Ricardo Araújo Pereira, Herman José, Nuno Markl, Bruno Nogueira, João Quadros, Salvador Martinha, Nilton e muitos outros humoristas (incluindo os mais destacados da novíssima geração) levam-nos, neste livro, até ao fascinante centro do mundo da comédia portuguesa, revelando os seus mecanismos, fronteiras e polémicas. Repleto de histórias pessoais sobre o percurso, as técnicas e o pensamento dos principais comediantes portugueses, este livro desvenda as ferramentas fundamentais para a escrita humorística e aborda com absoluta frontalidade as problemáticas mais importantes para a criação de uma piada. Através de conversas com os comediantes, Nelson Nunes, jornalista e escritor, dá-nos a conhecer as suas carreiras - os passos em falso, os momentos de sorte, os grandes êxitos, as rivalidades, o que os une e os afasta - e revela tudo o que pensam sobre a arte de fazer rir os outros e as dúvidas que o humor pode suscitar:
-Como se pode e deve fazer uma piada? -Quais são as técnicas mais importantes? -Porque existem tão poucas mulheres humoristas? -As piadas só funcionam se tiverem um alvo? -Há limites para o humor? -O que é o humor negro? -Roubo de piadas: facto ou ficção?
Um retrato completo do humor português contemporâneo, obrigatório para quem gosta de boa comédia e para quem dela vive.
Nelson Nunes é escritor. Enquanto jornalista, fez parte da redacção da revista Focus e foi produtor de programas da Rádio Renascença. Além disso, foi chefe de redacção da revista Forum Estudante e assessor do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Actualmente, é criativo na agência de storytelling True Stories. É o autor das obras Preciosa, Quem Vamos Queimar Hoje?, Isto Não é Um Livro de Receitas, Com o Humor Não se Brinca e Quando a Bola Não Entra.
Nelson Nunes traz-nos nesta obra uma compilação de entrevistas, algumas delas maravilhosas, como a do grande mestre disto tudo, Herman José, ou do génio Ricardo Araújo Pereira. Ou, ainda, aquelas feitas aos colossos Nuno Markl, Bruno Nogueira, João Quadros ou César Mourão. Conta ainda com várias outras conversas que, apesar de os entrevistados não irem tanto ao encontro do meu gosto pessoal, se revelaram interessantes. Com um estilo de escrita leve, o autor fez um leque perguntas idênticas em cada entrevista, que permitiram aos entrevistados falarem sobre os seus percursos de vida, as suas carreiras, tanto os momentos bons como os menos bons, bem como darem o seu ponto de vista pessoal sobre os mecanismos e estratégias para fazer uma boa piada, os limites do humor, entre vários outros assuntos. Um livro sério sobre humor, com o que de melhor a comédia portuguesa contemporânea tem para oferecer.
Este livro é um mimo para amantes de humor como eu. O Nelson Nunes fez uma ótima coletânia, escolheu excelentes exemplos do melhor que Portugal tem a dar no humor e na comédia. Queria dizer quais foram as minhas entrevistas favoritas, mas estaria aqui a nomear praticamente todos. É só de apontar que este livro já tem uns anitos e há aqui várias coisas que estão desatualizadas. No entanto, isso não impede que as coisas aqui ditas estejam ainda bastante atuais.
Este livro mostra-nos conversas informais com grandes humoristas portugueses da actualidade, não existia ainda um livro destes em Portugal. Tiro o chapéu ao autor pelo ter feito, reunir-se com todos estes humoristas não deve ter sido fácil. O livro contém conversas bastante interessantes, para além de uma mini biografia de quase todos os convidados temos ainda alguns que nos apresentam diferentes ângulos de olhar ou analisar certas situações do dia-a-dia que (ao comum dos mortais) nos passam um bocado ao lado mas que para os mais atentos e matéria-prima, alguns chegam mesmo a contribuir para uma visão mais sábia e pacífica de contemplar certos aspectos da vida. Destaques, as conversas com o RAP e o Herman são de longe as melhores do livro. Recomendo esta leitura, não atribui 5 estrelas porque o autor do livro tentou fazer um pouco o papel de engraçadinho e isso, na minha opinião , estragou um bocado a leitura porque ele de facto não tem jeito para o humor, não é engraçado quem quer mas sim quem sabe e tem talento para tal.
Uma série de entrevistas informais com alguns dos maiores nomes do humor português. O livro vale pelo grande leque de figuras entrevistadas, Herman José, Ricardo Araújo Pereira, Nuno Markl, Rui Sinel de Cordes, e várias figuras emergentes do panorama do humor português, a escrita do autor não complica, apesar de ter reparado num par de erros....quem é que escreve um livro sobre humor e não sabe quem é o Doug Stanhope? ao ponto de pensar que quando é referido por um dos entrevistados se escreve "Stan Hope"? mas enfim, pormenores de pequena monta.
o livro têm também uma espécie de inside joke, é que no meio de entrevistas com algumas das maiores e melhores figuras do humor nacional, aparecer também uma entrevista, com o Nilton! imagine-se.....muito bem metida essa :) Não li porque imaginei que a intenção fosse mesmo essa...mas contei e estão ali umas boas 20 páginas que podem safar um gajo se estiver apertado na casa de banho sem papel higiénico ou se estiver a rasca para acender uma fogueira.....bem jogado.
