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O Monasticon ##1

Eurico, o Presbítero

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Eurico, o Presbítero (1884) é uma de suas obras fundamentais. A narrativa é um emocionante romance épico de cavalaria em que o personagem Eurico se vê forçado a escolher entre o amor à sua pátria e a fé em Deus.

330 pages, Hardcover

First published January 1, 1844

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About the author

Alexandre Herculano

371 books62 followers
Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, a Portuguese novelist and historian. Born of humble stock, his grandfather was a foreman stonemason in the royal employ.

Privation made him a man, and in his works, he proves a poet of deep and considerable power of expression. The stirring incidents in the political emancipation of Portugal inspired his muse, and he describes the bitterness of exile, the adventurous expedition to Terceira, the heroic defense of Oporto, and the final combats of liberty.

In 1837 he founded the Panorama in imitation of the English Penny Magazine, and there and in Illustraco he published the historical tales which were afterwards collected into Lendas e Narratives; in the same year he became royal librarian at the Ajuda Palace, which enabled him to continue his studies of the past. The Panorama had a large circulation and influence, and Herculano's biographical sketches of great men and his articles of literary and historical criticism did much to educate the middle class by acquainting them with the story of their nation, and with the progress of knowledge and the state of letters in foreign countries.

Grave as most of his writings are, they include a short description of a crossing from Jersey to Granville, in which he satirizes English character and customs, and reveals an unexpected sense of humour. A rare capacity for tedious work, a dour Catonian rectitude, a passion for truth, pride, irritability at criticism and independence of character, are the marks of Herculano as a man. He could be broken but never bent, and his rude frankness accorded with his hard, sombre face, and alienated mens sympathiea though it did not lose him their respect. His lyrism is vigorous, feeling, austere and almost entirely subjective and personal, while his pamphlets are distinguished by energy of conviction, strength of affirmation, and contempt, for weaker and more ignorant opponents. His History of Portugal is a great but incomplete monument.

A lack of imagination and of the philosophic spirit prevented him from penetrating or drawing characters, but his analytical gift, joined to persevering toil and honesty of purpose enabled him to present a faithful account of ascertained facts and a satisfactory and lucid explanation of political and economic events. His remains lie in a majestic tomb in the Jerónimos Monastery at Belem, near Lisbon, which was raised by public subscription to the greatest modern historian of Portugal and of the Peninsula. His more important works have gone through many editions and his name is still one to conjure with.

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Community Reviews

5 stars
274 (20%)
4 stars
416 (30%)
3 stars
405 (30%)
2 stars
164 (12%)
1 star
83 (6%)
Displaying 1 - 30 of 53 reviews
Profile Image for Ana.
749 reviews114 followers
February 12, 2023
Ainda bem que tenho persistido no meu objetivo de desbravar a pilha de livros-há-muitos-anos-nas-estantes. Estes livros, que foram ficando por ler mas, ainda assim, resistiram às sucessivas limpezas de Primavera, raramente me têm desiludido. Eurico, o Presbítero, foi mais uma jóia que ficou à minha espera durante décadas (porque – talvez felizmente – não o “estudei” na escola).

Acção, drama (muito drama), aventura, história e (pareceu-me) crítica ao celibato compulsivo dos religiosos, este livro condensa tudo isto em menos de 200 fantásticas páginas. O final deixou-me um tanto desapontada, mas é um livro do período romântico, portanto não se poderia esperar nada de muito diferente. Fechei-o a pensar que magnífico filme esta história daria!

4.5 arredondadas para cima
Profile Image for Helena Isabel Bracieira.
119 reviews61 followers
April 6, 2009
Gostei muito deste livro e gostei dele pelas seguintes razões:

1. É um romance histórico medieval escrito com uma linguagem repleta de «rococós» mas que nos mostra, exemplarmente, a filosofia romântica dos princípios do século XIX;

2. Constitui uma crítica aos cânones da Igreja por não permitir que os padres se casem e por estes terem que abdicar da felicidade terrena que é necessária à sua concretização espiritual como homens;

3. Retrata um período da nossa História que, por vezes, é um pouco negligenciado por nós, na medida em que pouco conhecemos dos acontecimentos que precederam a formação do Condado Portucalense e, depois, de Portugal (para além de el-rei Afonso Henriques a bater na mãe);

