A cidade de Asa Branca prosperou nas últimas décadas devido à lenda de Roque Santeiro, um garoto que teria morrido para salvar a população dos cangaceiros. Esse mito é de extremo interesse para Sinhozinho Malta, fazendeiro poderosíssimo da região e que muito lucra por diversos motivos com a história através da fogosa viúva Porcina. Porém, quando menos se espera, Roque retorna à Asa Branca e sua presença passa a ameaçar a continuidade da mentirosa lenda.
Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido pelo sobrenome Dias Gomes, foi um romancista, dramaturgo, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras.
Talvez o melhor drama de Dias Gomes, O berço do herói teve no mínimo 2 edições em vida do escritor, completamente revista e alterada em sua segunda chegada. Como o próprio autor relata em edição lançada em 1991, a peça foi escrita em 1963, mas com o golpe militar de 64, teve de esperar a editora Civilização Brasileira lançar no ano seguinte apenas uma edição impressa nos EUA e, com um prefácio de Paulo Francis e orelha de Enio Silveira, o autor foi acusado junto com os outros dois, perseguidos e ameaçados de prisão. O autor ainda relata que, escrevendo um roteiro para o cinema, recebeu do General Riograndino Kruel uma mensagem dizendo que "tirasse o cavalinho da chuva porque, enquanto os militares mandassem nesse país, essa peça jamais seria encenada". E foi, em partes o que aconteceu. Mesmo com as alterações contundentes feitas dez anos depois, na tentativa de transformar o drama em uma telenovela (Dias Gomes mudou o nome de quase todos os personagens, alterando também significativamente a atuação de cada um: Cabo Jorge se tornou Roque Santeiro, o protagonista de cabo da força expedicionária na 2ª Guerra se tornou um artesão, fazedor de santos de barro, por exemplo), a trama foi censurada, prova cabal no começo da década de 90 do grampo de telefones, perseguição e abuso de intimidades do regime ditatorial dos militares nas décadas anteriores. A peça, contudo, estreou nos EUA em 1976 e cerca de 10 anos depois, com o início da reabertura democrática (?) do Brasil, a novela Roque Santeiro foi ao ar, se tornando um dos maiores sucessos da televisão brasileira e, com certeza, um dos pontos altos da literatura televisiva. Por isso, ler O berço do herói é, em realidade, ler duas peças: a primeira de 1965, cuja primeira edição hoje é difícil de encontrar, a segunda a rescrita. Qual das duas? Em realidade as duas que são apenas uma: uma grande obra que põe em cheque a figura do herói, do militar, da guerra, mas que transcende em tudo isso para refletir sobre a capitalização do homem, da imagem, do sonho, do presente e do passado; a reificação é um dos elementos mais contundentes neste drama magistral, nesta comédia em que se põe em questão todo o procedimento da criação do mito. A formação do homem, o elemento da urbanização, a perseguição, o autoritarismo, o mito, o eu e a identificação; tudo isto consagrado neste texto fabuloso de Dias Gomes que, especialmente em momentos em que militares retornam ao poder, deve ser lido e relido a cada momento.
O berco do heroi conta sobre a historia de uma pequena cidade no interior da bahia, que passou a ser chamada de Cabo Jorge, em homenagem ao heroi Cabo jorge. Ele é considerado um heroi por que a população acretidava que ele havia se sacrificado em nome de sua cidade, e sua morte vinha trazendo fama e riqueza para a cidade. Porem, certo dia a pequena cidade foi surpreendida com a volta de Cabo Jorge, oque nao agradou as elites locais, uma vez que na verdade, ele nao era um heroi, e sim um grande covarde.
a peça que inspirou a famosa novela. considerando o pagador de promessas -assisti o filme e li a peça- e roque santeiro, o dias gomes teve muito sucesso com adaptações das suas obras.
resumidamente, trata do retorno de um herói da segunda guerra mundial -dado como morto- para sua cidade natal. lá, se construiu uma indústria ao redor do mito do herói martirizado. rolam críticas ao exército brasileiro, o que fez a peça ser censurada pela ditadura militar.
é engraçado ler o livro após ter sido tão cativada pela novela, e perceber o quão bom o brasil é em questão de adaptações - e isso não sai apenas do autor. quando o texto é ótimo, você percebe o talento na interpretação e direção da novela.
mas voltando ao livro, personagens inesquecíveis e tão únicos quanto a história em si, tão cheios de si e de tantos outros brasileiros que serviram de inspiração
viva dias gomes, viva roque santeiro e viva o teatro brasileiro
Li pra extrair um monólogo que usei num processo seletivo pra um curso de teatro. Me apaixonei demais pela história, toda a construção dos personagens e a condensação de Brasil que o Dias Gomes fez aqui.
Uma das melhores peças dentre as que já tive contato... Dias Gomes cria uma narrativa envolvente que questiona a nossa necessidade de criar lendas e mitos para viver em sociedade e demonstra como essas imagens estão muito distantes da nossa realidade nua e crua. Acho que não ter tido contato com a adaptação para a TV me ajudou a aproveitar ainda mais a história, principalmente o plot twist que acontece no meio do primeiro ato! hahaha É uma obra que te faz pensar (aliás, talvez seja isso que levou os militares a censurarem ela duas vezes)... Recomendo a leitura!