Já tinha ficado com este livro "debaixo de olho" quando li algures uma notícia que dava conta da ideia por trás da escrita e, depois, ao ler outra aquando do seu lançamento, resolvi comprá-lo. Embora seja um livro destinado a fãs de comédia, penso que serve perfeitamente outro público mais vasto ou que seja apenas fã dos entrevistados. O livro lê-se muito bem, o conjunto de perguntas que trilha as entrevistas foi bem escolhido e as respostas são quase sempre bem dadas. Teria sido engraçado meter a entrevista do Herman no final, já que foi o impulsionador da maioria dos comediantes portugueses contemporâneos, mas acabar com o João Quadros foi de mestre. É, para mim, a melhor entrevista do livro. De resto, o Ricardo Araújo Pereira surpreende sempre, é um gajo incrivelmente culto e modesto. Parabéns, Nelson.
Índice: Prefácio - Filipe Homem Fonseca Introdução - Antes da punchline, o set-up Nuno Markl - "Todo o humorista é egocêntrico" Rui Sinel de Cordes - O humor também pode ser rock 'n' roll Herman José - "Escrever humor é sempre uma dor, implica olhar durante muito tempo para uma folha e pôr tudo em dúvida" Luís Franco-Bastos - As vozes podem não ser dele, mas as piadas são Ricardo Araújo Pereira - Portugal tem um filósofo do humor Joana Marques - Uma senhora cheia de graça Interlúdio para falar dos senhores (e da senhora) que se seguem - Cátia Domingues, Diogo Batáguas, Guilherme Fonseca, Carlos Pereira, Daniel Carapeto, Rui Cruz, Dário Guerreiro, Guilherme Duarte, Paulo Almeida, Diogo Faro, Manuel Cardoso, Guilherme Geirinhas, Carlos Coutinho Vilhena, Pedro Teixeira da Mota Nilton - "Seria humorista mesmo que fosse carpinteiro" Salvador Martinha - "Uma boa piada parte sempre da surpresa" José de Pina - "O humor é uma arma letal" César Mourão - "Humor é saber ver o avesso das coisas" Bruno Nogueira - Realidade + Ficção = Comédia da Boa João Quadros - O génio que mora atrás da cortina Epílogo - A comédia tem um fim (ou vários) Agradecimentos Notas e referências bibliográficas
O plano dos bastidores, aquele acesso privilegiado ao processo antes de vermos o produto final, fascina-me, porque acredito que nos permite tem uma visão mais ampla do propósito e da essência do mesmo. Portanto, ter esta oportunidade no que diz respeito ao humor é a cereja no topo do bolo.
Nelson Nunes fez um trabalho excelente ao reunir humoristas conhecidos da nossa praça, fazendo-o de uma forma descomplicada, mas sem deixar de tocar em feridas e nos preconceitos pelos quais foram [e vão] passando. Embora partam todos dos mesmos temas centrais, é interessante perceber como é que observam e vivem o humor; é interessante perceber de onde partiram, quais os sucessos e os fracassos e quais as curvas que já ultrapassaram. Além disso, achei pertinente a abordagem em relação à ausência de mulheres na comédia - ou, melhor, à sua parca aparição -, atendendo a que, direta ou indiretamente, comprova a desigualdade que ainda se faz sentir. Deambulando pelos processos criativos e pelos [não] limites do humor, estas páginas levam-nos numa conversa a várias vozes, proporcionando-nos momentos inesquecíveis - e memórias hilariantes.
Entrevistas feitas a vários humoristas portugueses, num estilo informal o que facilita a leitura. Há perguntas comuns a todos: o que é o humor? O que é uma boa piada? O humor tem limites? Por quê não há mais mulheres no humor? Cada entrevistado da a sua opinião e descreve como entrou nesta área. Cada um desvenda um pouco de si, ao mesmo tempo fiquei a conhecer algumas das suas dificuldades e da preparação que exige um bom trabalho, que no caso do humor, quem o faz, arrisca muito. Uma leitura diferente. Tem algumas partes que podiam ser mais sintéticas, mesmo assim a leitura é agradável.
Com o Humor não se Brinca é um compêndio de histórias, ou melhor, um bom compêndio de histórias, mas falha no momento em que tenta transmitir conhecimento sobre o humor em si e os bastidores do humor Nacional. São conversas de café interessantes, moderadamente dinâmicas e bem escritas que desvendas de forma superficial o percurso e ideias de alguns humoristas.
Por curiosidade, quis conhecer um pouco mais sobre os nossos humoristas e o que pensavam eles sobre o humor. É um livro fácil de ler, e é interessante perceber mais sobre os próprios humorista e como eles trabalham e vêem o humor. Foi uma boa experiência de leitura.
Um livro que dá uma overview geral de como está o humor em Portugal, para quem anda mais despistado, não revela tantas coisas pessoais como eu estava à espera, mas para cultura geral é muito bom.