4. As descrições são de tal modo vívidas que parece que estamos em plena batalha entre cristãos e árabes com direito a perseguições, incêndios, conspirações, e outras coisas tais;

5. Apesar de, muito provavelmente, o amor das personagens principais, Eurico e Hermengarda, ter sido muuuuuito exagerado pelo narrador, é sempre bonito conhecer histórias assim, em que o amor vai para além de tudo o que possamos imaginar e do que é humanamente possível (mesmo que tenha sido só ficcional);

6. É de louvar o esforço do autor em ser historicamente correcto, procurando esclarecer-nos nas suas notas os termos usados: os nomes de locais e respectiva evolução linguística, medidas, etc.;

7. Por último, gostei muito porque sou muito lamechas (com conta e medida, claro) e gosto de imaginar bonitas histórias de amor eterno com aquelas coisinhas todas características deste tipo de «pieguices».
Profile Image for Luís.
2,383 reviews1,376 followers
June 30, 2020
A fictional tale, according to the time, of the creation of the county of Portucalense (giving rise to the name of Portugal), with very own scenarios and characters, giving a political stamp with some added social tension. Questions that the author dominated like no other. Historical and real figures of that time as D. Afonso Henriques (considered as "the father of the nation") or imaginary, like Egas and Dulce.
Profile Image for André.
25 reviews
March 16, 2017
Batalhas épicas, traições, padres guerreiros, amor, perseguições pelas montanhas: que mais se pode desejar? Uma escrita bela e o contexto histórico resultam num livro fantástico.
Profile Image for Renato.
21 reviews
January 2, 2019
"Teodemiro! Teodemiro! Um dia tremendo se aproxima em que a Espanha deve ser o túmulo da raça goda."
Um livro poderoso, escrito numa prosa marcadamente romântica, muito elaborada e quase sempre envolta num tom lúgubre e austero, que que lhe conferem um caráter místico e quase lendário.
No entanto, decepcionou-me bastante o final, que, apesar de partir de uma boa ideia, acaba por ser algo frouxo e dissonante, inclusive, do resto da história, que nos vai sempre entusiasmando com passagens tão épicas.
Facto que, contudo, não lhe retira o brilhantismo nem o estatuto de preciosidade da nossa literatura.
Profile Image for Dion Ribeiro.
286 reviews11 followers
November 26, 2016
Esta é a obra mais importante de Alexandre Herculano, um dos maiores escritores do Romantismo português.
Trata-se de um romance histórico, romântico e dramático com um desenvolvimento bastante interessante e penso que faz todo o sentido que estas obras sejam de carácter obrigatório na disciplina de português.
Profile Image for Olinda Gil.
Author 20 books36 followers
Read
October 26, 2017
Tão romântico que nos escapa o "histórico". Talvez o meu defeito foi ter lido este livro em busca do histórico.
Profile Image for Tempero.
54 reviews
July 15, 2025
Após 15 anos e várias tentativas consegui acabar este livro! Não se deixem enganar por estas 180 páginas, porque cada uma delas exige um grande esforço e dedicação para destrinçar a história no meio de tanto floreado, inversão da ordem normal das frases, montanhas de adjectivos, nomes em latim (não é Sevilha, é Híspalis), vocabulário militar, centenas de arcaísmos e muito mais: atravessar este livro é como combater junto com os heróis nos penedos das Astúrias.

De facto, este livro marca o início do romance histórico em Portugal introduzido pela pena de Alexandre Herculano e aborda um tema sobejamente desconhecido: as invasões muçulmanas da Península Ibérica e a queda do Reino Visigótico.
Há muita perícia para conjugar a História (os factos) com o Romance (a história com minúscula). O enredo histórico é manipulado pelo autor para encaixar num período temporal mais curto, mas os episódios relatados são em grande medida verdadeiros, sendo que o desenrolar da aventura é fascinante, os heróis saltam das páginas e as batalhas são épicas.

