Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero - consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui- a crônica. Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade. "Trinta e poucos" traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.
Escritor, roteirista e filho dos escritores Abandonou sucessivamente os cursos de Filosofia (na USP), Cinema (FAAP) e Ciências Sociais (PUC-SP). Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como roteirista de telenovelas. Também trabalhou para a Editora Abril, colaborando com textos para a revista Capricho por seis anos. Foi um dos 16 participantes do projeto Amores Expressos, passando um mês em Xangai para escrever um romance. Atualmente é cronista d’ O Estado de São Paulo e mantém um blog no site do jornal. Obras: Adulterado (Moderna), Pernas da tia Corália (Objetiva), Estive pensando, (Marco Zero Editora), O inferno atrás da pia (Objetiva), Douglas e outras histórias (Azougue Editorial), Merreca christmas (Matrix Editora) e Meio intelectual, meio de esquerda
pra ser bem sincera, seria um 3,5. não há dúvidas do quão talentoso o antônio prata é, principalmente como cronista. o livro tem textos muito bons, mas, sendo uma compilação, também tem outros só ok.
nunca acompanhei a coluna dele na folha de sp então, salvo uma crônica, todas erm "inéditas" pra mim. acredito que o livro perca bastante da graça se você for um leitor do jornal...
A paulistana que existe em mim se diverte muito lendo Antônio Prata. Sempre rio demais ao ler suas crônicas. Não achei a compilação desse livro a melhor possível, gostei mais das crônicas do "Meio Intelectual, Meio de Esquerda". Porém, com certeza, é uma leitura leve e divertida.
Uma delícia de livro de crônicas. Adoro o estilo do Antonio Prata em pegar coisas corriqueiras e banais e transformar em textos criativos. O ponto alto fica na linda maneira de escrever sobre sua paternidade.
É um livro decepcionante. A leitura acaba se tornando cansativa por conta da linguagem excessivamente rebuscada usada pelo autor. Quase desisti no péssimo texto "Dupla Personalidade" e passei o restante da leitura repensando a compra. Muito ruim.
Crônicas deliciosas que criam risos de canto de boca. Me assusto com o quanto me identifico com Antonio, paulistano como eu, caminhando os mesmos passos e com as mesmas referências.
Esta coletânea de crónicas teve um grande problema, foi lida depois de "Nu, de Botas" do mesmo autor, cujas histórias de infância engraçadas e bem humoradas trazem à tona a nostalgia dos tempos idos. Esperava algo divertido, dentro do mesmo género de narrativa, mas ao abordar a louca década dos 30 anos. Mas não só aqui se prende o meu desgosto, por juntar uma data de temas e teflexões um pouco medíocres, sem interesse e insonsas, o valor das boas crónicas, mesmo que muito curtas, perde-se ligeiramente. Contudo, aprecio bastante a escrita do autor, utiliza diferentes estilos narrativos e deixa a sua imaginação voar, tal como as suas preocupações
"quando eu era pequeno, em férias como essas, na fazenda, gostava de deitar na grama à noite e olhar o céu estrelado até ter a impressão de que não era ele quem estava em cima e eu, embaixo, mas o contrário: com um frio na barriga, me sentia desabando no vazio. deitado no banco, agora, olho o céu por um tempo e me volta a impressão. a vertigem é maior hoje, pois sei que não se trata de uma impressão: estamos mesmo desabando no vazio."
impressionante como as crônicas mais envolventes são as que na superfície não dizem nada. bendita seja a trivialidade, a vida é mesmo muito bonita.
uma grande decepção, já que nu, de botas foi uma experiência de leitura muito gostosa. mas parando pra pensar um pouco, faz sentido já que aqui temos crônicas de um adulto sobre sua vida adulta e não a magia da infância traduzida em palavras.
e que enfadonho é o homem de trinta e poucos. com várias crônicas que me fazem achar que antonio prata talvez seja só mais um tiozão mediano que gosta de rock, da piada do pavê e que sente ciúmes de um homem famoso que não chega nem perto de ser uma real competição. enfim, não foi pra mim.
