Poucos textos, como O Conde de Abranhos, se tornaram tão célebres nas letras portuguesas e tantas vezes nenhum outro foi citado como um dos mais polêmicos que Eça de Queiroz concebeu. Retrato de um político - do «político», diríamos - recupera a lição que no seu tempo era ainda fortíssima e que se impusera como arquétipo do procedimento público de certas figuras que desde as lutas domésticas tinham dominado a cena política nacional. Não sabemos hoje se o Conde de Abranhos corresponde a um modelo ou se pretende retratar uma personagem real, naturalmente caricaturizada e exagerada. No entanto em muitos aspectos da caracterização do Conde estão latentes algumas das facetas de diversos políticos do século XIX cuja atuação e atividades escandalizaram finalmente a nação após o que parecia ser o curso impune das suas imoralidades e perfídias. Obra de notável perspicácia social onde o grande escritor revela, uma vez mais, a sua extraordinária capacidade analítica, O Conde de Abranhos é um texto audaz e infelizmente atuais em tantos aspectos da crítica mordaz e da sátira que nele atingem momentos inexcedíveis.
José Maria Eça de Queirós was a novelist committed to social reform who introduced naturalism and realism to Portugal. He is often considered to be the greatest Portuguese novelist, certainly the leading 19th-century Portuguese novelist whose fame was international. The son of a prominent magistrate, Eça de Queiroz spent his early years with relatives and was sent to boarding school at the age of five. After receiving his degree in law in 1866 from the University of Coimbra, where he read widely French, he settled in Lisbon. There his father, who had since married Eça de Queiroz' mother, made up for past neglect by helping the young man make a start in the legal profession. Eça de Queiroz' real interest lay in literature, however, and soon his short stories - ironic, fantastic, macabre, and often gratuitously shocking - and essays on a wide variety of subjects began to appear in the "Gazeta de Portugal". By 1871 he had become closely associated with a group of rebellious Portuguese intellectuals committed to social and artistic reform and known as the Generation of '70. Eça de Queiroz gave one of a series of lectures sponsored by the group in which he denounced contemporary Portuguese literature as unoriginal and hypocritical. He served as consul, first in Havana (1872-74), then in England, UK - in Newcastle upon Tyne (1874-79) and in Bristol (1879-88). During this time he wrote the novels for which he is best remembered, attempting to bring about social reform in Portugal through literature by exposing what he held to be the evils and the absurdities of the traditional order. His first novel, "O crime do Padre Amaro" (1875; "The Sin of Father Amaro", 1962), describes the destructive effects of celibacy on a priest of weak character and the dangers of fanaticism in a provincial Portuguese town. A biting satire on the romantic ideal of passion and its tragic consequences appears in his next novel, "O Primo Basílio" (1878; "Cousin Bazilio", 1953). Caustic satire characterizes the novel that is generally considered Eça de Queiroz' masterpiece, "Os Maias (1888; "The Maias", 1965), a detailed depiction of upper middle-class and aristocratic Portuguese society. His last novels are sentimental, unlike his earlier work. "A Cidade e as Serras" (1901; "The City and the Mountains", 1955) extols the beauty of the Portuguese countryside and the joys of rural life. Eça de Queiroz was appointed consul in Paris in 1888, where he served until his death. Of his posthumously published works, "Contos" (1902) is a collection of short stories, and "Últimas Páginas" (1912) includes saints' legends. Translations of his works persisted into the second half of the 20th century.
'O Conde d'Abranhos' foi a escolha para discutir agora em Janeiro no clube de leitura de que faço parte. Já li diversas obras de Eça de Queirós mas esta não conhecia.
É uma história curta, cento e poucas páginas, sobre a ascensão política de Alípio Abranhos, um homem de origens humildes que nasceu em Penafiel. Abranhos teve a sorte de ter uma tia rica e solteira, que lhe proporcionou uma educação que de outra forma não teria. No entanto, Alípio tem umas visões muito próprias sobre a vida e a sociedade.
Esta história é narrada por Z. Zagalo, um homem que foi secretário de Alípio Abranhos, e tem um carácter biográfico.
Sinceramente não gostei por aí além. É possível sentir a caricatura, a crítica, da sociedade nesta pequena narrativa, mas isto acaba por ser quase uma descrição do percurso profissional do homem; achei algumas partes aborrecidas.