Na minha opinião, a forma episódica do livro torna-o num manuscrito ideal para um filme ou uma série. Por favor, alguém que pegue nisto, eu via!
Profile Image for barbruh :3.
159 reviews
March 26, 2025
o romance foi pouco, mas a guerra estava lá
“Dai às paixões todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentidos a máxima energia e convertei o mundo em paraíso, mas tirai dele a mulher, e o mundo será um ermo melancólico, os deleites serão apenas o prelúdio do tédio.”
Profile Image for Virgilio Machado.
235 reviews16 followers
January 21, 2012
Em Eurico o Presbítero há uma intriga amorosa ao lado do enredo político-militar. O livro é poema, é crónica e é lenda romântica. Nos capítulos IV, V e VI, há páginas repletas de sentidas expressões líricas. É aqui que Eurico é o perfeito «alter-ego» do autor. Sob a batina goda do presbítero temos de descortinar o filosófico engenho poético de Herculano, com a sua conhecida propensão para a meditação, para a reflexão profunda sobre os problemas do homem. Além de poema este livro é crónica. Isso mesmo se depreende da cor local em que se desenrola a acção, e de certa fidelidade histórica que aflora à superfície de toda a obra, sobretudo no que respeita à vida pública dos Godos, que Herculano confessa conhecer muito bem. Nesta novela Herculano deu largas à sua imaginação romântica. Pela oposição sistemática entre o sublime e o grotesco, sagrado e profano, pelo tom melodramático, pela redescoberta da sociedade medieval, Eurico é exemplo flagrante da inserção inequívoca de Herculano no movimento romântico, ao qual deu valioso subsídio como poeta, historiador e romancista.

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercia...

Na figura extraordinária do protagonista, na expressão do pessimismo social, na exaltação patriótica, no ascetismo profético, a obra espelha bem a idiossincrasia romântica do seu autor. Eurico, o Presbítero, que o próprio Herculano considerou uma «crónica-poema, lenda ou o que quer que seja», apresenta-se eivada mais de efabulação poética do que propriamente romanesca, constituindo, assim, uma obra única do romantismo português.

Eurico, o Presbítero. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-01-21]. Disponível na www:

Um lindo romance escrito por Alexandre Herculano que vai conquistar o seu coração.