Crônicas, além de serem algo difícil de escrever - tenho certeza disso - são também igualmente difíceis de se ler, conectar e projetar-se naqueles acontecimentos. Antonio Prata é um dos poucos autores que escrevem pra mim, cada linha de texto são exclusivamente minhas, ele é meu amigo íntimo. O compilado de crônicas publicadas em sua coluna no Jornal Folha de S. Paulo, "Trinta e Poucos" é mais uma prova da genialidade do cronista, já que aqui os seus textos, que foram publicados semanalmente, estão à disposição do leitor de uma só vez, criando uma experiência literária autêntica. A maneira que as crônicas foram embaralhadas ajuda muito na fluência da leitura e na sensação de estar lendo um romance, já que parece que estamos lendo um história linear. Lógico que esse sentimento vem do simples fato do autor escrever sobre a sua vida - e todos os cronistas não o fazem? - mas também consequência do cuidado em costurar um livro que foi escrito semana após semana. É uma ótima porta de entrada para o estilo do cronista, mas caso você já tenha trinta e poucos, é preciso começar a leitura de peito aberto, sem fazer birra, porque a verdade não pode ser mudada em hipótese alguma.
Leve como a vida deve ser. Um livro que te arranca sorrisos a cada virada de página. Assim como Julia por Keith Richards, acho que me apaixonei por Antonio...
Nem todo mundo pode ser Rubem Braga, diz o cronista. Antonio Prata se reconhece falastrão, sorrindo para todo mundo como um candidato a vereador, sabe que nunca o Rubem Braga iria gostar de um sujeito como ele. É, no entanto, à posição de Rubem Braga dos nossos tempos que a orelha e a contracapa de “Trinta e poucos” (Companhia das Letras, 2016) tentam alçá-lo – chamam-no de “principal cronista do país”, passando por cima de Luis Fernando Verissimo, e proclamam-no o maior cultor do gênero, “mais do que qualquer escritor em atividade”, o que sugere que tenha havido uma exaustiva pesquisa entre os homens das letras nesse país. Mas isso é o que as orelhas e as contracapas sempre fizeram, nem mesmo um gênero feito ao rés do chão consegue escapar das suas grandiloquências. A sorte é que o Antonio Prata é bom mesmo, dos melhores que temos no país, e há mais em comum entre ele e o velho Braga do que o fato de escreverem crônicas que são lidas hoje no jornal e amanhã são usadas para forrar o chão das obras ou para embrulhar peixes.
Talvez o humor do Prata seja mais escrachado, é verdade, pois é preciso lembrar que, por ocasião de seu nascimento, foi-lhe transmitido grande parte do material genético do velho Mario, seu pai. E, realmente, se há um único adjetivo com que podemos classificar este novo livro de crônicas de Antonio Prata será, fatalmente, “engraçado”. Isso também não será novidade, porque nós sempre o achamos engraçado, não somos como a sua mulher que precisou ficar grávida para rir das suas piadas. Boa parte de suas crônicas tem como mote pequenas situações do cotidiano das quais o escritor sugere teorias e filosofias que, a despeito de certas verdades, conduzem ao absurdo. Um guarda-chuva, as gavetas de talhares, os controles-remotos, o chuveiro elétrico, viram, sob o seu olhar, material para galhofeiras análises sociológicas, psicológicas, cosmológicas, Deus sabe o quê.
Claro que, por trás de seu humor, também é possível adivinhar uma reflexão crítica dos caminhos que a sociedade tem trilhado – o cronista, como tal, está inserido em seu tempo e dialoga com ele criativamente. Assim é que Antonio Prata se mostra preocupado com a customização dos narizes, com as coxas que viraram um receptor tátil de todas as tranqueiras que surgem no nosso telefone, e chega, até mesmo, a prever o extermínio da humanidade por inanição provocada pelo celular. Não o faz, no entanto, subindo em um banquinho e pregando à multidão, pois nada parece mais nocivo à crônica do que isso: é alguém que diverte, e divertindo mesmo é que pode convencer.
