenário do nascimento de Rubião com todos os 33 contos que o autor mineiro lapidou à exaustão. Completam a edição um delicioso artigo de época do crítico Jorge Schwartz e um alentado ensaio inédito do jovem escritor Carlos de Brito e Mello.
Murilo Rubião was a Brazilian writer. His entire work consists of short stories, all of them dealing with fantastic themes, which is uncommon among Brazilian writers. He was very obsessive about his work, revising it at every new edition, always changing a few details, like characters names and so on.
Eu não sei o motivo de que em todo o meu ensino médio e aulas de literatura nunca me citarem o nome Murilo Rubiao. Este escritor é incrível e merece um reconhecimento maior do que aquele que damos a ele.
Como diz Carlos de Britto e Mello: "O absurdo não é algo que desejamos resolver, nem apaziguar: precisamos garantir que o ex-mágico da Taberna Minhota possa tirar um lençol do bolso, um urubu da gola do paletó ou ainda que um pássaro ruidoso que lhe escape do ouvido, se foi essa que lhe coube"
Revisitando a obra do Murilo Rubião, em uma leitura mais concentrada na prosa em si!
Murilo Rubião - Obra Completa | NITROLEITURAS #realismofantástico #literaturabrasileira #contos | 288 pgs., Cia das Letras, 2016 |
SINOPSE
Murilo Rubião se aventurou no universo do fantástico antes que o gênero ficasse em voga entre os escritores latino-americanos.
Além de precursor — seus contos foram escritos, em sua maioria, entre os anos 1940 e 1960 —, Rubião é mestre em fazer o absurdo penetrar na realidade cotidiana, subvertendo-a e lançando novos olhares sobre temas consagrados da literatura, como o desejo, a morte, o amor e a falta de sentido do mundo moderno.
Este volume celebra o centenário do nascimento de Rubião com todos os 33 contos que o autor mineiro lapidou à exaustão. Completam a edição um delicioso artigo de época do crítico Jorge Schwartz e um alentado ensaio inédito do jovem escritor Carlos de Brito e Mello.
Sucesso de vendas na década de 1970, Murilo Rubião se aventurou no universo do fantástico mesmo sem conhecer Franz Kafka e antes de o gênero ficar em voga entre os escritores latino-americanos.
Esse fantástico está presente em todos os contos e é intensificado pela falta de espanto dos narradores e das personagens diante das situações extraordinárias que presenciam e por uma linguagem objetiva e precisa.
Para obter o perfeito equilíbrio entre essas dimensões, Rubião acabou se tornando um autor que preferiu reescrever seus textos à exaustão a publicar uma obra extensa. Assim, ao longo da vida, selecionou para serem lançados em livros apenas os 33 contos - verdadeiras pérolas literárias - que compõem esta antologia.
"Ele nos transporta para além de nossos limites, sem entretanto jamais perder pé no real e no cotidiano." - Carlos Drummond de Andrade
RESENHA
Já estava de olho nessa edição da Cia. das Letras da obra de Murilo Rubião, com 30 contos selecionados dentre a obra do escritor mineiro, o nosso maior representante do estilo "realismo fantástico".
Ou, na minha opinião, uma mistura de Kafka com pão de queijo e um senso de humor bem mineiro, temperado com ironia machadiana.
Os contos são ótimos, com uma voz narrativa forte e uma prosa muito bem trabalhada. Aliás, Murilo Rubião era famoso pelas reescritas extensas de seus textos, o que eu sempre valorizo muito. Escrever é reescrever e noto sempre quando uma prosa é mais trabalhada, mais lapidada por um escritor.
Uma das partes principais da estrutura narrativa usada pelo escritor é o imprevisto. Rubião usa do imprevisto para criar diálogos com grande ambiguidade, onde o que não se compreende, ou o "mal entendido" e o absurdo entram na narrativa de maneira subterrânea, aflorando em situações originais, que se sucedem em uma espécie de cadeia de equívocos. Essa cadeia de equívocos acaba por fim cercando tanto o narrador quando os protagonistas dos contos.