Fonte: http://www.superdownloads.com.br/down...
Profile Image for Guilherme.
89 reviews6 followers
December 12, 2016
Talvez um dos (o) grades símbolos de romance histórico em língua portuguesa. A obra de Herculano mostra uma excelente experiência de construção romântica da dominação árabe em território espanhol no começo do século VIII d.C., o que condiz bem com os grandes motivos românticos de afastamento temporal e espacial.
A história de Eurico, o presbítero de Carteia, tem todos os elementos românticos que se pode esperar: um herói que se vale, acima de tudo, da honra e do amor; uma heroína marcada pela inocência e beleza; uma peripécia. Além disso, é de se notar como a linguagem poética de Herculano dá um tom ao mesmo tempo arcaizante e experimental, poético; isso desde o nome dos locais onde se passam as ações (Carteia por Quarteira, Híspalis por Sevilha, por exemplo), até o vocabulário comum da narrativa, claramente floreado, repleto de adjetivações imitando motivos épicos. A história é repleta a todo momento de reviravoltas, ações apaixonantes, feitos ousados do misterioso cavaleiro negro e, é claro, poesia em prosa.
O que é de mais interessante na narrativa de Herculano é como ela se aproxima (assustadoramente) de métodos e histórias narradas hoje em dia, seja nas telenovelas, seja nas séries tipo Netflix, HBO.
Para quem assiste séries/novelas/filmes com temáticas medievais, "Eurico, o presbítero" é uma ótima experiência para se aproximar de uma literatura refinadíssima com um tema que está na moda nos tempos de hoje.
Profile Image for Inês.
29 reviews2 followers
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September 17, 2021
Não me cabe a mim avaliar tal tratado que conjuga a literatura com a história, fazendo história na literatura portuguesa. Como afirma o autor nas suas notas deliciosas, (a inicial e a final, de leitura obrigatória!), é difícil "separar, em relação àquelas eras, o histórico do fabuloso, aproveitei de um e de outro o que me pareceu mais apropriado ao meu fim." E que fim maravilhoso. Não nego o difícil entranhar no início da leitura mas alcançado o fim da subida na leitura é tão deliciosa a descida até ao seu fim que deixa saudades da deliciosa viagem da sua leitura. Uma leitura assim, obrigatória!
Profile Image for Loriterate.
58 reviews5 followers
May 23, 2016
Não gostei mesmo nada de ler, fui mesmo obrigada para as aulas.
Profile Image for Jacqueline Lima.
Author 3 books22 followers
July 15, 2018
Adorei ler este livro. Encheu-me as medidas. Ainda me lembro da grandiosidade trágica das personagens. Recomendo. Muito melhor que amor de perdição.
Profile Image for Pedro Costa.
73 reviews1 follower
June 24, 2021
Como é que isto saiu no mesmo ano d'Os Três Mosqueteiros?
Profile Image for Carla Parreira .
2,048 reviews3 followers
Read
February 28, 2025
É um romance histórico que fala a respeito do fim do reino visigodo (formado na região que atualmente compreende Espanha e Portugal) diante da conquista dos muçulmanos que avançaram pela maior parte da Península Ibérica. O enredo conta a história de amor entre Eurico e Hermengarda na Espanha visigótica do século VIII. Eurico e seu amigo, Teodomiro, lutam ao lado do rei da Espanha, Vitiza, contra os montanheses rebeldes e contra a francos, seus aliados.
Depois de vencer o combate, Eurico pede ao Duque de Fávila a mão de sua filha, Hermengarda, porém este recusa o pedido ao saber que se trata de um homem de origens humildes. Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o Presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos. No entanto, quando ele descobre que os árabes estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tárik, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heroica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos visigodos e dos demais povos da península, agora seus aliados, e lhes dá forças para combater o invasor. Quando a vitória parece certa para os godos, Sisebuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos visigodos, morre na Batalha de Guadalete e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolorosa e raptam Hermengarda, mas o Cavaleiro Negro a salva.
Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio. Em segurança numa gruta de Covadonga, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes e enfrenta os traidores Bispo Opas e Juliano, Conde de Ceuta.
A narração passa a imagem das relações sociais marcadas pelas questões financeiras, do celibato religioso e das suas consequências forçosas.
O herói da história pode ser apresentado como o alter ego do autor Herculano. É se colocando na figura de Eurico que o autor consubstancia grande parte das suas convicções, anseios, frustrações e mitos.
A solidão moral do celibato de Eurico poderá ser lida como o sacerdócio leigo de Herculano, que renunciou ao amor de juventude em prol de uma dedicação total à causa social, política e literária. Através de Hermengarda reconhecemos o dramatismo duma Ofélia de Shakespeare, figura paradigmática ressuscitada e largamente utilizada pelos românticos como a penitente do amor. Pela oposição sistemática entre o sublime e o grotesco, sagrado e profano, pelo tom melodramático, pela redescoberta da sociedade medieval, Eurico é exemplo flagrante da inserção inequívoca de Herculano no movimento romântico, ao qual deu valioso subsídio como poeta, historiador e romancista. É um livro interessante para quem busca analisar as tradições sociais e culturais da vida antiga que, na minha opinião, ainda influencia, mesmo que inconscientemente, a nossa era moderna.
Profile Image for mar ≋.
29 reviews
July 10, 2025
Tendo estudado história, devo de ter ouvido o nome Alexandre Herculano mais vezes que o meu nos vários meses a cursar numa Faculdade de Letras, e honestamente, apesar da nota baixa, não acho que tenha desiludido.

É um reflexo nítido da escrita romântica do século XIX como se poderia esperar, mas também das mentalidades e preconceitos da época, o que, apesar de desagradável, acaba sempre por ser algo extremamente curioso e de valor para se compreender não apenas a nossa história, como a nossa cultura, mentalidades, valores, e como somos como um povo.

O elemento de destacar neste livro é exatamente a curiosidade de estarmos a ler uma história datada de antes de VII d.c., escrita por um autor português do século XIX, do ponto de vista de leitores no século XXI, transformando-nos quase em viajantes do tempo. Para minha felicidade, o rigor histórico é refrescante, tenho saudades de quando eram escritos romances históricos em que a parte da história não fosse completamente distorcidade e feita sem qualquer pesquisa ou vontade por parte do autor (cough cough, Stalking Jack the Ripper), e é claro que Alexandre Herculano seria e será cantado em mais faculdades de letras em Portugal, de preferência até ao resto dos tempos (ou até à morte do último leitor que se consiga sentar 3 minutos a ler escrita pesada sem subway surfers numa tela ao lado).