Seu humor não deixa de ser, também, um meio de reagir a um mundo e a um país que vão mal. Nessas horas, quando as suas reservas de esperança descem abaixo dos 20%, ele tem sempre um Rubem Braga à mão, mas ultimamente foi granjeado com outro antídoto, na forma de dois filhos. As crônicas mais bonitas do livro (tirando uma belíssima sobre o homem que morreu diante dele) são justamente as que tratam do nascimento e convívio com Olívia e Daniel, filhos que ainda não eram nascidos quando publicou “Meio intelectual, meio de esquerda”, a antologia anterior. Disso resultou que, agora, eles se tornaram personagens de muitas crônicas, que vão desde os constantes choros de madrugada até a pura epifania com as pequenas proezas das crianças. Mesmo com as noites mal dormidas, mesmo que as crianças não o deixem nunca mais ler “Guerra e Paz” com a caneca na mão, ele sabe que seus filhos põem sorrisos no rosto de quem passa, e que com uma gargalhada conseguem reconfortar o seu coração. Essas são crônicas de encantamento com seres que não existiam e agora existem – o grande milagre diante do qual todos nos curvamos.
Por serem líricas, são também estes os momentos em que o Prata mais se aproxima do Braga. O nosso maior cronista dizia que era impossível fazer crônica sem ser pessoal, e Prata o é, inclusive, naquelas situações que normalmente teríamos vergonha de confessar. Como lê muita crônica, ele sabe que o leitor se diverte a valer mesmo quando o cronista passa por uma situação embaraçosa – e não tanto por sadismo, mas por cumplicidade, em um mundo marcado pela pretensão e pelo culto à imagem. Por isso ele confessa brochadas, assume que toca air guitar, anuncia o nascimento de pêlos nas suas orelhas, relata o seu espermograma, admite, um tanto a contragosto, que faz vozinha melosa quando fala com sua mulher, diz que voltou a usar tênis esportivos, ameaça voltar a usar moleton e ainda revela que os amigos acham que ele tinge o cabelo de acaju. Ele não é o cara que pergunta se é “pavê ou pacomê”, mas é aquele que dá risada e responde que é “pacomê”.
A isso se somem a bela conversa com um motorista de táxi, a história dos sapatos do tio Estêvão, o deslumbramento com uma jarra de suco comprada pela mulher, além do obrigatório tributo a algum passarinho, que todo cronista deve prestar, e tem-se este livro na conta de um dos grandes lançamentos do gênero no ano. E, se serve de consolo ao autor, é provável que mesmo o velho Braga aprovasse a sua leitura.
O paulista Antônio Prata, nascido em 1977, é cronista, roteirista e escritor. Publica há anos crônicas no jornal “Folha de São Paulo”. Este livro – “Trinta e poucos” – é uma coletânea dessas crônicas publicadas até o mês de julho de 2016. Antônio Prata trata em seus textos, com muita verve, senso de humor, indiscutível erudição e leveza, temas como a dependência crescente do celular, as tentativas infrutíferas de fazer abdominais, o declínio da seleção brasileira, o “7 a 1”, as suas meias, dilemas na escolha de óculos, o irritante “sustinho” (aquele realmente irritante “hein?” ou “hã?” que nossos interlocutores usam para fingir que não estavam prestando atenção naquilo que falamos), as alegrias e vicissitudes da vida em família (os personagens mais assíduos dessa coletânea são o seu casal de filhos – Olivia e Daniel – e sua esposa, a jornalista, comentarista e diretora Julia Duailibi a quem ele dedica divertidos e ternos textos) e muitos outros temas, ressalto, abordados com leveza e senso de humor que vão agradar a muitos e muitas interessados em uma leitura divertida e descompromissada. Tenho lido muitas crônicas nos últimos anos de grandes cronistas como Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Machado de Assis, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Lima Barreto, Rubem Braga, Vinicius de Moraes outros mestres e mestras. Inclusive um dos melhores livros que li nos últimos tempos é justamente o volume intitulado “Os sabiás da crônica” que reúne textos de Rubem Braga (um grande cronista enaltecido inclusive por Antônio Prata em alguns textos), José Carlos Oliveira, Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Stanislaw Ponte Preta. Inevitavelmente após ler “Trinta e poucos” comecei a fazer comparações entre as crônicas de Antônio Prata e as crônicas, hoje clássicas, dos grandes escritores que citei no parágrafo anterior e, sinceramente, tive dificuldades em aceitar a classificação de “principal cronista do Brasil” que foi dada a Antônio Prata no site da Amazon. Muitas vezes os mestres (e mestras) da crônica abordavam temas “leves” (me lembrei de que Lima Barreto chegou a escrever sobre futebol e Clarice Lispector escreveu uma crônica sobre a “Buzina do Chacrinha” e alguns sobre seu cão Dilermando e Vinicius de Moraes escreveu uma crônica sobre a feijoada) mas não deixavam de tratar de temas como a pobreza, a miséria a política, as injustiças sociais e muitos outros mais. Portanto senti falta de temas mais relevantes ligados à nossa complicada realidade que, creio, o autor poderia, ocasionalmente abordar e a opção de Antônio Prata por temas (por demais) leves torna seus textos algo irrelevantes e quase esquecíveis a despeito de toda a diversão que possam propiciar. Pelo menos por essa coletânea eu não chamaria Antônio Prata de “sabiá da crônica”. No entanto confesso que, muitas vezes me diverti com muitas das crônicas presentes nesse livro e creio que muitos e muitas irão tirar mais proveito do que eu. Apesar dos pesares... boa pedida!