O mais interessante ao meu ver é o modo como o humor entra nas histórias. Ao invés do pesadelo kafkiano, cujos contos criam, pelo menos em mim, uma sensação de claustrofobia, os contos do Murilo Rubião me divertem muito, principalmente nas releituras.
Entretanto, é uma pena que Rubião não tenha optado por criar narrativas de cunho realista, o que lhe teria dado mais reconhecimento. A primeira parte de um dos contos do livro, que lida com um casal que decide abortar uma gravidez indesejada, é brutal e impressionante, digna de um Rubem Fonseca. Mas como estamos falando de Rubião, a narrativa se transforma de maneira genial em um surrealismo com referências bíblicas e bastante irônico.
Recomendadíssimo, um escritor que precisa ser mais conhecido.
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Apesar de ter publicado apenas 33 contos em vida, Murilo Rubião é considerado um dos grandes escritores brasileiros do século XX. Tal como Jorge Luis Borges, o mineiro de Silvestre Ferraz (atual Carmo de Minas) não escreveu um único romance sequer. Todavia, sua obra, por mais enxuta que seja, é extremamente relevante, já que o autor caminhou na contramão da tradição literária local e se aventurou em uma espécie de realismo mágico à brasileira. Muito popular na América Latina, esta corrente literária não teve o mesmo sucesso e adeptos no Brasil, onde se privilegiou uma temática mais regionalista.
Rubião foi um autor marginal à sua época e, apesar dos pesares, seus contos conseguiram sobreviver ao crivo do tempo. Mesmo sem ter sido influenciado diretamente por Kafka, podemos perceber enormes semelhanças na obra de ambos os escritores e isto fica bem claro em contos como “O ex-mágico da Taberna Minhota”, “Teleco, o coelhinho”, “O edifício”, “O homem do boné cinzento” entre outros, em que o cotidiano opressor e surreal é aceito como normal pelos protagonistas.
Como em qualquer antologia de contos, encontramos textos desiguais neste livro, ainda mais por se tratar de uma reunião de toda a produção literária do escritor. Os contos presentes em “Obra Completa” foram desenvolvidos ao longo dos 75 anos de vida de Murilo Rubião e, assim sendo, representam os seus diversos e numerosos momentos vivenciados na carreira intelectual.
Os contos que mais se aproximam do realismo mágico são a porção mais interessante e importante da prosa muriliana: situações absurdas, finais aparentemente inacabados e personagens entregues a uma vida repleta de incongruências. Apesar do caráter fantasioso, os textos de Rubião respeitam uma lógica interna produzindo uma sensação de verossimilhança muito bem orquestrada.
No entanto, uma boa parte dos contos do autor se afasta do universo das possibilidades absurdas e mais se parecem com prosas poéticas. São bem escritas, sem dúvidas, mas não me agradam como estórias em si. Em alguns casos há uma certa dificuldade de se compreender o que Murilo Rubião quer comunicar a seus leitores.
Se pararmos para pensar que um escritor, mesmo desconhecido do grande público, ainda é relevante no meio literário após mais de 30 anos de sua morte, devemos tirar nosso chapéu para ele. Qualidade literária não falta a este grande contista. Cabe a nós, leitores, não deixar que Rubião suma repentinamente da nossa história, assim como muitos de seus personagens o fizeram. Vida longa à obra do mestre mineiro!
Divertido, enigmático, em alguns momentos até triste e assustador (como da mulher que não para de engravidar), esse livro tem de tudo! Alguns contos como A Armadilha ficaram comigo por dias após le-lo. Eu releria com gosto se Murilo Rubião caisse no meu vestibular (eu sei que já andou caindo em algumas partes do país).
E além do mais essa que eu li é uma versão da Companhia de Bolso - eles só fazem livros bonitos na encadernação e na fonte!
A começar: que obra maravilhosa! Murilo Rubião simplesmente escrevera os melhores contos que lera, até o momento é claro.
