Curitiba, a cidade natal do autor, é a inspiração de Coisas de Adornar Paredes. Mas a cidade aparece na obra longe dos lugares comuns dos cartões postais e livros fotográficos que a abordam. É uma Curitiba universal, que poderia ser identificada em qualquer outra cidade. Elementos banais, às vezes quase invisíveis, como fachadas, quadros e até rachaduras são o ponto de partida para narrativas que falam das pessoas normais que dão vida à metrópole.
Amor, terror, violência ou surrealismo são alguns dos temas que a HQ traz à tona, pois toda cidade é viva, respira e se expressa. Uma forma de entendê-la é por meio de elementos decorativos inusitados ou corriqueiros encontrados nas suas paredes.
Tudo aquilo que é possível pendurar, riscar, colar ou criar sobre elas fala não apenas de nosso ambiente, mas de nós mesmos. A relação que as pessoas constroem com seus objetos cotidianos ao lhes atribuir valores emocionais, sociais ou até surreais é parte da vida urbana.
O livro narra a busca de um aspirante a escritor que está tentando mudar de profissão investindo em seu sonho: a tentativa da publicação de um livro. O azulejo forma simbolicamente o mosaico que une oito histórias dentro da história principal da HQ
Gostei da arte e da forma de apresentação das histórias, mas como eram algo creepy e sempre um mau fim, acho que fica a ideia original, para eu também elogiar.
Uma coleção de pequenos contos sobre objetos decorativos (estátuas, azulejos, pinturas e retratos) e a relação que as pessoas têm com eles. Achei interessante como entre cada história tínhamos pequenos interlúdios com Chico, a "personagem-autor" das histórias sobre objetos, e os amigos dele do trabalho no café a fazer considerações meta sobre o que ele escrevia. Gostei da dinâmica da amizade deles, mas foi triste a parte final em que Chico tentou aproximar-se de Ana sem saber que ela e Caio namoravam e depois teve de se afastar. O último conto, "Nada", em que ele despe as paredes de todos os móveis e quadros teve um forte simbolismo com essa necessidade de se distanciar dos amigos.
Citação fixe: "– Saquei melhor o seu lance com a cidade e as coisas nas paredes. Tem a ver com descobrir o que somos através das nossas coisas e do lugar onde vivemos, certo? – Olha, é mais ou menos assim que eu encaro as coisas: pendurando, riscando e grudando coisas nas paredes nós marcamos território! É nosso jeito desengonçado de tentar ser imortais, meio que tomando posse de um lugar. Tipo o homem das cavernas deixando a impressão da mão na gruta... Arrumando um jeito de dar sentido à própria existência." ~ p. 102
O texto é interessante, fala das relações que temos com objetos, religião, um texto que fala até mesmo sobre ele próprio. Diferente. Mas não curti muito a arte preto e branco, ela meio que não combina com a história que é cheia de referências coloridas, pra mim não ornou. Não gostei também da narrativa gráfica, não sei explicar pq, mas tive a sensação de estar lendo uma porra de uma apostila, o que me fez demorar uma semana pra terminar de ler. Tem erros de impressão tbm, umas 5 páginas repetidas.