Difícil de ignorar é o racismo/preconceito presente em todo o livro, sendo esta obviamente a narração de um conflito entre ocidentais cristãos e orientais muçulmanos, que obviamente me fez instintivamente torcer o nariz, mesmo eu tendo a completa noção que é correto historicamente, e teria que ser mencionado para ser um romance realmente histórico. Acho que é só um reflexo a este ponto.

No entanto, devo de dizer que o rigor histórico e a escrita são os únicos aspetos positivos que consigo apontar. A escrita é realmente de tirar o fôlego, as descrições das batalhas e das paisagens são realmente de um mundo completamente diferente, onde hoje em dia só consigo ouvir "escreve em frases curtas", Alexandre Herculano realmente é um herói português da escrita, que não se importa em juntar algumas orações, criar listas de enumerações e abusar nos adjetivos, e por esse mesmo motivo terei que procurar outras obras dele, porque esta história de amor realmente 'was not it'.

Não sei se foi por ler o livro apenas em transportes públicos, como uma manta de retalhos que só me lembrava esporádicamente, mas a história em si não me fez qualquer comichão. Certas cenas como as batalhas, o convento a ser invadido, a cena das freiras, arrepiaram-me dos pés à cabeça, mas a grande história em si, o amor proibido de Eurico e Hermenegilda, honestamente não me podia ter aborrecido mais, sendo eu uma pessoa que idolatra romances slow-burn e amores proibidos!

Talvez algum dia dê uma outra chance a esta história, e com certeza darei múltiplas chances a Alexandre Herculano, mas neste momento da minha vida esta foi realmente uma história de amor pela qual não me importei nada, não senti qualquer pena ou afeição pelas personagens principais, e honestamente nem sei se compreendi a relação deles a uma escala mais larga para me sentir assim tão indiferente. Entretanto, 2 estrelas e meia servirão, especialmente em contraste com algumas obras portuguesas que andam por aí.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Marcelo Melo.
37 reviews1 follower
December 11, 2023
A imagética que serve de substrato à literatura de ficção não cobre irmãmente os tempos históricos ao dispor. Há períodos sobre os quais os intentos literários são praticamente inexistentes, e facilmente nestes poder-se-ia referenciar os séculos que antecedem a fundação da nação portuguesa. É precisamente sob essa zona de razia de criação literária que se insere a história de 'Eurico, o Presbítero' a qual narra uma península ibérica fragmentada territorialmente, cristã, sob um conturbado comando visigodo.

Se desse tempo há naturalmente para descrever múltiplas efemérides bélicas e políticas decorrentes das pelejas para fazer vingar a soberania dos povos ibéricos, marcadas tanto por dissenções internas como pela grande ameaça muçulmana, a mestria de Herculano faz emergir a personagem polivalente de Eurico um guerreiro (gardingo) convertido a padre (presbítero) e resgatado a temível cavaleiro (cavaleiro negro) por força de circunstâncias de vida ou morte do seu Deus, do seu povo, e da sua amada.

A personagem de Eurico e os contextos que a acompanham conferem uma polissemia interessante à obra que permite entendê-la para lá do âmbito histórico óbvio em que decorre; reflete-se também na organização social (classes), na psicologia humana (paixões), e ainda na dimensão moral (a vivência da fé cristã) pelos visigodos.

Para quem, como eu, não valoriza enquanto tema a guerra e a violência, ressalvo desta obra a ousada sediação a tempos tão pouco familiares de dilemas tão atuais como a frustação do amor por motivos de estatuto social ou económico; e a lógica do celibato como fator de castidade e pureza divina em líderes espirituais.

Sendo a história de Portugal tão pródiga em dinastias monárquicas, tão vasta no espaço temporal que abarca, e tão coroada pela expansão marítima pelo mundo, Alexandre Herculano assinala com esta obra um ponto de honra a todos os que defenderam a Península Ibérica e a quiseram consolidar como território uno.