Além de ser a primeira vez que leio realismo maravilhoso; é a primeira vez que lera Murilo Rubião, e não entendo o porque Rubião não é considerado um clássico mais significante. Pelo modo que sua escrita é um dos ápices da língua portuguesa, sem dúvida; Rubião constrói cenários, personagens e atos que de tão inverossímeis à nossa realidade, se tornam reais na imaginação daquele que lê.
Os contos são igualmente insólitos; em cada conto Rubião cria uma realidade totalmente quimérica à nossa realidade e aos outros contos; e devo dizer: imaginação. Toda a criação de Rubião é tão criativa, que dá inveja. Em relação ao ritmo achei o livro sempiterno, todavia com um ou outro conto um pouco mais fraco. Meus contos preferidos são os “Teleco, o coelhinho” e “Bárbara”, que exaltam está criação louca de Murilo.
Como não descobrira Murilo Rubião antes, não sei, somente sei que amei!
Eu sou apaixonado por histórias que possuem elementos fantásticos e/ou absurdos. Qualquer sinopse tenha isso me ganha, mas às vezes nem tudo são flores e mesmo com essas características alguns textos acabam sendo enfadonhos e não me conquistam.
Os contos completos de Murilo Rubião nessa edição tem uma variação muito grande. Há contos maravilhosos, mas há outros completamente enfadonhos. Os textos do início são excelentes, mas no decorrer da leitura vão ficando chatos. Um ou outro no meio é bom e mais para o final vão ficando interessantes de novo.
É um livro com 33 contos e talvez por isso haja essa discrepância. Apesar disso é uma obra bem escrita. Posso não ter amado tudo, mas achei interessante.
Talvez essa seja a melhor definição para a sua obra, mas ainda não captura sua totalidade: confusas, imprevisíveis, surreais, beirando ao nonsense. Rubião é tudo isso e mais um pouco.
Bebendo das raízes de Kafka, temos aqui um autor brasileiro de grande qualidade, porém pouco discutido pelo público geral. Não se engane, trata-se de um dos melhores do Século XX.
Claro, nem todos os contos possuem o mesmo nível de qualidade, mas há aqui um tesouro da nossa literatura que deve ser preservado.
Adentrar cada um dos contos abre portas e janelas de um universo familiar e, ao mesmo tempo, fantástico. Coelhos, dragões, rosas, edifícios, mágicos, girassóis, amantes, escritórios, analistas, cidades esquecidas, prisões, o amor, a morte… Alguns contos terminam na página e continuam a se escrever na nossa cabeça. Outros acabam como deveriam acabar. O respeito às palavras deixa o texto envolvente e nos conduz ao riso, ao desconforto, ao choque, ao extraordinário. Mestre.
Não sei se é porque já me enjoou o abuso do realismo mágico que é cometido na América do Sul, mas esse livro (embora curto) me testou a paciência. Os contos de Rubião são bem palatáveis e fáceis de se ler, porém ele me faltou muitas vezes aquele “quê” que torna um bom autor em um fantástico autor. E já que li tanto de realismo mágico, apenas “bom” não é o suficiente para impressionar. Muitas de suas idéias são ótimas, mas a execução não foi algo muito impressionante. Felizmente, encontrei algumas jóias durante a leitura, como “A Fila” e “Os comensais”, que são basicamente história kafkaescas com um tempero sul-americano e a fantasticamente bizarra “A casa do girassol vermelho”. Outras, como “O pirotécnico Zacarias” e “O ex-mágico da Taberna Minhota” me impressionaram pela prosa bastante charmosa. Em geral, suas idéias e sua prosa é bastante boa, porém quando você tá correndo na mesma categoria que Borges (se é que alguém está na categoria dele), Cortázar e outros, você precisa de um pouco mais de talento pra realmente captar a atenção de alguém mimado pela escrita dos mestres acima, como eu fui. Não querendo diminuir o talento do meu conterrâneo, talento que invejo e aspiro um dia conseguir ter.
