Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."
Brazilian writer Machado de Assis started his career with this collection of poetry in 1864. He was 25-years old. The funny thing is I know him as a writer of novels, so the poetry threw me for a loop. Checking out his work online, he did publish five books of poems including a “complete works.”
Machado de Assis was known for Memorias Postumas de Bras Cubas (1881) and Memorial de Aires (1908) both books written about love, getting older and of course, death. So what does a younger man write about? Love, of course but also death (the book was dedicated to his father who had died).
The latter half of the 19th century was changing between romanticism and realism. In his forward to the book, Dr. Caetano Filgueiras writes about what inspired Machado de Assis: “mysticism of Lamartine, scepticism of Byron, philosophy of Hugo, sensualism of Ovid, patriotism of Mickiewicz and Americana of Gonçalves Dias. Add in reflections of Homer, Camões and Dante and you get a lot going on.
The poems reflect on various subjects like Cleopatra, Os Arlequins (Roman emperors), Epitáfio de Mexico (Emperor Maximiliano), and Maria Duplessis (the lover that Alexandre Dumas fils based La Dame aux Camélias). However his longest poem is also his best, Versos a Corina, which pays tribute to the muses of many famous poets over the years: Leonor (Tasso), Lívia (Horace), Beatriz (Dante Alighieri), Catarina (Luís de Camões), Corina (Ovid), Cíntia (Propertius), Lésbia (Catullus), Délia (Tibulus). Good stuff.
It’s good to see where a writer begins, and in this case to see another side of his work.
Por uns bons anos, meu livro favorito foi Odisseia, e, por uns mais bocados, foi Ilíada. Então, como não gostar de Crisálidas? Essa obra é uma ode ao classicismo como exercício da modernidade: o Clássico não como um obstáculo no caminho, um sintoma de regressão, um problema antiquado no pâncreas que deve ser tratado com pílulas que prometem um futuro que nada de racional possui. Em Crisálidas, o Clássico é o agora, a Grécia Antiga é Brasil. Não quero falar algo como "Dardanelos era a costa fluminense" ou que "Heródoto era Capistrano de Abreu", porque seria reducionista e simplista com a obra. Na verdade, é como se nunca tivesse existido nem a costa fluminense, nem Dardanelos. É como se, para Machado, o universo inteiro estivesse no panteão grego, nas praias de um mundo sem fronteiras, onde o conceito de terra firme e mar se confundem (seria o mar o limite da extensão terrestre ou a terra um limite da extensão do mar?) ou onde há vales floridos em que encontram-se as míticas ninfas, fadas e nereidas.
Machado de Assis traz, aqui, uma espécie de humanismo (não sei se essa é a palavra mais adequada, tenho quase certeza que não, mas permito-me usá-la com uma licença poética rs) renascentista universalista (em oposição a um nacionalismo provincialista da época), desafiando as noções de nacionalidade e temporalidade. Ao invés de ir nos modismos de seu século e aderir a uma noção de nacionalidade que estava a ser fabricada junto com indigenismos, dicotomias irracionais entre o Clássico e o Moderno, imitações (contraditórias) de estilismos europeus, o bruxo reinventa os conceitos de Antigo, Atual e Moderno. Enquanto seus contemporâneos instrumentalizavam a imagem dos povos indígenas (ironicamente, tentando criar uma identidade brasileira buscando distanciamento dos portugueses, embebiam-se de uma imagem indígena criada pelo colonizador), Machado vai na contramão, afirmando que os povos indígenas não eram especialmente brasileiros, unicamente no nosso território nacional (e, num debate mais contemporâneo, há de se questionar ainda se os povos indígenas realmente querem estar atrelado a um Estado Nacional historicamente assassino, vazio de sentidos e sem rumo desde o dia 1 de sua existência...). Na realidade, para ele, o "indianismo" era material universal da humanidade, não o rebaixando, muito menos dando um tom paternalista e forçado na "exaltação" da imagem dos indígenas, como faziam os seus contemporâneos. Machado foi, resumidamente, contra a nacionalidade fingida e buscou, autenticamente, imprimir isso de forma tão natural em sua obra que é de se impressionar. A escrita machadiana teve um objetivo (exitoso) muito claro aqui: questionar o classicismo pseudointelectual, os ideais de nação preguiçosamente inventados pelas elites brasileiras e pintar uma nova modernidade, que andasse de mãos dadas com o passado, tudo isso sem abrir mão do riquíssimo, belo, reverente e autenticamente real classicismo.
