[COMENTÁRIO]
⭐⭐⭐⭐
Não Percas a Rosa / Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago
Natália Correia
Uma voz dissonante, a partilha de um tempo que marcou a nossa história contemporânea, a luta constante pela liberdade nas suas múltiplas facetas e longe dos constrangimentos do processo revolucionários.
Nestes textos - diário e crónica - Natália Correia constitui-se como uma voz essencial da cultura e da intelectualidade portuguesa nos dando um olhar algo desiludido e melancólico do 25 de Abril.
Este volume, maravilhosamente editado pela Ponto de Fuga, junta um diário de 1974/1975 e um conjunto de crónicas publicadas em jornais entre junho de 1974 e março de 1976. Se a primeira parte tinha já sido publicada em livro em 1978, as crónicas são pela primeira vez publicadas sob o titulo "Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago".
A escrita de Natália nestes texto é maravilhosa, alegórica e muiats vezes irónica. A primeira parte "Não Percas a Rosa" tem o registo testemunhal de um diário que testemunha o tempo, particularmente significativo, entre abril de 1974 e novembro de 1975 e as suas "glórias e misérias". A autora expressa a sua opinião, muitas vezes controversa, fortemente crítica a deriva "esquerdista" da revolução.
A segunda parte entitulada "Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago", congrega as crónicas que Natália escreveu para A Capital entre julho de 1974 e julho de 1975 (Crónicas Vagantes), e as que publicou em A Luta entre agosto de 1975 e março de 1976. Achei este textos menos interessantes.
O volume é ilustrado com fotografias de época, captadas por José António Correia, e reproduções dos manuscritos originais, esta edição inclui vários textos inéditos da autora e dois prefácios de Ângela Almeida e Vladimiro Nunes.