Por outro lado, no entanto, foi engraçado ver como, para Zagalo, Abranhos é o supra-sumo da batata frita, por assim dizer. Abranhos é completamente ignorante no que diz respeito a certos aspectos da governação do país. No entanto a sua ignorância é explicada pelo facto de Alípio Abranhos ser uma pessoa que se preocupa com coisas de âmbito mais generalista, "e não se demorava nessa verificação microscópica de detalhes práticos, que preocupam os espíritos subalternos". Ou seja, para o nosso narrador, Alípio Abranhos é um génio, um senhor, e todos os seus erros se tornam virtudes.
Para além desta história, o documento que retirei de um directório brasileiro que inclui diversas obras de autores, tanto portugueses, como brasileiros (não encontrei nada deste género em português!), vinha também um conto chamado 'A Catástrofe', que é uma pequena descrição das invasões francesas (creio). Sendo pequeno, não tenho muito a apontar. No entanto, o início parecia mais prometedor.
Confesso ter tido dificuldade ao início da estória, com a escrita floreada e a "graxa" dada ao Conde d'Abranhos, mas passando a fase das paternidades e inícios de vida, comecei a apreciar a "biografia" do Conde. Escrita pelo secretário do Conde, que o admira e eleva-o aos píncaros, como um Deus na terra (tão lambe botas!!) percebemos a ironia e sátira feito ao dito homem grande daquela época, que aparenta ser um homem de moral e inteligência, mas só de fachada, a realidade mostra um homem egoísta, ignorante, voraz, que finge ser algo só para subir os escalões do poder, nada muito diferente de hoje.
Não é o melhor Eça, mas passados 120 anos em que devíamos ter mudado ao ponto de olharmos para tudo isto como um relato de um país pequenino, mesquinho e de pequenos egoísmos que já pertenceria ao passado, assusta a atualidade da visão sobre a alma portuguesa e a política de anões que tem sido sempre a nossa. O facto de ser uma edição póstuma e ser mais uma novela do que um romance pode ajudar a explicar alguma falta da complexidade e brilho que é habitual no meu escritor português preferido.
Quanto è fortunatamente lontano il Portogallo di ieri dall’Italia di oggi
Dopo Biribi eccomi di nuovo alle prese con un libro scomparso, pubblicato da una casa editrice anch’essa scomparsa, e praticamente introvabile anche sul mercato dell’usato. Il Conte di Abranhos uscì in Italia nel 2004 per Avagliano, piccola casa editrice di Cava de’ Tirreni, che l’anno dopo sarebbe stata ceduta dai suoi proprietari. Di lei in internet non resta che una sorta di biglietto da visita, ma di fatto non esiste più, anche se ho trovato alcune pubblicazioni risalenti solo allo scorso anno. Insieme a lei sono scomparsi anche i suoi titoli, alcuni dei quali anni fa avevo acquistato durante una fiera della piccola editoria di Roma. Di José Maria de Eça de Queirós, tra i massimi esponenti della letteratura ottocentesca portoghese, il lettore interessato può comunque trovare in libreria alcuni importanti titoli, anche se forse le sue opere più significative sono proprio quelle di ardua reperibilità. Segnalo comunque che pochi mesi fa Settecolori ha pubblicato il suo più ambizioso e conosciuto romanzo, I Maia, assente dalle librerie italiane da quasi trent’anni. Temo però che la sua effettiva reperibilità non sia destinata a durare molto: ne sono infatti state stampate solo mille copie numerate, e non credo seguiranno ristampe. Eça de Queirós, nato nel 1845 a Póvoa de Varzim, a nord di Porto, e morto nel 1900 a Neuilly-sur-Seine, oltre che romanziere fu giornalista e diplomatico; pubblicò in vita una decina di romanzi. Alcune informazioni su di lui possono essere lette nel mio commento ad un altro suo romanzo, Il cugino Basilio. Qui posso aggiungere che, come capiterà a Fernando Pessoa, egli lascerà un baule di manoscritti, che subirà vicende tormentate prima di ritornare in possesso della famiglia. Nel 1925 suo figlio farà pubblicare tre importanti romanzi, emersi dal baule: La capitale, Alves & C. e Il Conte di Abranhos, quest’ultimo incompiuto. Scritti negli anni ‘70, periodo di massima attività dell’autore, quando si trovava in Inghilterra in qualità di Console, la loro mancata pubblicazione si deve probabilmente a ragioni di opportunità, essendo centrati su una critica della angusta e provinciale borghesia