Cronin escreveu uma biografia de Napoleão sem o intuito de detalhar as batalhas do homem, mas sim de detalhar o homem por trás do mito. A história de Napoleão é, sem dúvidas, interessantíssima, e, por ser uma figura tão única, sua personalidade também era. O autor traz a história quase toda da vida de Napoleão, seus costumes, seus hábitos, sua filosofia de vida, o que gostava e o que não gostava até a sua morte - uma leitura bem íntima dessa grande personalidade histórica. Acredito que valha a pena para quem tem interesse na VIDA de Napoleão e não necessariamente nas guerras napoleônicas.
Napoleão atrai o apreço de muitos, por ser essa figura vigorosa e inteligentíssima, temos de dar a César o que é de César - Napoleão era brilhante. Entretanto, acredito que nesses casos de afeição pela figura de Napoleão, parte do legado dele é ofuscado pelo brilho que o imperador refletia. E o que é ofuscado é a quantidade de mortos e a destruição que Napoleão trazia consigo. Um exemplo disso é a sua invasão à Rússia. Napoleão marchou com aproximadamente 600 mil soldados, voltou com 10% desse número. Além da destruição que causou direta ou indiretamente, como o incêndio de Moscou.
Além disso, há uma narrativa um pouco controversa que o livro tenta sustentar de certo modo, isso porque o livro insiste em alguns momentos que Napoleão era (ou ao menos acreditava ser) a representação da Revolução Francesa. E como ele fez isso? Restaurando a nobreza e colocando seus aliados e parentes mais próximos nas posições de poder, além de claro, instituir que seu filho devia ser o novo rei da França. E essa ideia de que Napoleão era uma representação dos franceses, foi uma das justificativas para se dizer que Napoleão não era ambicioso, e sim que conduziu suas guerras pelo bem da França, não pela manutenção do seu Império. “A conclusão é que Napoleão não era, mais do que a maioria dos homens, ambicioso por si; mas ele era muito ambicioso pela França e ele representava ambições de trinta milhões de franceses”, é uma conclusão dada pelo autor que, na minha opinião, é muito difícil de se engolir, a meu ver, Napoleão lutou sim pelo poder em suas mãos, não pelo bem da França, não era um tirano, mas também estava muito distante de ser um herói.
“O povo comum reza por chuva, filhos saudáveis e um verão que nunca termina. Não importa para eles se os lordes poderosos jogam seu jogo de tronos, contanto que sejam deixados em paz. Eles nunca são.”