O poeta opta, pela primeira vez, quase que totalmente pela prosa para reinventar sua infância. Pequenos contos nos transportam para o tempo em que as crianças construíam seus próprios brinquedos. Com iluminuras de Martha Barros, pintora e filha do poeta matogrossense.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
"Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios."
Este livro reúne os meus três capítulos favoritos de suas obras; capítulo VIII, IX e XIV // estou completamente apaixonada pelas ilustrações feitas pela Martha Barros, filha de Manoel. Tão sensível quanto o pai.
Não consigo explicar Manoel, apenas mostrá-lo;
“Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir.”
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“(…) Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinho”
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“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.”
Ganhei esse livro há 15 anos. Hoje me deparei com ele de novo e uma memória afetiva (inventada ou não) me invadiu de uma maneira bem gostosa. Reler os textos de Manoel de Barros foi lindo. Na verdade foi quase inédito, pouco me lembrava do conteúdo do livro, mas me lembro bem da sensação que senti quando ganhei esse presente da minha mãe. O formato físico do livro também ajuda muito a criar essas memórias, metalinguagem pura! Quero tratar minhas memórias que nem o Manoel de Barros quando eu crescer.
Eu achei muito complexo a forma como ele foi descrevendo a história dele, não consegui compreender direito alguns poemas, mas tirando isso o livro é perfeito e tem mensagens que você leva pra vida toda.
Decidi tentar adentrar no mundo da poesia brasileira. Comecei por Manoel Barros por sugestão de um canal no youtube que gosto bastante. Me comprometi a ler a obra inteira do autor. Até agora, percebi que os livros possuem alguns momentos muito interessantes, mas no total, não me sensibilizou. Vou continuar a leitura das demais obras e monitorar se essa percepção muda.