Como são as coincidências da vida, não? Durante a estadia de um marasmo, perguntei a uma colega de trabalho, formada em letras, se ela não saberia me recomendar alguma leitura para superar esse sentimento de estagnação, ao que ela respondeu sobre a obra de Antônio Prata. Nunca antes havia ouvido falar em seu nome, mas não é exatamente assim. Há algumas semanas, durante o recesso escolar das crianças na creche, eu estava ajudando na organização do almoxarifado, quando encontramos quatro sacos pretos cheios de livros doados. Começamos a separação entre livros de conteúdo pedagógico, livros infantis e livros outros. Destes, peguei um chamado "Meio intelectual, meio de esquerda", acreditando se tratar de uma obra semelhante à de Norberto Bobbio. Como estava pouco interessado em ler, separei e guardei na gaveta. Ficou lá. Após a recomendação da colega, pesquisei o nome do autor na internet e encontrei alguns de seus livros. Passei por uma capa que meu inconsciente reconhecia, mas que não conseguia me lembrar da onde. Assim, fui para a faculdade e, no caminho, passei num sebo, onde comprei este aqui. Comecei a lê-lo e gostei das histórias. No dia seguinte, abri a gaveta. Estava com a questão na mente se o livro que vi na internet era o mesmo que estava na gaveta e, não sendo essa uma dúvida que merecia se manter sem resposta, abri-a, receoso de que estivesse enganado. E lá estava ele: Antônio Prata. O mesmo que havia sido recomendado há dois dias, o mesmo que eu havia adquirido no dia anterior, o mesmo que me acompanharia nos dias que se seguiriam. Contei à ela sobre a coincidência e rimos sobre como as coisas na vida estão conectadas. Falei sobre como achava admirável a maneira que o inconsciente trabalha e como os símbolos estão por toda parte. Um dia antes disso, eu estava falando com meu professor na faculdade, que escreve às vezes (não me lembro se para a Folha ou para o Estadão), sobre o jogo São Paulo x Corinthians, marcado pela derrota do último. Ele confessou que já foi muito mais ligado ao futebol, mas que desde a separação e o nascimento do filho, precisou colocar o futebol em segundo plano, pois havia assuntos mais urgentes. Comentei com ele que nessa conversa havia elementos suficientes para uma crônica de jornal no melhor estilo à la Antônio Prata. Antes de aceitar este emprego, fiquei muito receoso de que a vida seria levada a um estresse sem fim. Apesar da intensa melancolia que me cobre durante alguns dias, encontro espasmos de felicidade quando vejo estas coincidências ainda. São elas que me abrem um sorriso no interior da alma e me fazem esquecer, por alguns momentos, de que nem tudo está perdido ainda.
Guarda-chuva, óculos novos, uma meia velha, cebolas refogadas, luzinhas de natal, pêlos nascendo no ouvido, um pet shop, a Copa do Mundo, uma vibração na coxa, o sustinho, a mudança de cor do cabelo, um espermograma, a mecânica de um carro, placas de lanchonetes, uma velha foto de família, a procrastinação, a gostosa do câmera, uma tuba, os meses do ano, as peripécias de um bebê.