Cabe a cada um definir o que considera ter de estar reunido para que uma obra seja considerada magistral e para que um escritor possa ascender ao púlpito restrito dos predestinados, mas creio que Alexandre Herculano, com Eurico, exponencia uma qualidade criativa, um estilo de escrito, e um domínio linguístico superlativos digno dos melhores maestros literários em português.
Profile Image for Paulo Teixeira.
917 reviews14 followers
October 23, 2018
(PT) "Eurico, o Presbítero" é uma tentativa dele de imitar os romances históricos de Walter Scott, especialmente "Ivanhoe". A história é interessante: no tempo entre o final do império visigodo e a invasão árabe, que vai até à batalha de Covadonga e os feitos do rei Pelágio. Eurico é um cavaleiro que se remete ao sacerdócio depois de lhe ser recusada a mão de Hermengarda. Quando os árabes invadiram a península, ele vai no seu socorro, tornando-se num dos seus maiores cavaleiros, uma espécie de última resistência contra a tropa vitoriosa. Combate até ao fim, mas não sem antes salvar Hermengarda do cativeiro árabe e levá-la para junto do seu irmão, Pelágio. No reencontro, ele diz que já é tarde, tinha jurado o celibáto e a morte no campo de batalha. E quando isso acontece, Hermengarda enlouquece.

O livro é um clássico romântico. Não é muito complicado de o ler, mas após 175 anos, é uma aventura que não se tornou intemporal. O Romantismo, como corrente literária, teve o seu tempo, sendo renegado no final do século a favor do Naturismo, algo do qual seria usado em obras como "Os Maias" ou "A Ilustre Casa de Ramires", ambos de Eça de Queiroz. Contudo, é um excelente romance para ilustrar um período de tempo, e parece ser melhor que "Viagens na Minha Terra", por exemplo.

Apesar dos defeitos e de ser uma obra do seu tempo, este clássico envelheceu melhor que muitos outros.

(EN) "Eurico, o Presbítero" (in the portuguese original), is Herculano's attempt to emulate the historical novels of Walter Scott, specially "Ivanhoe". The novel is an interesting one: between the of the visigoth empire and the begining of the arab dominance in the Iberian Peninsula, to the battle of Covadonga and the deeds of king Pelágio.
Profile Image for Rita Costa (Lusitania Geek) .
546 reviews60 followers
September 4, 2017
Eu ainda me recordo ler este livro, durante o meu secundário tive que ler este livro para a cadeira de Português. Foi um livro onde foi lento no inicio da estória e por isso era difícil se agarrar ao livro e também contribui um pouco de vontade de o ler devido às circunstancias (tinha que ler e fazer resumo/analisar a estória, como podia ser um dos 3 livros escolhidos para o exame final). O autor conta naquela época VIII, uma bonita e triste história de amor, entre um presbítero e uma mulher que, sendo de um nível social mais elevado que ele, lhe é rejeitada. Eurico dedica-se então ao sacerdócio. Mas é uma história difícil de deslindar, com o tipo de leitura que é apresentado...não era uma escrita fácil de compreender, por ser de uma época diferente que o autor viveu.

Eu muito provavelmente não irei voltar a ler se eu cruzar com este livro outra vez, não é o tipo de literatura que me aprecio muito. 2 estrelas
Profile Image for Priscilla.
1,928 reviews16 followers
January 6, 2023
Um romance de cavalaria português que merecia ser transformado em filme.

A tragédia de Eurico é um épico. A luta contra invasores, o amor impossível por Hemengarda, a devoção religiosa. Tudo perfeitamente entrelaçado por Alexandre Herculano que quis deixar a marca lusitana entre tantas outras obras clássicas como El Cid, Ivanhoé e Artur da Távola.

A adaptação feita para o português moderno cumpre seu papel - quase não é preciso o refúgio a um dicionário ou enciclopédia. Porém, o leitor mais acostumado ao ritmo dinâmico dos romances históricos atuais pode se sentir enfadado, já que todo o rol de personagens é dado a introspecção.

O livro ainda apresenta batalhas sanguinolentas e discussões ferrenhas em que até os insultos são referidos, embora ainda dentro do gênero a que se propõe.

Meu volume sofreu um pouco durante a leitura, e a lombada descolou... não sei se foi azar ou um defeito comum dessa edição.
Profile Image for Gonçalo Ferreira.
287 reviews11 followers
January 26, 2019
Escrito num estilo muito empolgante e envolvente, quase cinematográfico.