portoghese così pungente da poter suscitare scandalo. Nel caso de Il Conte di Abranhos, la pubblicazione era stata annunciata come imminente nel luglio del 1879: si sa però che l’editore, temendo fastidi, gli propose di pubblicarlo anonimo, e probabilmente da ciò la decisione dell’autore di abbandonarne la scrittura. Pare che la grafia di Eça de Queirós fosse parecchio difficile da interpretare, ragion per cui in vista della pubblicazione postuma i manoscritti furono rivisti dal figlio, anche per correggere gli inevitabili errori di testi non revisionati dal padre. A seguito di successive analisi critiche si scoprì come, almeno nel caso de Il Conte di Abranhos il figlio non si fosse limitato ad un lavoro di editing, ma avesse ritoccato significativamente il contenuto del manoscritto, cambiando termini e variando od omettendo passi ritenuti scomodi. Nei primi anni 2000 uscì quindi una edizione critica del romanzo, sensibilmente diversa da quella del 1925, sulla quale si erano ovviamente pubblicate le traduzioni in diversi paesi: l’edizione Avagliano del 2004, ottimamente curata da Mariagrazia Russo e Lucio Sessa, è stata invece condotta sul testo filologicamente corretto, ed uscì addirittura, grazie alla disponibilità degli studiosi portoghesi, prima dell’originale. Come ho fatto notare nel mio commento di allora, la prosa de Il cugino Basilio si caratterizza per una minuziosa e distaccata oggettività che richiama i grandi maestri del realismo francese, Balzac e Flaubert innanzitutto, cui lo scrittore portoghese dichiaratamente si rifà. Diverso, come vedremo, è il caso de Il Conte di Abranhos. Nella sua Nota di traduzione, posta in coda al romanzo, Lucio Sessa fornisce utili indicazioni sull’essenza generale della prosa dell’autore, prendendo lo spunto da questa nota di Gianfranco Contini del 1980: ”La preponderanza dello stile spiega perché Eça, largamente e decorosamente tradotto all’estero (Italia compresa) vi goda di una stima non più che fiduciaria. Per stazzarlo al suo giusto peso bisogna mettersi in condizione, ed è un impegno piacevole, di leggerlo in originale”. Per inciso, è da notare l’eleganza dello stile di scrittura di uno dei più grandi filologi italiani. Così prosegue Sessa: ”La difficoltà di rendere lo stile queirosiano è stata sperimentata da chi scrive qualche anno fa, in occasione della traduzione di un suo romanzo dal titolo ‘Alves & C.’ Le frasi queirosiane, sempre in bilico sull’orlo dell’anacoluto, lo sfioravano senza cadervi, e conservavano tutta la ricchezza di un linguaggio immediato, mimetico rispetto alla lingua parlata, ma senza i vuoti e le debolezze che caratterizzano quest’ultima, come chi cammini sul bordo di un precipizio e dall’alto si goda il panorama. Provando a seguirlo in questi equilibrismi, il traduttore veniva colto da vertigini, le sue frasi non stavano in piedi e, dopo qualche ridicola piroetta, si schiantavano miseramente. Non restava quindi che tradirlo (non fosse stato altro che per invidia!) ingabbiandone lo stile ‘nella prigione del linguaggio normale’, come avrebbe detto Ortega Y Gasset”. A noi comuni mortali che non possiamo permetterci di leggere Eça de Queirós in originale sfugge dunque qualcosa – come sempre quando si legge un testo tradotto – ma quel qualcosa è in questo caso molto importante, perché sembra attenere all’essenza stessa del realismo dell’autore, supportato da uno stile di scrittura coerente, immediato, che però non possiamo cogliere appieno, se non nei suoi tratti generali di oggettività. La diversità stilistica de Il Conte di Abranhos, che rappresenta una notevole eccezione a quanto detto sopra, deriva dall’espediente narrativo adottato dall’autore. Nella finzione letteraria infatti la biografia del protagonista, Alípio Severo Abranhos, è scritta, poco dopo la sua morte, dal suo segretario particolare, Z. Zagalo, al fine di edificare un degno monumento morale al grande personaggio, che egli presenta, nella lettera all’inconsolabile vedova che apre il romanzo, come ”Oratore, Giornalista, Statista, Legislatore, Filosofo”. La biografia che il segretario scrive intende essere una vera e propria agiografia del Conte, ed è redatta in uno stile che mescola felicemente il burocratese amministrativo alla più tronfia retorica trombonesca. Così, anche in questo caso ci troviamo