Murilo Rubião é um dos expoentes do realismo fantástico, do absurdo e do insólito na literatura brasileira. Esta coleção de todos os contos escritos por ele, como é de se esperar, tem os seus altos e baixos. Dentre as histórias, eu destaco "A Fila", pelo seu estilo bem kafkiano, "Bárbara", onde vemos o narrador numa luta extenuante para saciar o insaciável, "O Pirotécnico Zacarias" e "Teleco, o coelhinho", que mostram o insólito de forma muito 'natural', "O Edifício", que nos dá a impressão de ser uma história sem fim, "O Bom Amigo Batista", que é a credulidade levada ao absurdo, "O ex-mágico da Taberna Minhota", que nos mostra como certas circunstâncias da vida nos tiram os 'poderes mágicos' e a tristeza inerente a isso e, finalmente, o surpreendente "Ofélia, meu cachimbo e o mar".
o maluco fazia realismo mágico no brasil décadas antes do boom latino-americano. os contos são extremamente kafkianos: os personagens não demonstram assombro frente ao fantástico. são oprimidos por situações e seres absurdos corriqueiros pra eles.
não deve nada à grande tradição de contos fantásticos na américa latina. os contos são tão criativos, críticos da sociedade e bem escritos quanto os trabalhos do borges, cortázar, gabo, juan rulfo, etc, que ficaram mais conhecidos no exterior -e até mesm0 no brasil-.
uma pena o murilo rubião ser praticamente desconhecido pelo público atual. descobri ele fuçando bastante. talvez essa reedição da companhia das letras ajude a mudar isso.
Todo o mundo deveria ler pelo menos os primeiros contos -- o Pirotécnico Zacarias, o Ex-mágico, Os Dragões e Teleco, entre outros. Depois, os contos se desprendem do clima machadiano-drumondiano que provavelmente fizeram seu autor famoso, e ganham vida própria.
Contos que atravessam o absurdo que irrompe na experiência humana em seus relacionamentos, sonhos, crenças e hábitos. Leitura agradável ainda que nos conduza por labirinto espantoso. Murilo Rubião é um mestre da arte de narrar e de inventar.
Comecei a ler a obra completa de Murilo Rubião ainda em 2022, se não me engano. Na mesma medida em que me encantei, também me angustiei com suas histórias fantásticas, malucas, com o nonsense inserido no meio do cotidiano mais frugal.
Acabei interrompendo a leitura, e o livro ficou esquecido na minha biblioteca, pela metade.
Em 2023, entrei de novo no universo kafkiano do escritor mineiro ao assistir ao filme “O Lodo”, de Helvécio Ratton, baseado em um dos contos de Rubião. Escrevi, na época, que a graça da história é o suspense e a tensão em torno do personagem central, seus pesadelos se fundindo à realidade.
“Ficamos angustiados junto com ele, tentando entender como aquele inferno em que ele se meteu poderá se resolver, se é que se resolverá.”
Este não foi o único conto de Rubião que virou filme. “A Armadilha” virou um curta-metragem nas mãos do diretor Henrique Faulhaber, em 1979. “O Pirotécnico Zacarias” também foi adaptado para o cinema, em 1981. “O Ex-Mágico da Taberna Minhota” virou um curta de Rafael Conde em 1987. “O bloqueio” virou animação em 2002.
A obra de Murilo Rubião também ganhou prêmios célebres, ficou famosa em outros países, virou objeto de estudo de teses acadêmicas, ensaios e exposições. O mais interessante, para mim, é que a obra completa dele, completa, TUDO o que ele fez em toda a sua vida de escritor, se resume a 33 contos curtos.
A pessoa precisa ser muito impactante para conseguir gerar tamanha admiração, respeito e ganhar essa legião de fãs com apenas 33 textos, não acham?
Afinal, o que Rubião tem de especial? Ele foi um dos precursores do realismo mágico, este mesmo que tornou famosos escritores como Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges – e quando ainda nem conhecia a obra de Franz Kafka. Fez isso praticamente sem sair de seu apartamento em Belo Horizonte, onde, segundo dizem, aperfeiçoava e burilava cada um de seus textos à exaustão, às vezes por anos, em busca do melhor possível.