"O povo rude de Carteia não podia entender esta vida de exceção, porque não percebia que a inteligência do poeta precisa de viver num mundo mais amplo do que esse a que a sociedade traçou tão mesquinhos limites."
(Capítulo III - O Poeta)

"À minha volta a atmosfera estava impregnada de um hálito perfumado: era a natureza que sorria afagada pela Primavera. As aves aquáticas redemoinhavam nos ares ou pousavam sobre as águas, e pareciam, nos seus voos incertos, ora vagarosos, ora rápidos, alegrarem-se com os primeiros dias da estação dos amores."
(Capítulo VI - Saudade)

"Quando as pálpebras cerrando-se me escondem o mundo das realidades, os olhos do espírito volvem-se para o mundo das existências ideais."
(Capítulo VII - A Visão)
Profile Image for Iceman.
357 reviews26 followers
December 30, 2012
Apreciador de romances históricos, não podia deixar de efectuar uma homenagem pessoal ao iniciador do romance histórico em Portugal que, seguindo o modelo de Wlater Scott, fez reviver velhas tradições medievais, reconstruindo toda uma sociedade onde gentis cavaleiros tentavam conquistar imponentes castelos: Alexandre Herculano.
Alexandre Herculano foi um dos mentores do movimento romântico, logo, a sua obra reflecte as tendências do romantismo. Historiador e escritor, Herculano que, diga-se de passagem, foi durante muitos anos responsável pela Torre do Tombo, tendo assim acesso de uma forma privilegiada a documentos históricos, mas Alexandre Herculano estendeu a sua capacidade de escrita por diversos géneros literários: Poesia, Romance e História. Dono de uma visão apurada sobre a realidade do país, nos seus romances procurou sempre relacionar a História com a ficção, no entanto procurou inserir essa ficção dentro da História para que, assim, essa ficção, fundamentalmente ao nível dos diálogos, não destruísse a História. Ou seja, Herculano foi o primeiro a entender o quão importante seria o romance histórico para a divulgação e conhecimento da História.
Mas Alexandre Herculano como historiador foi deveras importante para a sociedade da altura. Penso que para o caso não vale a pena aqui aprofundar a questão. Não só porque nos levaria para campos políticos e filosóficos que influenciaram os seus contemporâneos, como também abordar a sua importância enquanto historiador, seria afastarmo-nos do meu propósito, no entanto e apenas para complementar, Alexandre Herculano teve um papel vital na visão da História em Portugal e foi um dos grandes escritores portugueses de todos os tempos e um homem que teve um contributo decisivo na cultura portuguesa.
"Eurico, o Presbítero" é um romance grandioso, uma verdadeira Odisseia.
Li, algures, que podemos compara "Eurico, o Presbítero", enquanto obra grandiosa, a "Odisseia" de Homero. Pessoalmente concordo. Não tenho mesmo problemas nenhuns em considerar "Eurico" uma obra no mesmo patamar da "Odisseia" ou dos "Lusíadas", enquanto obra de capital importância para a nossa cultura e identidade lusa.
Eurico, nobre mas sem grandes bens, enamora-se por Hermengarda, filha de um importante e influente nobre. No entanto e dada a sua baixa condição social, os apaixonados são impedidos de casar, forçando assim Eurico a escolher uma vida de celibato, tomando os juramentos de monge e fechando-se num mosteiro.
A primeira fase do romance é belíssima. Eurico vagueia triste e pensativo. Os seus pensamentos são em prosa poética e revelam uma visão do mundo que vai de encontro às próprias teses de Herculano. Eurico elabora nesta fase uma profunda reflexão sobre os problemas que afligem o Homem.
Ainda no mosteiro, Eurico vem a saber das invasões árabes e da fuga das hostes cristãs. Nessa desordenada fuga, Hermengarda acaba por ser raptada pelos mouros.
Quando está prestes a ser desonrada pelo comandante dos exércitos mouros, Hermengarda é espectacularmente salva por um cavaleiro negro que, lutando como um louco, consegue desbaratar todo o exército muçulmano. Para espanto de Hermengarda, o cavaleiro negro identifica-se e é com espanto que vê surgir na sua frente o próprio Eurico, seu antigo noivo. Porém mais está para acontecer, os mouros não desistem...
Alexandre Herculano situa a acção na época das primeiras invasões árabes (sec. IX, salvo erro). Portugal ainda não existia, o qeu existia era um povo que ocupava esta nossa faixa de território da Península Ibérica: os Visigodos.