di fronte ad un linguaggio realista, sia pur quasi contrapposto a quello degli altri romanzi e racconti dell’autore: lo stile di scrittura è esattamente quello che ci si potrebbe aspettare da un cliens servile, fortemente conservatore, bigotto e un po’ idiota che celebra le gesta del suo dominus. L’abilità di Eça de Queirós sta tutta nell’impiegare un tale linguaggio per far emergere il vero carattere di Alípio, fatto di ignoranza, meschinità, cialtroneria, codardia, arroganza, opportunismo e trasformismo politico. Tutto il romanzo è di fatto una grande antifrasi involontaria, pervasa di una ironia che raggiunge appieno l’obiettivo satirico che si propone. Attraverso la figura di Alípio Abranhos l’autore offre infatti al lettore una panoramica dello sconfortante panorama politico portoghese del tempo, da lui – pervaso di liberalismo democratico e attento ai sommovimenti sociali europei – considerato fortemente arretrato e uno degli ostacoli principali allo sviluppo sociale del Paese. Il Portogallo era all’epoca una monarchia costituzionale, dotata di una Carta estremamente moderata. Nella prima metà del secolo lo scontro tra conservatori e liberali assunse tinte violente: vi furono rivolte e pronunciamenti, con la monarchia sempre schierata in appoggio alle istanze conservatrici. Dopo una vera e propria guerra civile scoppiata nel 1846, la monarchia parlamentare entrò in una fase di maggiore stabilità, anche se non mancarono ancora turbolenze, adagiandosi su un sistema oligarchico, espressione della grande borghesia, che vedeva i due principali partiti, il rigenerazionista (di centrodestra) e lo storico (poi progressista, di centrosinistra) alternarsi al governo; in caso di crisi importanti, i due partiti governavano insieme. Il sistema, chiamato in Portoghese rotativismo, raggiunse la sua piena stabilità durante il lungo regno di D. Luís I, in particolare proprio nella seconda metà degli anni ‘70, andando in crisi solo alla fine del secolo, con l’ascesa delle istanze repubblicane e socialiste, che avrebbero portato all’instaurazione della repubblica. Durante questo periodo furono varate timide riforme economiche e sociali, il che non impedì al Portogallo di rimanere un paese fortemente arretrato, con una economia agricola basata sul latifondo, una povertà diffusa, una industria fragile e problemi finanziari aggravati dalla perdita della ricca colonia brasiliana. La stabilità garantita dal rotativismo, che ha come conseguenza lo stallo del paese, è presa di mira esplicitamente da Eça de Queirós, naturalmente avvalendosi dell’antifrastica prosa di Zagalo, che depreca i sommovimenti in atto in tutta Europa per concludere così: ”In Portogallo, in quest’epoca, non vedo accadere nulla, ove si eccettui che il Primo Ministro Cardoso Torres ha appena finito di dichiarare che il suo programma sarà: Ordine, Moralità ed Economia. È dunque in questa serena e quieta unità che Alípio Abranhos si affaccia sulla soglia della Vita Pubblica”. Basi fondanti il rotativismo erano la condivisione sostanziale della visione economica e sociale nei due partiti, entrambi espressione dell’alta borghesia, e la spartizione del potere. Eça de Queirós esplicita tutto ciò in un passo nel quale Zagalo difende in questi termini Alípio Abranhos, ormai deputato, passato disinvoltamente dalla maggioranza all’opposizione, avendo fiutato la prossima caduta del governo, dall’accusa di tradimento politico: “Più volte questo grande gesto politico è stato definito ‘un indecente tradimento’. Nulla di più assurdo. Ora io domando: cos’è tradire? È abbandonare gli ideali che si sono serviti e passare, senza motivo, al servizio di ideali opposti fino ad allora combattuti! Questo è moralmente, materialmente, un tradimento. Ma i Riformatori e i Nazionali [nel romanzo i nomi dei due partiti, N.d.R.] avevano ideali opposti? Alípio aveva forse abbandonato idee care ed era andato, per interessi materiali, a sostenere idee detestate? No. Le idee che serviva tra i Riformatori le avrebbe servite tra i Nazionali”. Ma Eça de Queirós non lancia i suoi strali solo sull’immobilismo politico e sociale del suo paese: altri suoi bersagli sono la stampa e la cultura ufficiale. Nel romanzo molte sono le testate giornalistiche citate, alcune veramente esistenti altre inventate dall’autore. In