Literalmente qualquer coisa pode virar tema de uma crônica de Antonio Prata. Ele é um daqueles seres talentosos que conseguem transformar um alfinete em uma história maravilhosa.
Muitas vezes são histórias prosaicas, despretensiosas, que nos fazem rir até pela insignificância do objeto que aparece sob a lupa do autor. Mas não raro ele se aproveita dessa suposta irrelevância para divagar sobre assuntos mais profundos.
Talvez por isso, ele me fez lembrar de outros cronistas maravilhosos que já marcaram a literatura brasileira, como seu ídolo Rubem Braga e meu favorito Paulo Mendes Campos. A diferença é que Antonio Prata traz o olhar agudo desses mestres, e sua narrativa gostosa de ler, num texto perfeitamente bem escrito, mas atualiza os assuntos para os anos 2010, já com nossas loucuras de redes sociais e smartphones vibrando no bolso o dia inteiro.
eu gosto do antonio prata, mas quase todo livro dele eu leio até a metade com esse sentimento e da metade em diante com um certo cansaço. não é a qualidade das crônicas que decai, mas o fato que todas são muito parecidas. suspeito que o problema venha da rigidez com que ele se atém ao limite de páginas do jornal - a crônica precisa ser curta, ok, mas muitas parecem inacabadas ou despropositadas (de um jeito ruim; tem um jeito bom, aliás excelente, de fazer crônicas despropositadas. algumas das melhoras já escritas não tem fim nenhum. mesmo nessa coleção, tive algumas favoritas assim, a verdadeira crônica que engrandece uma miudeza. mas outras, várias, passam a sensação clara de um trabalho metódico e sem inspiração para entregar a cota ao jornal, com um resultado sem vida). é em casos assim que o pior do autor se revela, tudo que não incomoda ou até auxilia uma crônica boa dele, como o vocabulário excessivamente preciosista. enfim, é legal, mas não dos melhores, me acompanhou em muito transporte público e almoços de 15 minutos, mas é melhor lido solto, sem compromisso e sem continuidade.
Confesso que quando comprei o livro confundi o nome do autor e achei que era o Mário Prata. Quando bati o olho na foto no fim ficou aquela "Quem é esse cara? O Prata não é tão novo assim!".
O livro é uma coletânea de crônicas publicadas na Folha de São Paulo. Crônicas muito divertidas, com ritmo sensacional, o livro me pegou de tal maneira que eu já comprei outro do mesmo autor.
O interessante das crônicas do Antonio é que o sujeito está sempre na primeira pessoa. "Ele é gente como a gente!" E nos seus textos ele enaltece coisas cotidianas e ilustra banalidades com uma riqueza muito cativante. Ainda vale ressaltar que as crônicas são muito recentes, tipo 2016!
Alguns exemplos que me marcaram:
A descrição do autor sobre ser brasileiro: "Não vencemos 'por causa', vencemos 'apesar de'".
Quando você atende uma ligação que foi engano: "Você engole o pequeno mau humor que escorre dos segundos perdidos, aceita a frustração de ter se imaginado necessário ou querido em algum canto da cidade, no meio da tarde, quando na verdade, era de um Waldemar que precisavam.
Não se pode deixar de ver que em muito da normalidade do cotidiano existe uma história para contar. Com sorte, uma história divertida, leve e engraçada, ainda que com um fundo melancólico ou, pelo menos, fatalmente normal. De um taxista (uber?) que reflete sobre o dia que conheceu a amada, então perdida, a partir de uma foto do dia que se conheceram, no bar que se conheceram, mas onde eles não aparecem, até tentar ler Kafka enaquanto se cuida de uma criança de uns dois anos, passando pro abraços em árvores, salvar bebês de enfiarem a mão cheia de bosta na boca, amor parental, cansaço (muito cansaço) parental e outras tantas coisas que acontecem com todo mundo, o tempo todo (talvez não tentar ler Kafka quando se cuida de uma criança). Antonio Prata transforma tudo isso em crônica no estado no qual a gente costuma pensar nela: leve, despojada, muitas vezes engraçada e que, principalmente, conversa.
