Nenhuma individualidade política do seu tempo foi tão discutida como a sua. Em todas as nações, em todas as línguas da Europa, vozes levantaram-se a exaltar ou combater o Marquês de Pombal. História, biografias, memórias, apologias, panfletos, pasquins, em sua vida e depois da morte, imenso é o número de tais escritos; mas, à primeira vista se reconhece que uns exaltam em demasia, que outros caluniam sem recato. Importa pôr de banda o que rescende controvérsia; consultar na origem os documentos; escutar testemunhas de presença. E primeira dessas testemunhas será o Marquês nos escritos íntimos, ou que deviam ficar no segredo dos arquivos. João Lúcio de Azevedo (1855 – 1933) é considerado um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, cuja obra continua a ser regularmente publicada.Viveu em Belém do Pará, no Brasil, e em Paris, França. Mas foi quando regressou a Portugal que dedicou mais tempo à escrita.
João Lúcio de Azevedo foi um historiador português. Aos 18 anos, embarcou para Belém do Pará, onde se tornou caixeiro de uma grande livraria, a qual viria a dirigir ao se casar com a filha do proprietário. Autodidacta, aprendeu várias línguas e começou a escrever as suas primeiras obras. Ainda no Pará, publicou cinco artigos que, reunidos, formariam o seu primeiro livro, Estudos de História Paraense. Trocou o Brasil pela França, vivendo alguns anos em Paris. De regresso a Portugal, iniciou o período mais produtivo, publicando diversas obras importantes, como O Marquês de Pombal e a Sua Época, História de António Vieira, A Evolução do Sebastianismo e História dos Cristãos-Novos Portugueses. Organizou ainda a melhor edição das cartas do Padre António Vieira jamais publicadas. Colaborou na História de Portugal dirigida por Damião Peres, escrevendo os capítulos sobre "Organização económica". Lúcio de Azevedo é considerado um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX e continua, ainda hoje, a ser regularmente editado em Portugal. Foi amigo chegado dos historiadores brasileiros Capistrano de Abreu e Manuel de Oliveira Lima, dedicando-lhes o seu livro Épocas de Portugal Económico. Também se encontra colaboração da sua autoria na Revista de História (1912-1928).