generale la stampa è descritta come strumento asservito al potere, pronta a cambiare opinione a seconda dell’ammontare dei contributi governativi e della convenienza del momento, esattamente come Alípio Abranhos, che significativamente inizia la sua ascesa come giornalista. Cito a mo’ di esempio a questo proposito il passo in cui, in occasione dell’incarico di formare il governo dato dal re all’esponente di uno dei due partiti, il principale giornale che lo sostiene elogia il sovrano come grande statista, paragonandolo a Tito, a San Luigi e alla Regina Vittoria, mentre il foglio dell’opposizione minaccia per lui la sorte di Luigi XVI e Carlo I, esattamente come era accaduto, a parti invertite, alcuni mesi prima, quando l’incarico era stato dato all’altro partito. Zagalo qua e là cosparge la sua agiografia di sublimi versi degli immortali aedi che hanno cantato i più teneri sentimenti e le più salde virtù del popolo lusitano, il che contribuisce a rendere sublime la retorica con la quale si esprime. Dietro ciascuna di queste citazioni c’è un bersaglio preciso, che probabilmente i lettori dell’epoca avrebbero potuto facilmente identificare, e che corrisponde ad alcuni dei tanti poeti di basso livello che godevano di una stima ufficiale meritata proprio dal fatto che i loro versi si astraevano totalmente dalla realtà, fungendo da mediocre strumento di evasione tardoromantico. Anche la chiesa cattolica, uno dei pilastri del potere dell’epoca, e la religiosità bigotta e ipocrita delle classi dirigenti portoghesi non escono indenni dalla pungente satira dell’autore. Alcuni degli episodi più gustosi del romanzo riguardano il matrimonio di Alípio con Virgínia Amado, figlia di un giudice, matrimonio che oltre a garantirgli una buona dote gli può aprire le porte della società di Lisbona. Nella serata in cui si presenta alla famiglia, Alípio rischia di rovinare tutto recitando l’unica poesia che conosce, che però è un po’ troppo ardita per la bigotta madre di Virgínia. Accortosi che qualcosa non va, Alípio salta le due strofe più licenziose, ma ciò non basta per evitargli il probabile ostracismo. Si rivolge allora a Padre Augusto, consigliere spirituale della famiglia e uomo di lettere, perché interceda: dopotutto si trattava dell’opera di un poeta molto conosciuto ed acclamato. Padre Augusto intercede, ma solo dopo essersi fatto recitare in privato le due strofe incriminate. Come detto, Il Conte di Abranhos è un romanzo incompiuto, che termina quando Alípio è appena divenuto ministro. Non conosceremo mai gli ulteriori successi politici cui andò incontro, come fu che si risposò con D. Catarina e per quale causa morì a soli 53 anni. Come spesso capita, però, i libri incompiuti sono già perfetti così, e questo romanzo ci consegna sicuramente una figura di primo piano tra i personaggi letterari dell’800 europeo e il ritratto di un paese politicamente, socialmente ed economicamente arretrato, le cui tare sarebbero sfociate pochi decenni dopo nella lunga dittatura salazarista. Possiamo però consolarci pensando a come queste situazioni siano diverse da quelle dell’Italia in cui viviamo, in cui una solida democrazia, fondata sulla Costituzione nata dalla Resistenza e scrupolosamente rispettata da tutte le istituzioni, a partire dalla Presidenza della Repubblica, ed ormai pienamente attuata in concreto nei suoi dettami, garantisce davvero a tutti l’accesso ai diritti sociali e politici, tanto che le elezioni sono un avvenimento sempre più sentito e partecipato; dove i partiti, espressione delle grandi correnti culturali del paese, si differenziano nettamente quanto all’idea di società cui tendono; dove il Parlamento è davvero l’anima pulsante del Paese, il centro decisionale dove grazie ad un’aspra dialettica sempre culturalmente elevata l’iniziativa legislativa giunge alla sua sintesi; dove la stampa è libera, senza padroni, e funge davvero da cane da guardia del potere, soprattutto nei confronti dei grandi poteri internazionali che volessero condizionare la sovranità sancita costituzionalmente; dove non esistono personaggi politici come Alípio Abranhos, arrampicatore trasformista che vede nella politica un modo per accrescere il potere suo e degli amici, ma solo politici di alta moralità e solidi principi, che vivono la politica come servizio. Vero?
