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Como se estivéssemos em palimpsesto de putas

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Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa.

Uma das grandes escritoras brasileiras da atualidade, Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

216 pages, Paperback

First published July 26, 2016

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1068 people want to read

About the author

Elvira Vigna

42 books60 followers
Nascida no Rio de Janeiro em 1947, é diplomada em literatura pela Universidade de Nancy, França, e mestre em comunicação pela UFRJ. Escreve sobre arte contemporânea no site Aguarrás.

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197 (35%)
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23 (4%)
1 star
7 (1%)
Displaying 1 - 30 of 85 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books572 followers
August 23, 2016
Li toda a obra da Elvira, desde o comecinho.
Quando o André Conti disse que esse livro era pura Elvira, mas ao mesmo tempo diferente de todos os outros, pensei "hum, sei." Era como a gravadora dizendo "esse é o disco mais comercial da Bjork", e a Bjork dizendo "pobre gravadora, sempre diz isso." Mas nesse caso, o André tem razão.

Esse é um livro diferente. No modo de narrar, mais irônico. Na exposição dessa narradora, aqui mais próxima da autora do que de um personagem construído. Na sua estrutura, que não tem capítulos, e sim uma cadência de blocos de pensamento estruturado, como se fosse uma conversa que vai fluindo, fluindo. E que ao mesmo tempo oferece ao leitor mais momentos de pausa para um café, um xixi, para ir dormir, do que um romance tradicional ofereceria.

O livro vai além de um feminismo também. Não gosto desses termos tipo "pós-feminismo" e tal. E nem de resumir um livro a feminismo, não mesmo. Então eu diria que ele é contemporâneo além do que "literatura brasileira contemporânea" pode abarcar atualmente, sem aquele nariz pra cima de "ó, como sou contemporâneo". Porque ele é contemporâneo ao quebrar hierarquias babacas que estamos tentando quebrar desde o séc XX. Ele desconstrói um monte de coisas, e mostra homens e mulheres como iguais, ali, olho no olho. Inclusive nas fragilidades, apontadas com muito estilo. Ele coloca as escolhas nas mãos de seus personagens, que é como a vida deveria ser, nossas escolhas nas nossas mãos, e não nas mãos do estado, de religiosos retrógrados, do vizinho fifi, daquele cara que a gente tenta agradar na vida pessoal, família, trabalho.

Seus personagens escolhem por onde seguir. E essas escolhas trazem, obviamente, consequências. Que uns notam mais rápido do que outros, inconsequentes. Até que notam e não tem mais volta.

Ah, o livro não é sobre putas. É sobre vidas. Um homem conta à sua amiga suas histórias sobre as putas com quem dormiu. Pra ele sempre iguais, porque pra ele tanto faz a mulher, sendo ele o protagonista de suas transas. Conta pouco, e o que conta é desinteressante para a amiga, por isso a amiga vai inventando as histórias. Tornando humanas, transformando em pessoas as putas, a esposa, aquilo que o sujeito tenta ver como um artifício de si mesmo. E nisso a narradora inventa (nunca sabemos em que medida) a vida das putas, sua própria vida, a vida do homem com quem se encontra, a vida da esposa de quem o homem pouco comenta, mas que está sempre presente.

São muitos os personagens que passam por esse palimpsesto, um dando lugar ao próximo, numa versão mais firme, menos rascunhada, a cada vez que a narradora repassa na cabeça aquelas histórias. É, de certo modo, um processo de humanização daquilo que nos cerca.

Para quem curte literatura, ãhn, contemporânea, é um prato cheio. Aquela literatura que vai além do "homem branco de meia idade conhece uma menina mais nova que muda sua vida completamente." Fora um momento mais lento aqui e ali, a história não perde o ritmo.

Ah, para quem escreve, é uma aula. Uma aula de como dizer, onde dizer, quando dizer aquilo que se quer transmitir ao leitor. A estrutura deixa espaço para irmos completando as histórias, do mesmo modo que a narradora faz, e mais tarde retoma esses espaços meio que dizendo "viu só como deu certo?"

E tem o final, um final forte, daqueles que ecoará no leitor por muito, muito tempo, depois que o livro se fecha. Se você nunca leu nada da Elvira Vigna, "Nada a Dizer" e esse "Como se estivéssemos em palimpsesto de putas" são ótimas portas de entrada.






Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
October 30, 2020
Esse livro é um grande labirinto hermenêutico, algo que se vai das partes ao todo com tanta facilidade. Em todo momento, a autora é sempre muito consciente de cada frasezinha, de como cada uma delas se encaixa nesse todo, feito e refeito desde seu começo. É um trabalho absurdo de memória, de criação e recriação, de sobreposição ao que é apagado, mas nunca se vai de verdade. De fato, nada nunca se vai de verdade, tanto na vida quanto nessa obra.

Elvira era gigante

E, como num palimpsesto, mesmo se apagando, nada se apaga
Profile Image for Jana Bianchi.
Author 76 books241 followers
January 24, 2018
Há muito tempo não lia um livro que não é fantasia ou ficção científica (ou literatura especulativa de alguma forma). Não sei se isso teve alguma influência, mas essa foi também uma das leituras mais cuidadosas e profundas que fiz nos últimos tempos — tanto que demorei um mês pra ler suas 200 páginas. Lia os parágrafos hiperconsciente da posição de cada palavra, de cada frase, do que era dito e também não dito nas linhas. Li esses dias sobre o conceito de gestalt no design, e não consigo parar de pensar que esse livro é a versão em prosa da Lei da Unificação, em que parte do contexto é dado pra que a nossa mente preencha o resto — um equilíbrio complicado, mas que nesse livro é feito com uma precisão cirúrgica. Gostei demais dos personagens, das imagens construídas, da prosa. Foi um ótimo primeiro contato com a obra de Elvira Vigna.
Profile Image for Felipe.
Author 9 books64 followers
May 20, 2018
Ela começa se imiscuindo de qualquer responsabilidade em caso de inconsistência narrativa: "Não vivi, não vi. Mal ouvi. Mas acho que foi assim mesmo." E na seara dos narradores pouco confiáveis, essa voz que conduz o Palimpsesto de Elvira é uma pedra muito mais firme, e confiável, que todos os autores de vinte e poucos anos que desengavetam memórias empoeiradas em prol de suas "autoficções". Verão escaldante no Rio de Janeiro, jovem designer se enfia na sala de um profissional de TI e por ser, segundo a visão dele, uma mulher moderna, dessas que tem por aí, começa a ouvir os intermináveis e ridículos relatos de sua ousadia e virilidade ao se envolver com prostitutas, mesmo depois de casado.
Não há discurso à meio-tom; o homem, que serzinho, tão patético, acha que conhece, acha que sabe, é traído pelas palavras que, como num jogo de espelhos se chocam e se enfrentam ao fim/início se cada parágrafo. Palimpsesto caiu como uma bomba num panorama literário dormente; vivo, é verdade, mas subserviente a uma estética estéril aspirada de sabe-se lá onde, eu aposto que dos Estados Unidos.
Elvira é rigorosa e metódica, frases breves, fluxos de consciência, um tiroteio em curto calibre, mas a energia é uma que não muito se via, e depois de sua morte se verá menos. Para quê autoficção quando a raiva pode ser toda genuína-genuína? “A única coisa a nos garantir que Diadorim não é de fato um homem é a palavra de Riobaldo e, convenhamos, ele não nos diria nada de diferente.
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,747 reviews
June 18, 2019
Há anos este livro está guardado na minha estante, quando Vigna morreu fiquei tão chocada que nem consegui ler o palimpsesto de putas porque simplesmente não conseguia aceitar que sua literatura chegava ao fim, a considerava o maior escritor brasileiro vivo em atividade, posição esta que ainda não consegui encontrar um substituto – coloquei no masculino para ficar em evidência que ela não era a melhor autora entre mulheres e sim entre homens e mulheres.
O motivo de tê-la em tão alta conta é fácil de ver também neste livro, ela não é uma simples contadora de estórias e sim trabalha na evisceração da linguagem e é disso que os grandes escritores são feitos, a literatura de Vigna é virada do avesso em termos de linguagem e a autora era mesmo uma GIGANTE e reiteradamente ela sempre volta a nos embasbacar como aqui.
Profile Image for Rita.
916 reviews189 followers
September 25, 2017
Nas minhas pesquisas sobre finalistas/vencedores de prémios literários encontrei Elvira Vigna.
Alguns dias mais tarde ouvi a notícia da sua morte, e achei que seria agora o momento de conhecer aquela que alguns chamam “uma das mais importantes autoras brasileiras”.

