«Dizer às pessoas o que devem fazer para se tornar grandes (visto que já não o são potencialmente), conservando para si os meios que possibilitam a realização dessa grandeza, constitui um terrível e perverso instrumento de persuasão, assim como uma forma de manter as pessoas sob o seu poder. Foi o que Salazar fez. Impedindo a metamorfose, ele continuava a produzir silêncio, fazia calar nas pessoas a compreensão e a expressão da situação real, conduzindo-as a uma oscilação entre autojuízos extremos e opostos: "não somos nada, não valemos nada" ou "somos os melhores, génios e heróis". Entre um e outro, mesmo no centro da consciência, oculto, já corroído por um silêncio incompreensível, o próprio ser dos portugueses.»
José Gil (Muecate, Moçambique, 15 de junho de 1939) é um filósofo, ensaísta e professor universitário português.
Nascido em Muecate, Moçambique, estudou Matemática, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, antes de partir para França. Licenciou-se em Filosofia, pela Universidade de Paris, em 1968. Um ano depois obteve o grau de mestre com uma tese sobre a moral de Immanuel Kant. Iniciou a sua carreira como professor do ensino secundário.
José Gil foi considerado pelo semanário francês Le Nouvel Observateur, um dos 25 grandes pensadores do mundo.