Eça de Queirós repite con "El conde de Abraños" (1925) la fórmula que tan buen resultado le había dado casi cuarenta años antes con "La reliquia" (1888). Para ridiculizar la hipocresía y pequeñez de los políticos conservadores portugueses, se inventa a uno de ellos (el conde de Abraños) y escribe, como si fuera su devoto secretario, una ditirámbica biografía en la que repasa los principales episodios de su vida imaginada. El biógrafo se esfuerza por ensalzar las acciones de su patrón y hacerlas pasar como nobles, sin poder evitar que se lean como lo que en realidad son: sucias trapacerías y mezquindades. Eça de Queirós realiza un ejercicio de ironía tan fino que a veces parece que se va a romper. Pero aguanta, firme y sutil como un hilo de seda, durante toda la novela. El resultado, magistral, es una obra divertidísima sin carcajadas y demoledora sin palabras gruesas.
Y con Renacimiento, que es la editorial que publica la edición que he leído (a partir de una traducción de Wenceslao Fernández-Flórez) ya no sé qué hacer. De esta editorial me encandila su audacia y me descorazona su dejadez. Salimos a dos y hasta tres erratas por página. Algunas acaban creando obras casi surrealistas, como una especie de cadáveres exquisitos tipográficos, y leemos "Es, sin embargo, notorio queso padre" cuando, en realidad, debería decir "Es, sin embargo, notorio que su padre" (p. 25). Pues eso, su padre.
ENG: A short but dense book that portrays the life and political rise of Alípio Abranhos, told by his faithful secretary, Zagalo.
The best part of the book was, without a doubt, seeing how much Zagalo admires and venerates the Count, considering him a genius, who doesn't and can't make mistakes! What happens, however, is the opposite - Alípio is a man, and in his case, he is little concerned with details, choosing instead to follow a generalist policy. It is a man's facade, who appears to be one thing and is something totally different: he is a selfish, ignorant person, who is only concerned with achieving political success, even if he does not deserve it and has no merit for it. Zagalinho doesn't see that, of course, because his master is a perfect being!
Eça's irony is present throughout the work, with all the exaggerations of the Count's virtues and the implicit and perceptible criticism made to the society of the time, and it is the best.
The first part of the narrative, which deals with Alípio's childhood and youth, is hilarious! Seeing the Count's path, his attempts to rise in society and the way he does it, with all the mistakes and successes, was very pleasant. The second part, however, is a little more boring, with a complex political web that made me sigh with confusion and annoyance.
All in all, it is a brilliant satire of the man and society from the time, which applies perfectly to society today.
PT: Um livro curto, porém denso, que retrata a vida e ascensão política de Alípio Abranhos, contada pelo seu fiel secretário, Zagalo.
A melhor parte da obra foi, sem dúvida, ver o quanto o Zagalo admira e venera o Conde, considerando-o um génio, que não erra nem pode errar! O que sucede é, no entanto, o contrário - Alípio é um homem, e no seu caso, um que pouco se preocupa com detalhes, optando antes por seguir por uma política generalista. É uma fachada de homem, que aparenta ser uma coisa e é algo totalmente diferente: é uma pessoa egoísta, ignorante, que apenas se preocupa em alcançar o sucesso político, mesmo não o merecendo e não tendo mérito para tal. O Zagalinho não vê isso, pois claro, pois o seu mestre é um ser perfeito!
A ironia de Eça está presente em toda a obra, com todos os exageros das virtudes do Conde e a crítica implícita e percetível feita à sociedade da época, e é do melhor.
A primeira parte da narrativa, que trata da infância e juventudo de Alípio, é hilariante! Ver o percurso do Conde, as suas tentativas de subir na sociedade e o modo como o faz, com todos os erros e sucessos, foi muito prazeroso. A segunda parte, porém, é um pouco mais aborrecida, com uma teia política complexa que me fez suspirar de confusão e aborrecimento.
Tudo considerado, é uma sátira brilhante ao homem e à sociedade da época, que se aplica perfeitamente à sociedade dos nossos dias.