Na dúvida por onde começar, optei pelo seu último livro “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas”, e que é considerado, por muitos, a sua obra-prima.

palimpsesto | s. m.
pa•limp•ses•to |ê|
substantivo masculino
Manuscrito em pergaminho que os copistas na Idade Média apagaram, para nele escrever de novo, e cujos caracteres primitivos a arte moderna não conseguiu fazer reaparecer.


Não foi fácil! Nada fácil!
Logo no início estive quase a desistir da leitura. Não estava a estava a perceber patavina daquilo. As palavras em português, sozinhas na sua solidão eu até sabia o significado, o problema era quando se juntavam todas e o texto me parecia uma algaraviada de disparates.
Dei por mim mais perdida que cego em tiroteio, mas a teimosia veio ao de cima, reiniciei e de repente tudo começou a fazer sentido e a leitura fluiu.

Com uma narrativa diferente, uma escrita inteligente, arrojada, que nos cerca como uma sebe viva, com frases curtas, duras, onde tudo se revela ou tudo se esconde, ausência de adjectivos, e com recurso a repetições, Elvira vai-nos conquistando aos poucos até estarmos completamente reféns.
Uma história sobre relações interpessoais, machismo, egoísmo, traição, preconceitos e estereótipos, que nos atinge como um murro no estômago e que nos desafia a pensar.
Profile Image for Laura Emerim Silva.
43 reviews
Read
December 1, 2022
tenho nada a acrescentar aos rabiscos que lá estão e lá ficarão iguais, eles sim, embora nós não, eternos.
Profile Image for Paulo Fehlauer.
Author 2 books11 followers
March 2, 2018
Embarquei no palimpsesto de putas primeiro porque o título é inescapável. Depois porque falou-se muito de Elvira Vigna nos últimos anos, e não só por causa da sua morte. Mas o livro é muito mais do que um "jogo literário de traições e insinuações", como sugere o texto de apresentação. Costuma-se dizer que um bom romance encarna um universo, e o universo do livro de Elvira existe pelo negativo, como ela chega a dizer: "Pelo negativo é o único momento em que mamadeiras existem para os bebês. Quando atrasam, quando faltam." O negativo aqui são as lacunas de um relato masculino tão asqueroso quanto cotidiano, lacunas que a sua interlocutora tenta preencher sabendo que os livros mentem. O que está em jogo aqui é a autoria, também no sentido de autoridade: "Porque quero contar, eu, o que é de outra autoria. Porque é isso que faço agora: estabeleço uma autoria. Não a minha. Nem a de João. De Lola, a grande ausente".
Profile Image for Bianca Alves.
54 reviews2 followers
March 5, 2020
bom acabei de ler agorinha e talvez seja muito ousado da minha parte dizer que foi um dos melhores livros que já li em minha vida. pensei seriamente em lavar minha boca com soda cáustica ao descobrir que o menino que me indicou este livro não gosta de queijo e que só tinha salame pra comer na casa dele, partindo do pressuposto que não como carne, porém retiro absolutamente tudo que pensei ao ler esse livro, que no caso é bom.
Profile Image for Caroline Castagnetti.
3 reviews
December 29, 2021
"Isso João descobre depois de muito tempo, depois de muitas trepadas
com muitas garotas de programa. E isso que ele leva tanto tempo para
descobrir, Lola sabe desde o começo. Então, não é que ela não pudesse
entender João e seus deslumbramentos, suas buscas. Não, isso ela entendia
perfeitamente.
Só acha ele meio bobo.
E gosta dele mesmo assim.
Gosta dele de qualquer maneira.
O que inclui muita coisa."

Incrível!
Profile Image for Deborah.
48 reviews3 followers
June 8, 2018
Algum dia quero escrever assim.
Profile Image for Ezequiel Dantas.
75 reviews16 followers
August 13, 2025
3.5*

De fato, há uma carga poética na escrita. Aqui e ali, aparecem parágrafos que lhe pegam pelo estômago. Beleza literária pura. Mas a narrativa, os personagens, o enredo em si não me pegaram. Mas termino a leitura com uma boa sensação de ter tido contato com o jeitão da escrita dela. Bonitona!
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
November 21, 2021
Definitivamente virei cachorrinha da Elvira, rs. Que escritora maravilhosa, sagaz, irônica, debochada e inteligentíssima.