Os contos de Antônio Prata são fantásticos! Fico pensando se não seria por me identificar bastante com várias de suas características, por ser homen, pai de filhos pequenos, morar em São Paulo, nascido na mesma década, ter uma boa qualidade de vida que acaba nos levando a pensar sobre assuntos e situações corriqueiras que não deixam de ser engraçadas.
Mas não é só isso. A leitura é tão fluida que parece fácil escrever, mas não me engano. Essa capacidade dele é para poucos. Cada palavra, cada frase, misturando o dia a dia com cultura e conhecimentos, formando uma pequena estória. Muito bom mesmo.
Neste livro dá para ficar conhecendo um pouco bastante da vida do autor, que não tem medo de mostrar sua realidade, pensamentos e vontades. Uma leitura agradável que recomendo!
Vi um programa do Canal Q em que a Susana Romana e a Joana Marques falavam deste livro, e achei que tinha mesmo que ler. E assim fiz, quase imediatamente. Não fiquei desiludida. António Prata escreve aqui um conjunto de crónicas que abordam coisas corriqueiras do quotidiano, como futebol, mas outras que falam de coisas mais pessoais, como ter um filho (ou dois), as mudanças que isso implica, e a adaptação de vida. Crónicas pequenas, que se lêm num folego, mas carregadas de bom humor e observação social. Por vezes são tão específicas do Brasil, que eu não entendi na totalidade.
Adoro Antonio Prata, e tinha grandes expectativas depois de ler “Nu de botas��. Não sei se meu incômodo está no tema das crônicas deste livro, ou na escrita. Prata continua refletindo com precisão a natureza da nossa existência, e alguns pontos mexeram mais em mim do que outros, como o da paternidade. Outros já me fizeram refletir sobre pontos tristes dos “trinta e poucos”, sobre como nos preocupamos com questões quiçá insignificantes. Talvez em alguns meses eu ache o livro genial, e perceba que meu nariz está mais torcido pra minha própria vida do que para o livro em si.
Ainda não sei qual é a melhor maneira de ler livros de crônicas - uma por dia, intercalando com outro livro, ou tudo de uma vez. Dessa vez preferi ler tudo de uma vez, pra não acabar abandonando por outra leitura, mas no fim das contas é estranho ficar mudando de assunto entre uma crônica e outra com tanta rapidez. De qualquer forma, me diverti muito na primeira metade do livro com tiradas e reflexões engraçadas sobre o cotidiano de um homem de trinta e poucos anos, mas na segunda metade já estava um pouco cansada das repetições (sei que é injusto e que melhor seria não julgar em bloco).
Crónica é um dos meus géneros literários favoritos, mas as únicas crónicas que li até agora foram as crónicas escritas pelos autores portugueses. Comprei esse livro, porque fiquei muito curiosa para ler crónicas dum autor brasileiro. E adorei! Na hora de ler, estava rindo muito e fiquei curiosa para ler mais obras de Antonio Prata!
Antonio Prata é um excelente cronista e não se pode imputar ampliadão às suas crônicas; tão pouco desejá-lá. São textos sobre as miudezas da vida e como coisas miúdas, são grandes na sua insignificância. Isso nos aproxima. Pensar sobre nós mesmo e as coisas pequenas não nos leva a pensar nas "coisas grandes da vislda"?
A forma como Antonio Prata une elementos banais para extrapolar o simples existir é sublime. As crônicas aqui reunidas talvez não tenham ressoado como as de Meio intelectual, meio de esquerda, ou Nu, de botas, mas me peguei em vários momentos gargalhando e surpreendido com as analogias. Dos meus cronistas atuais favoritos.
O primeiro livro do Antônio Prata que li foi "Nu de botas", um livro divertidíssimo que me prendeu do começo ao fim e, por isso, acho que criei uma expectativa grande com esse segundo. Acho que "Trinta e poucos" tem ótimas crônicas, mas também tem outras muito medianas. Pra mim, me pareceu um pouco cansativo. Minhas preferidas, no entanto, são as que ele fala sobre coisas mais pessoais, como os filhos e a família. Ainda sim, vale a pena se você busca por uma leitura descontraída.
Normalmente eu não gosto de crônicas, mas o Antonio consegue descrever tanto os meus sentimentos e situações que eu não conseguia parar de rir. Algumas crônicas são be melhores que outras. Mas no final, eu amei.