A escrita dos loucos. A loucura da escrita. Como Nerval, como Artaud, como Jarry. A escrita dos doentes contra os médicos. Contra a repressão. A escrita anti-normal. EMMA SANTOS.
Apesar do ensurdecedor falatório dos psiquiatras a loucura continuou felizmente a falar em voz cada vez mais alta na produção literária, poética e romanesca destes dois séculos. O movimento de Libertação dos loucos. A luta da loucura contra a normalidade. O desmascarar da Psiquiatria e instituições opressivas. A condenação dos psiquiatras e quejandos. A escrita anormal, da sub-humanidade. A palavra nova anti-linguagem.
Como Holderlin, Nerval, Nietzsche, Jarry, Strindberg, Poe, Roussel, Faulkner, Artaud, Lowry, Emma Santos e tantos outros, todos chanfrados, esquizofrénicos, paranóicos, neuróticos até à medula, cozidos e recozidos pelo álcool, bela amostra dessa sub-humanidade que de ordinário é desejado nos asilos.
Contra a sexualidade normal, contra a instituição familiar.
A escrita da mulher louca. O Movimento da Libertação das Loucas. O movimento anti-patriarcal. A anti-psiquiatria, a contra-sexualidade. Uma palavra nova.
Ce texte est un cocon moite qui enveloppe le lecteur et le fait se sentir femme. C'est aussi l'histoire de la déchirure de ce cocon, d'où émerge alors un être nu, à la fois fragile et féroce, obsédé par les mots. La narratrice nous emporte dans cette écriture hybride, dans ce récit de la psychanalyse ratée, de l'incurable folie, de celle qui blesse, griffe, mutile, tord, tue, démembre, qui se démembre, qui se castre volontairement. L'histoire d'une vie tragiquement vécue au rythme des rares étincelles de joie, des fantasmes inavouables et des peurs insondables, d'une grossesse douloureuse, des overdoses de médicaments, d'épisodes sexuels et des traumatismes de l'enfance, qui nous sont livrés sur le mode de l'angoisse. En d'autres mots: un récit bouleversant dont le phrasé ne laisse pas indemne.