Neste livro, conhecemos a história de um babacão que conta suas vantagens e se acha o tal por trair a esposa com prostitutas (que são meros objetos). A ouvinte é a nossa narradora (sem nome - também invisível?).
O final é demais.
Profile Image for Carol Kokumai.
57 reviews1 follower
July 20, 2020
Primeiro livro desse monstro nacional, eu me sinto envergonhada de não ter amado o livro.
Não me entenda mal, ele é estrondoso, a maneira como Vigna escreve é muito particular.
É como aqueles vários nós que temos na cabeça, todos tão unidos que quando um é desatado, todo o restante se solta junto em linhas tão sobrepostas que você não consegue se focar em algo, porque sua cabeça já começa a processar o próximo pensamento.
A locutora (assim como seu protagonista), conta pequenas anedotas dessa forma, uma história que puxa outra que puxa outra, não necessariamente de forma cronológica, não seguramente todas verdadeiras, não narrativamente sem buracos que não precisem ser preenchidos por uma mente muito criativa, e Vigna se deleita nesse jeito errática de escrever.
Tudo ali é muito humano, o jeito como penso e ouço uma história está representado ali, palavra por palavra (ou talvez não, a narradora é um ser humano muito melhor que eu, que provavelmente pensaria em qualquer outra coisa do que nas presepadas que João está contando), e talvez essa humanidade que me fez desgostar do livro.
Humanidade, digo o humano que protagoniza quase 70% do livro. João é execrável. Se fosse um canalha charmoso, aquele boy lixo que você ama odiar, eu juro que descia melhor, mas João é só insosso, é só mediocre. Nem todas as tentativas da narradora de fazer com que as histórias desse pedante sejam interessantes, conseguem trazer brilho para esse homem, perfeitamente representante do tal homem-cis-branco-hétero (e obviamente burro), que pulula no entorno de toda mulher que pisou na Terra. A única parte positiva das passagens protagonizadas por João é que em todas ele é totalmente ridicularizado. Vigna é uma sarcástica por genialidade.
A mediocridade é tão grande que ofusca grandes personagens, como nossa heroína Lola e a/o maravilhosa/o Lurien.

De qualquer forma, ansiosa pelos próximos livros da Vigna, que nenhum deles tenha um João a tiracolo.
Profile Image for Sofia.
50 reviews24 followers
September 12, 2020
Como disse a Elvira +- "a história não é sobre putas. tem a história das putas, mas é uma história de um cara se relacionando com outros caras, com outras mulheres, e as mulheres se relacionando entre si"
Você pode apagar o palimpsesto todo dia, mas os resíduos sempre estarão lá.
"Apago. Sabendo que nunca apaga."

LEIAM!

Profile Image for Lealdo.
133 reviews11 followers
Read
March 5, 2022
Livrão.
Profile Image for Maíra Romero.
18 reviews1 follower
October 31, 2020
Tem algo nesses romances urbanos que me enche duma melancolia que ainda não sei explicar mas que me preenche inteirinha e me faz sentir como se estivesse sobrevoando a cidade, só espiando os causos e vivendo mil vidas ao mesmo tempo.
Maravilhoso esse aqui!
Profile Image for Amanda Letícia.
121 reviews13 followers
October 20, 2023
arrebatada por esse livro, uma escrita tão vívida e cotidiana, o ritmo de oralidade e fluxo de pensamento livre. amei me encontrar com Elvira Vigna!
Profile Image for Nayara Almeida.
88 reviews7 followers
November 29, 2020
Penso nesse livro como uma demonstração geométrica muito elegante. O modus operandi da narradora é o prolongamento de segmentos de reta. No começo, você não entende bem o motivo. Uma história ouvida pela metade se junta com outra história, dali se tira um sentido: uma outra história que pode não ser a real, um simples prolongamento, um pontilhado, uma marcação de ângulos... ao final, Q.E.D. Claro que nada é tão brutalmente matemático, daí a beleza desses prolongamentos, dessa generosa doação de sentido a atos e histórias que não foram nem vividos, nem vistos, de fato, mal foram ouvidos. "Ela sabe que não é importante, a existência física da foto", diz no final. Toda demonstração depende do que não é dito, do que nos está oculto. Depende de uma ardilosa sutileza. De fazer traços, desfazê-los e refazê-los, para enfim enxergar o que sempre esteve ali, invisível.
Profile Image for Will Queiroz.
11 reviews
May 10, 2020
Escrita nada convencional. Precisei começar a leitura três vezes até atinar que era daquele jeito mesmo, que depois acabava fazendo sentido. Ainda bem que insisti. Achei incrível a forma como a autora desenvolve o texto. O modo como ela se vale de idas e voltas dentro da narrativa. Suas repetições e frases curtas. Fui capturado pela forma do texto!
Profile Image for Luisa.
107 reviews8 followers
December 19, 2022
Nem sei como atinar um fenômeno desses. Já sei que da primeira vez que li, não entendi muito bem, hoje entendo melhor. Mas ainda vou entender mais.