If you like Nabokov's narrators--clueless, smug, and unaware of their own absurdity--this is a really a novel for you. It tells the biographical story of the Count of Arbanhos written by his supporter Z. Zagalo. Is Zagalo so foolish as to believe the warm characterization of this biographical sketch? We'll never know. But he always gives the count credit and the benefit of the doubt, even when he shouldn't. For example, "On account of these considerations--which [the count] weighed conscientiously before indulging in libidinous acts with the leather worker's wife--he decided that he could, without jeopardizing social order and without prejudicing his career, allow himself this clandestine pleasure." The reader certainly understands that Alipio is a cheat, an opportunist, an ignoramus, and a habitual liar. But does the narrator? The portrait that appears from the anecdotes of a declining empire's corrupt and opportunistic governing class but told in an ironic and sometimes hilarious way. Some of the scenes fumbled and are a bit antiquated for me, but others were knee-slappers that I read aloud to friends. There are obvious parallels with our own corruption and decline, but Zagolo's story is full of intrigue and double-dealing. He also establishes his own voice and digressive opinions. When disrespected by a judge he tells us tangentially, "Only that obese carcass dared to treat me like a lackey!" What struck me was how contemporary the novel seemed, even when set in 19th century Portugal. There's all the shady double-speak of a cable news segment: "By emphasizing these facts, I do not wish in any way at all to insinuate that in the political press there is a lack of sincerity, logic, or dignity. I only wish to highlight the pernicious influence of ambition and passion in cultured spirits." While it is uneven in parts, the first-person narration allows many passages to soar. Like Queiros's best novel, "The Relic," it possesses wonderful ironies about cultural hypocrisy, decayed politics, and the ossification of a society in fresh and vivid prose.
Humor refinado e ironia mordaz! Que bem escrito! Este livro retrata factos do séc XIX por altura da monarquia constitucional. Passados 110 anos, nada (na sua essência) mudou!
"Mau" Eça é na verdade ok. Este foi o livro do Eça que menos gostei, talvez o tema e a maneira como está escrito ajude muito a ser o "bastardo" da prateleira Eça de Queiroz (sim ela existe). Mas a verdade é que lá para as últimas 50 páginas até comecei a gostar do que estava a ler. No entanto, isso não apaga o quão aborrecido eu achei as outras 100. O que também joga a favor deste livro é ser curtinho, porque eu não ia ler um Conde D'Abranhos com 400 páginas, isso estaria completamente fora de questão.
Una mordaz semblanza de un político de ficción ¿de ficción? en la que se muestra la mezquindad, insolvencia y egoísmo que aquejan a muchos de los profesionales de la política. Escrita por un imaginado secretario del biografiado, con un estilo elogioso, incluso remilgado, consigue el efecto justamente contrario al buscado. Al final, aparece un personaje ridículo, cobarde y apocado que, sin embargo, logra encumbrarse en las más altas jerarquías del poder. Entretenido.
Interesante novela en la que se hace una crítica a la clase política portuguesa de finales del s. XIX aunque viendo lo que retrata el autor bien podría referirse a la clase política de casi cualquier país y época. Quizás hubieras disfrutado más su lectura si hubiera conocido mejor historia de Portugal ya que en ciertos momentos el autor hace referencia a acontecimientos que desconozco.
Acabei de ler e fiquei com a sensação estranha de que, apesar de ter sido escrito há tanto tempo, descreve comportamentos que continuam demasiado familiares hoje, sobretudo na forma como expõe certas atitudes humanas e políticas. É quase desconcertante perceber o quão atual ainda soa.
A ler clássicos da literatura portuguesa com amigas!
Este era um dos livros do Eça que ainda nao tinha lido. E confesso que no início nao estava mesmo a apreciar, mas quando percebi que este livro é uma crítica social e nao é para ser levado a sério, comecei a gargalhar cá por dentro (bom, excepto no episódio com a Júlia!). O narrador desta crónica é o criado do conde de Abranhos que descreve e defende a vida do seu herói (o conde, claro!). A graxa é tanta e a quantidade de adjectivos que usa para descrever o Conde de Abranhos é tao elevada que este livro seria um conto sem elas!! Isto tudo para dizer que depois de mudar a forma de ver este livro me diverti bastante!
Ecco com'è. Gli ho messo vicino la melissa p. che non è proprio nessuno (a essere generosi) e che, secondo la scheda generale, è presente qui con 56 edizioni (ad oggi). Questo è un piccolo capolavoro d'ironia e sembra che l'abbia letto solo io e d'altra parte con sole due edizioni segnalate dove mai potrà andare? Allora, almeno per riequilibrare, leggetelo. Gli ho messo anche la quarta di copertina per facilitare le cose. Se non lo trovate, ditemelo che vi faccio le fotocopie.