“Obra Completa” de Murilo Rubião foi a leitura do mês de março do Clube Leiturar-te dos queridos @leituras.perifericas @lendoarte Eu nunca tinha ouvido falar do autor antes de ver o livro na lista de leituras desse semestre do clube e fiquei bem animada ao saber que seus contos são considerados precursores do realismo fantástico. Com uma obra concisa, composta de 33 contos, o autor passava muito tempo revisando seus escritos e é perceptível que cada palavra presente em seu texto foi cuidadosamente escolhida. Os componentes fantásticos de suas obras causam estranheza inquietante, mas por mais extraordinário que seja, não rompem com a linha narrativa. No geral achei uma obra peculiar, que me gerou uma perturbação que não sei apontar exatamente a origem muito menos elaborar algo além de “é esquisito, mas gostei”. É daqueles textos que são abertos a várias interpretações e que tem camadas ainda a serem estudadas e descobertas. Os contos que mais me chamaram atenção: “O pirotécnico Zacarias”, “O ex-mágico da Taberna Minhota” meu favorito, usei uma chave de leitura de amadurecimento onde passamos da infância para a vida adulta, “A Casa do Girassol Vermelho” típico WOW que estranho! Wow, amei! Mas ainda não sei dizer o motivo, “Os três nomes de Godofredo”, “A armadilha”, “O homem do boné cinzento”, @nickolas obrigada pela iluminação na dissecação desse conto, “O bom amigo Batista”, “Petúnia” Gostei bastante da leitura, mas não amei, com certeza ao longo dos anos vou voltar e revisitar os contos, de forma espaçada e tentar me embrenhar pelo mundo fantástico de Murilo Rubião, que não faz a menor questão em deixar seu leitor confortável.
murilo rubião nos invoca mundos conhecidos — o que vemos em kafka, borges e garcía márquez. e o melhor de tudo é que ele fez tudo isso antes (talvez não de kafka, de quem era contemporâneo, mas ele jura de pé junto que o leu só muitos anos depois). os contos murilianos parecem saídos de um sonho, como se ele tivesse os tido, anotado e escrito. é aí que entendemos o quanto compartilhamos nosso subconsciente com os outros, quanto as experiências individuais são raras. na sua obra completa, é possível encontrar temas que se repetem, mas nunca são contados da mesma forma. o que murilo faz, poucos conseguiram; o encanto natural, o espanto cotidiano. leitura que valhe milhões.
Um nome esquecido da literatura brasileira, um crime por sinal. Eu mesmo só me deparei com Murilo Rubião depois de Incidente em Antares do Veríssimo e uma professora aleatória do YouTube mencionar ambas como parte de um Realismo Mágico brasileiro.
Murilo Rubião se for Realismo Mágico de fato é alla brasileira, pois não segue a mesma lógica que outros escritores latinos. Vejo nele um lado burocrata que traz pros contos mais humor. Seria possivelmente uma burocracia fantástica?
De qualquer jeito, é um livro incrível, cada conto com uma personalidade e absurdos a cada página.
acho que é o primeiro livro de contos que leio. gostei do jeito do Murilo Rubião escrever, apesar do fantástico não funcionar comigo todas as vezes, mas gostei muito de vários dos contos aqui. favoritos: O pirotécnico Zacarias, O ex-mágico da Taberna Minhota, Os dragões, D. José não era, A noiva da casa azul e O bom amigo Batista.
Rubião tem uma obra muito sui generis até mesmo dentro do estilo fantástico a que se propõe. Alguns dos contos são obras primas que merecem constar de antologias. Seu estilo é bem marcado e entre seus temas recorrentes está a relação vivida por um casal. Gostei mais dos últimos que parecem mais maduros e com um estilo mais apurado.
não sou uma grande fã de realismo fantástico, ainda assim gostei bastante desse livro e muitos contos me chamaram a atenção, especialmente os mais célebres, como “o pirotécnico zacarias”, “o ex-mágico da Taberna Minhota” e “teleco, o coelhinho”. os contos “a casa do girassol vermelho”, “a fila” e o “botão de rosa” também me impactaram. tenho a impressão que ainda vou reler esse livro.