Um palimpsesto de histórias e de leituras, minhas mesmo. Li e reli e comecei de novo. Imaginações e confabulações num turbilhão de quem se prepara para escrever um ensaio. Novos olhos de quem lê para escrever. A vida tem dessas coisas.
Profile Image for Lagartazul.
3 reviews12 followers
Read
January 31, 2018
Eu tô é correndo atrás dos outros livros todos dessa mulher que eu não li porque tava ocupada demais comendo mosca. Vacilo puro.
Profile Image for Laís Maciel.
42 reviews3 followers
Read
January 9, 2022
sinto tanto por não ter conhecido a elvira vigna antes. é uma escrita cortante, nos rompe por completo, e isso exige. por mais que no começo a gente estranhe esse modo de escrita, que funciona a partir de blocos de pensamento, nós vamos sendo levados por essa conversa. porque a escrita de elvira vigna é isso: uma conversa em que há o embaralho da memória e as divagações que permeiam a voz e o cérebro.

e mesmo com essa maneira de narrar tão singular, ela ainda alcança um tom irônico, passando por diversos questionamentos e reflexões. aqui, a história não é sobre putas. mas sim um homem contando para uma amiga sobre as putas com quem dormiu, sendo ele o grande protagonista e as putas nem nome tem. para ele, todas foram iguais e, por isso, ele não desenvolve o que está por trás dessas histórias.

o que muda é o estabelecimento de uma outra camada do narrar a partir da própria narradora do livro. essa amiga é a que humaniza as putas, indo para invenções de quem elas são, do que sofreram e da onde vieram. são vários personagens, quase sequenciais, um dando lugar ao outro para contar sua narrativa. é exatamente um palimpesto: uma história em cima da outra. e essa estrutura me fascinou, deixando em aberto para o leitor completar essas tramas, desvelando ainda outras camadas de acontecimentos.
Profile Image for Marina Carneiro.
20 reviews
September 5, 2017
Curioso saber que fui ler meu primeiro livro da Elvira poucas semanas após sua morte. Descobri que Elvira se formou em direito e fez mestrado em comunicação, virou mestre aqui do meu lado, na UFRJ. Elvira escreve com uma implacabilidade e sensibilidade que me despertou uma paixão cáustica. Se apaixonar por um livro é sentir aquela dor de saudade quando a gente termina as últimas frases. Mais do que isso, posso dizer que senti o livro de uma forma física. Alguns trechos me deixavam arrepiada, outros me causavam uma dor no estômago, lágrimas incontroláveis... emoções vulcânicas. Posso afirmar que sou uma outra mulher depois de ler Elvira, tipo aquela transformação que a gente passa quando lê Clarice pela primeira vez? E quando a gente rasga Clarice. Quando a gente se percebe como uma mulher, antes de um ser individualizado. Somos todas parte de um palimpsesto de putas pra toda uma classe de homens-meninos. A sutil conexão que Elvira coloca essa informação relacionada com a o exercício da sexualidade e construção do desejo masculino parte de uma premissa reducionista mas tão bem dissecada e elaborada que transforma de modo arguto. Me conforta saber que é só a primeira de várias obras e textos da Elvira que tenho para explorar.
Profile Image for Denise S..
113 reviews5 followers
January 30, 2022
Ainda é janeiro e parece que já temos favoritos
Displaying 1 - 30 of 85 reviews

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