Assim, Herculano descreve uma época problemática e perigosa a vários níveis: a influência da cultura romana era praticamente nula, os visigodos procuravam na crença do deus único um sentido, enquanto que em contraponto, surgia fulgurante, uma outra civilização com outras crenças religiosas. A própria tragédia de Eurico é um sinal desse confronto de crenças, por um lado exige-se o celibato, por outro, os seus pensamentos deixam antever outras ideias. A derrocada do "império" Godo está também presente, quase como a antevisão do surgimento de um outro povo. O tom grandioso da obra deixa antever futuros acontecimentos que irão mudar a face do território e a sua História.
É engraçado que neste romance Herculano dá bastante ênfase ao conflito amoroso. E é neste fase que se dá aqueles pensamentos poéticos que tornam a obra belíssima. Digo engraçado porque o próprio Herculano afirmava ser essa a fase aquela com que ele maiss e identificava, sendo aí que ele expôs o fulcro do seu pensamento. Ora bem, sabe-se que na juventude Herculano também havia sacrificado uma paixão à sua vocação de escritor. Logo, Eurico ao preferir o celibato ao amor, personifica a sublimação de um ideal, o sacrifício do amor a esse ideal. É interessante!
Em suma, uma obra cuja opinião é muito difícil, sobretudo porque tenho a percepção que toda a obra deve ser analisada (não é por acaso que existe os "Apontamentos" da Europa-América), pois toda ela tem uma série de técnicas literárias, intenções políticas, estruturas díspares, críticas sociais e morais, pensamentos que advêm de várias correntes filosóficas e inclusivamente pretensões de inquirir o papel da religião.
Quanto a mim é uma obra muito profunda que, e a custo (custou-me também constatar que ainda ninguém havia opinado sobre a obra) elaborei esta opinião, mas reconheço que está muito incompleta. No entanto e por muito que goste de efectuar análises aos livros que leio, neste caso não consigo melhor e mesmo assim, só à custa de vários apontamentos que fui escrevendo ao longo de várias semanas.
Uma obra portentosa, importantíssima para a nossa cultura.
Profile Image for Carlos Filipe Bernardino.
365 reviews
August 24, 2023
Uma obra do Século XIX, com o seu tipo de escrita, mas que é um excelente romance histórico e um autêntico "tour de force" ao levar-nos da invasão da Península Ibérica pelos povos Árabes, a Batalha de Guadalete que dá início ao domínio muçulmano na Península até às primeiras derrotas dos Arábes na zona de Covadonga, nas Astúrias. Um romance com base histórica, que salienta a aliança entre vários nobres visigodos com os muçulmanos.
Em simultãneo temos o amor dificil e trágico entre Eurico e Hermengarda, muito na linha do Romantismo.
Profile Image for Ana Monteiro.
310 reviews1 follower
March 15, 2025
Este é o caso de um livro que marcou a minha adolescência. Estava incluído nos livros que faziam parte do programa de leitura obrigatória. Quase ninguém o apreciava e todos elegiam Os Maias como o “seu” livro. Este era o meu. Vibrei com a sua atmosfera, os dilemas morais do personagem, e como nunca mais o reli, estou com alguma curiosidade sobre se ainda continuo a apreciar o estilo. Causou-me, na altura, um impacto intenso.
Profile Image for Rafael Alves.
79 reviews4 followers
October 31, 2025
Este livro tão bem talhado para nos induzir a imersão de estarmos num mundo já mui distante do nosso e isso se vê também a vários níveis, incluindo o vernáculo que obrigará várias vezes a pausas na leitura. Deveras uma obra-prima, híbrida entre vários estilos que chega até cruzar ficção com não ficção
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852 reviews
March 29, 2019
Um romance histórico por um historiador e cidadão que queria contribuir para a formação de uma consciência nacional e cívica. Foi uma leitura penosa naquele já longínquo ano de 1998 e talvez lhe deva dar outra hipótese.
4 reviews
March 2, 2021
Creio ser uma história de amor e de sacrifício muito bem descrita e que deixa o leitor a sentir o sofrimento que Eurico tem. A única observação que deixo a quem pretenda ler é que a linguagem por vezes é desafiante de entender.
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