Acima de tudo, vale ressaltar que Machado não se contenta somente em unir o passado, o presente e o futuro, ele ousa ultrapassar e brincar com essa linha tênue entre os três, trazendo uma antiguidade que zomba das noções de perto e longe, cronologicamente e espacialmente, como a fazer pilhérias da ideia de Novo Mundo e Velho Mundo (algo que talvez seja muito perceptível no poema Dois Horizontes). Ele como institui o pertinente questionamento: por que o futuro não pode retomar o passado (esse último como um produto de sucessivas ressignificações, apropriações e digestões)?
Parece que todo mundo fala isso de todo livro minimamente famoso do século XIX, mas aqui vão minhas mais sinceras palavras: essa crítica é mais atual do que se pensa. Com essa posição, Machado de Assis se opunha contra a leviandade da vida burguesa de sua época, o desprezo dessa pelo real intelectualismo e as belas artes, junto com a entrega dessa camada aos axiomas baratos que se vestiam de uma roupagem intelectual, mas eram apenas palavras vazias-- cenário não muito diferente do que há nos dias atuais.
Nunca achei que escreveria isso, mas há uma proximidade tão interessante distada por 2 séculos entre Madeline Miller (autora que, confesso, dela, só liA Canção de Aquiles. Mas pretendo aprofundá-la pormenorizadamente no futuro)e Crisálidas, pois, assim como a Madeline, aqui, Machado propõe um futuro e um presente casado com o Antigo, exaltando sua beleza, universalidade e tridimensionalidade, reinventando o conceito de passado, ressignificando heróis, antepondo e sobrepondo mitos, etc.
Machado de Assis nunca foi um escritor passível de se categorizar em caixinhas bem definidas e, nessa obra poética, há a reafirmação da renúncia do autor a se prostrar diante de uma corrente literária e segui-la fielmente: há um pouco de parnasianismo, romantismo, classicismo, machadianismo zás e zás. Machado sempre foi duramente contra seguir uma corrente literária e aceitá-la acriticamente, evitando qualquer tipo de dobramento de joelhos servil a quaisquer escolas literárias do Brasil ou mundo afora.
E o que falar do sentimentalismo desmedidamente suave, melancólico, apaixonado, apologético, idealizador e místico de Crisálidas? Simplesmente uma beleza que faz derramar lágrimas (prantos, no meu caso, especialmente em Erro) e palpitar o nosso pobre coração.
Confesso que, no início, foi difícil colocar esse livro pra dentro, mas, uma vez que entendi que ia ser difícil largar o computador para ter que pesquisar as pencas de referências que Machado faz(e isso que já li 11 livros seus, mas, mesmo assim, não entra na minha cabeça como alguém consegue ser tão bem referenciado) e, daí, eu sento na escrivaninha e não saio mais de lá, a pesquisar que nem uma doida por mil e uma histórias de deuses da mitologia grega, alguns acontecimentos históricos aqui e acolá, nomes de flores quaisquer, a digestão fica saborosamente rápida. Pra mim os pontos altos do livro foram os poemas: No Limiar, Erro, As Ondinas, As Rosas, Os Dois Horizontes e, claro, Versos a Corina (Erro e As Rosas são especialmente uma escolha muito pessoal. Gosto de rosas e cometo muitos erros). Abrindo um espacinho pra falar sobre Versos a Corina, esse poema demonstra de forma muito bonita a imperatividade de Machado de Assis em dedicar-se à arte literária, mais especificamente, à arte poética (que acabou não sendo a parte mais aclamada de sua obra, mass agora não importa). E, de forma revolucionária, para a época (que entendia a profissão dos poetas quase como a de um miserável a pedir esmolas, um mercenário como qualquer outro), Machado afirma e reafirma a arte poética como uma missão de vida, selando um compromisso quase que divino com a poesia. Compromisso esse que vingou muito mais do que bem.