O suicídio não passa de mais um entre os mil e um sintomas da luta social geral, sempre percebida em factos recentes, da qual tantos combatentes se retiram porque estão cansados de serem contados entre as vítimas ou porque se insurgem contra a ideia de assumir um lugar honroso entre os carrascos.
Marx analisa, nesta pequena obra do início da sua actividade teórica, os fundamentos e origens sociais de um fenómeno crescente na sociedade europeia industrializada do século XIX: o suicídio. Para tal, Marx parte dos escritos originais de Peuchet (a quem cabe o estudo do problema e o manuscrito original que aqui é publicado), um trabalhador monárquico dos registos civis de Paris, que faz uma dura crítica à sociedade burguesa e ao labirinto para o qual o homem moderno é empurrado, não vendo, muitas vezes, outra saída que não acabar intencionalmente com a própria vida.
A obra, não tendo o tom habitual de Marx, é, no entanto, precursora de inúmeros assuntos de exploração: desde logo uma compreensão social e sociológica das razões do suicídio, mas também um engajamento feminista e até uma forte reflexão sobre os problemas da sociedade patriarcal, das relações sociais (entre homem e mulher) como forma de propriedade de uns sobre outros, ou a defesa do aborto.
Descobri que, sem uma reforma radical de toda a ordem social do nosso tempo, todas as tentativas de mudança seriam inúteis.