Este é um livro que surge numa importante e saudável altura em que o humor está, cada vez mais, a fazer parte da nossa vida mas, ao mesmo tempo, gera muita controvérsia e ódio. Só por isso, e por compilar pela primeira vez em Portugal as opiniões dos profissionais do humor, já merece toda a atenção.
Na prática, o livro é uma colectânea de entrevistas que, ao que parece, estão organizadas por ordem cronológica de realização. A grande abrangência de estilos torna-o numa importante obra de referência para os apaixonados do humor (e para os aspirantes a humoristas) no nosso país, onde estes podem conhecer mais de perto as motivações, técnicas, métodos e abordagens de vários humoristas. Ricardo Araújo Pereira destaca-se pela maturidade e sistematização do seu pensamento mas todas elas têm algo de interessante e relevante.
Cheguei ao final do livro com vontade de espancar alguém que venha falar dos limites do humor e com um certo refluxo gástrico ao ler pela 50ª vez que uma piada é uma cena muito instintiva, não se ensina (obrigado RAP por dizeres o contrário). Isto porque algumas perguntas foram feitas a todos os entrevistados e todos responderam de forma idêntica, o que se tornou um pouco maçador. Ao chegar ao final das entrevistas adivinhávamos que lá vinha a secção Passos Coelho: mais do mesmo. Gostava que o autor tivesse tido mais liberdade para fazer a ligação entre diferentes entrevistas: lemos o humorista A, depois o B, depois o C... mas pouco falamos sobre o que une ou distingue o A e o B, ou sobre o que os três têm em comum, com a excepção de uma nota aqui e ali.
Justiça seja feita, ganhei imensas referências de coisas para ver, ler e ouvir!
Em Portugal publica-se já bastantes coisas de humor, normalmente associadas a transposições de programas radiofónicos ou a conjuntos de crónicas em revistas e jornais, mas existe pouca coisa acerca do humor. Nélson Nunes consegue juntar neste livro o testemunho de uma série de humoristas relativamente contemporâneos (a excepção será Herman José) sobre o que é o humor para eles, como o vivem e quais os limites que poderão existir na prática desse humor.
Este livro não pretende ser um tratado sobre o humor em Portugal, e o autor é bastante claro nisso já que a escolha dos humoristas é estritamente do seu gosto pessoal como é indicado logo desde no início (ou melhor, o ponto de partida foi serem escritores de humor e não apenas actores de humor que interpretam textos escritos por outros). São simplesmente conversas com um grupo bastante alargado de humoristas sobre o que é fazer humor. Poderemos colocar em causa os nomes escolhidos mas em listas será sempre difícil agradar a todos num livro de 300 páginas.
A conclusão que se chega é que bom humor é aquele que, em primeiro lugar, faz rir. Se para além disso vier mais alguma coisa por acréscimo, em termos de crítica social ou levar as pessoas a pensar um pouco fora da caixa, esse trabalho já será mais do receptor do que do emissor. Outro aspecto importante é que é mais ou menos consensual que não devem existir limites para o humor da mesma forma que não existem limites ou sequer essa questão para tantas outras coisas.
Mais importante do que Nelson Nunes ter escrito este livro, é bom saber que (já) vivemos numa era em que o autor conseguiu que esta ideia fosse publicada. Já vivemos numa era em que o público português já sabe que um comediante é mais do que um contador de anedotas ou um graçolas.
Sem grandes engodos, este livro é uma compilação de entrevistas. Tenho de admitir que no início, justamente com a entrevista a Nuno Markl, fiquei desiludido com o rumo que as entrevistas pareciam tomar. O tratamento biográfico de todas as carreiras de praticamente todos os comediantes presentes no livro substituiram aquilo de que eu estava à espera - uma análise visceral dos mecanismos da comédia, do fazer rir, do veneno da sátira, etc. No entanto, o autor faz questão de colocar e ressalvar as perguntas chave do seu trabalho a todos os comediantes, e esforça-se por obter respostas a perguntas difíceis.
Sei que a arte não é um processo democrático, mas não consigo deixar de pensar que Aldo Lima teria sido uma excelente adição a este livro. Recomendo para quem se interessa por humor, especificamente para quem pensa que a comédia boa "é só lá fora".
Um conjunto de entrevistas envolventes aos maiores nomes do humor português da atualidade. Conhecemos um pouco mais do percurso de cada um deles e as suas respostas a várias dúvidas do autor - há uma fórmula para construção de uma piada? é necessário alvos para uma piada resultar? há limites no humor?...
Um livro que vale claramente pelos entrevistados. Herman José, Nilton, RAP, e muitos outros. Pelo contrário, o narrador optou por uma escrita coloquial "tipo-conversa-de-café" que aparece completamente a despropósito. Mesmo as perguntas acabam por parecer pobres face a alguns dos interlocutores.
Esplêndido acervo de comédia. Só peca pelo facto de algumas explanações dos intervenientes se tornarem redundantes, por motivo de opinião generalizada e de não abranger todos humoristas portugueses. Alguns muito bons ficaram de fora, com muita pena minha. De resto, quem desejar saber mais sobre os protagonistas do humor contemporâneo português, é ler.