Dando continuidade ao relançamento da obra completa do escritor José J. Veiga, o romance A Casca da Serpente, obra revista pelo autor e com novo acabamento gráfico, distingue-se como uma imaginativa fábula política, escrita pelo introdutor no Brasil do realismo fantástico. A narrativa reescreve a história de Canudos e de seu líder, Antônio Conselheiro, como ficou conhecido - Antonio Vicente Mendes Maciel (1828-1897), um líder messiânico do século XIX. Ao retificar a história de Canudos, localizada na fronteira da Bahia com Alagoas, o autor dá sua versão dos momentos finais da guerra que lá se deflagara contra as tropas governistas. Antônio Conselheiro não morrera e saiu rumo a novas aventuras sertão afora. Seu bando trabalha na construção da nova Canudos. Mas, segundo o próprio autor, como toda história fictícia também carece de verossimilhança, a nova Canudos não consegue vingar. A obra nos revela um escritor meticuloso, com total domínio da técnica do romance. Há momentos em que sua narrativa segue a linha de Graciliano Ramos e estabelece uma sintonia com o tema e a geografia da fome. A Casca da Serpente nos introduz numa narrativa em que é tênue a linha entre a ficção e a história.
Editora : Bertrand; 2ª edição (13 abril 1994) Idioma : Português Capa comum : 160 páginas ISBN-10 : 8528600769 ISBN-13 : 978-8528600766 Dimensões : 20.8 x 13.6 x 1 cm
Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1915, em Corumbá de Goiás. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou na Faculdade Nacional de Direito. Foi comentarista na BBC de Londres e trabalhou como jornalista d’O Globo e da Tribuna da Imprensa, entre outros veículos. Aos 44 anos, estreou na literatura com Os cavalinhos de Platiplanto. Seus livros foram traduzidos para diversos países, entre eles Portugal, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra, e pelo conjunto da obra ganhou o prêmio Machado de Assis, outorgado pela Academia Brasileira de Letras.