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Duende

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Poesia.

60 pages, Paperback

First published January 1, 2002

42 people want to read

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António Franco Alexandre

16 books20 followers
António Franco Alexandre nasceu em Viseu em 1944. Estudou Matemática em Toulouse, Harvard e Paris, onde também estudou filosofia. Em 1975, volta a Portugal e é convidado para leccionar Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Estreou-se como poeta na década de 60 mas foi sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou como uma das mais significativas da actual poesia portuguesa. António Franco Alexandre surpreende por uma ostensiva negação dos valores lógicos do discurso sendo largamente reconhecido pela sua linguagem inovadora. A. F. A., que na poesia portuguesa contemporânea não se sabe situar – "Não sei quem é a minha família, não sei se existe..." –, continua a tomar como influência maior os grandes textos bíblicos. Foi para os poder ler que esteve diversas vezes em Jerusalém a estudar hebraico. "É uma cultura que hoje quase desconhecemos...", diz ele. Outras obras: Distância (1969), Dos Jogos de Inverno( 1974), Cartucho (Ed. dos Autores, 1975, Obra Colectiva com J.M. Fernandes Jorge e Hélder Moura Pereira); Os Objectos Principais (Centelha, 1979), A Pequena Face (1983), Visitação (1983), As Moradas 1&2 (1987), Oásis (1992), Poemas (1996), Quatro Caprichos (1999; prémio APE de Poesia); Uma Fábula (2001), Duende (2002) e Aracne (2004). A Assírio & Alvim editou todos os livros excepto Cartuchos e Os Objectos Principais. Vale a pena ler todos.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
February 21, 2015
*
Já a luz se apagou do chão do mundo,

deixei de ser mortal a noite inteira;
ofensa grave a minha, que tentei
misturar-me aos duendes na floresta.
De máscara perfeita, e corpo ausente,
a todos enganei, e ninguém nunca
saberia que ainda permaneço
deste lado do tempo onde sou gente.
Não fora o gesto humano de querer-te
como quem, tendo sede, vê na água
o reflexo da mão que a oferece,
seria folha de árvore ou sério gnomo
absorto no silêncio de uma rima
onde a morte cessasse para sempre.
Profile Image for Joana.
62 reviews
April 26, 2018
"Se a cada aparição perdes um pouco
do fluido astral que te percorre as veias,
e a carne te escurece quando tocas
a alma adormecida dos humanos;
se te tornas mortal quando acontece
um de nós acordar e não ter medo
de te dar a beber água terrestre,
prefiro que te guardes nesse espaço
onde a noite penetra levemente
pelas fendas das árvores abertas,
e me abandones como quem se esquece
de um livro velho no esplendor da praia.
Um dia hei-de surgir, num sonho teu,
e perder eu a vida para ver-te."

Um livro com 52 sonetos cheios de ritmo. Uma poesia cheia de transfigurações, fragmentária e que ilustra o conflito entre o real e a fantasia. Poesia contemporânea portuguesa no seu melhor. Obrigada amigo Gonçalo por me teres tirado da mão o Al Berto (depois vou lá buscá-lo) e por me teres sugerido este livro.
Profile Image for André.
114 reviews75 followers
October 10, 2017
43

É bem possível que só eu exista
na redoma do mundo, e o resto seja
aparição celeste ou má pintura
de cenário sem fundo e sem motivo.
Assim se explicaria não ter eco
a parede sonora que inventei,
nem me reconhecer no rastro escuro
dos gestos e palavras que fingi;
estava escrito, talvez, que escreveria
estas palavras mesmas, neste verso;
às vezes, hiperbólico, duvido
que me seja evidente o ser que sou.
Porém pensar em ti é ter seguro
outro universo inteiro onde não estou.
Profile Image for Luís Gomes.
Author 3 books2 followers
January 15, 2022
Quando a lírica camoniana já me parecia totalitária relativamente aos gradientes que o amor faz despertar no poeta, "Duende" recordou-me como nos jogos de futebol apaixonados que o resultado disputa-se até ao último minuto. O livro junta a arte rítmica e sonora do soneto e as combinações improváveis que as palavras conseguem no surrealismo de Federico García Lorca. Uma obra que soa a tese platónica sobre o amor, provando que enquanto ideal, a atração dos corpos, das pulsões mais primárias dos humanos não tem género. Um hino à paixão e à língua portuguesa.
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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