José de Arariboia é um artista relativamente bem-sucedido. Sua série de quadros sobre o Rio de Janeiro fez algum sucesso, e ele está prestes a montar sua primeira exposição individual. Mas tudo muda quando ele é visto subindo a favela do Pavão-Pavãozinho. Ninguém sabe o que acontece por lá. Na volta, uma inesperada performance deixa as pessoas em delírio. O que poderia ter sido uma catástrofe se transforma em sensação. Filmado pelos pedestres, o acontecimento se torna um fenômeno na internet, e Arariboia arma uma parceria com Biribó, o traficante do morro, que está disposto a ajudar o artista em uma nova e ousada ideia. Mescla de sátira feroz e crítica social, A vista particular é um livro que leva ao limite - e nos faz questionar - os absurdos do cotidiano.
Ricardo Lísias nasceu em 1975, em São Paulo. Estreou na literatura em 1999 com o romance Cobertor de estrelas, traduzido para o espanhol e o galego. Publicou as novelas Capuz e Dos nervos. Lísias também é autor de Duas praças, Anna O. e outras novelas, finalista do Prêmio Jabuti de 2008, e do romance O livro dos mandarins, vencedor da Copa Brasileira de Literatura de 2011. Publicou os livros infantis Sai da frente, vaca brava e Greve contra a guerra. Graduado em letras pela Unicamp, é mestre em Teoria Literária pela mesma universidade e doutor em Literatura Brasileira pela USP. Em 2012 foi selecionado pela revista Granta como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.
Entendo como a obra se encaixa no projeto literário do Lísias, mas achei o livro preguiçoso em relação aos demais e, também em relação aos demais, oportunista em vez de oportuno. Nem para a alegoria que o romance parece se propor a ser, o gatilho da história serve: a controversa "performance" de José de Ariraboia não tem força narrativa: é um olhar banal sobre o banal que viraliza nas redes sociais. Gosto de como o narrador abdica do uso da écfrase numa narrativa sobre as artes plásticas na contemporaneidade, de como o vazio das palavras remete a um possível esvaziamento desse discurso, mas esvaziar o discurso literário por tabela, no meio disso tudo, aí já não é pra mim. O contemporâneo é apressado. Mas não dá pra fazer dele com pressa.
LIDO PARA A DISCIPLINA "Situação das Artes Contemporâneas"
Qual a relação entre a realidade e o absurdo? O livro cutuca a todo tempo a sua memória jornalistíca enquanto desenha a história de Arariboia. Apesar de estranho, chega a ser muito confortável a aproximação com o narrador "Aqui me distanciei de novo do meu protagonista". Sabemos a direção que o texto seguirá ainda que exista um tom debochado na voz do narrador. Os absurdos que ouvimos no Brasil se refletem aqui, o que torna a obra bem atual e, ao mesmo tempo, expõe essas voltas bombásticas em relação às polêmicas, que no final serão esquecidas se não continuarem a causar fofocas rotineiras, mas tudo aqui é sutíl. Há também um diagnóstico do mundo imediato. Se há um acontecimento impactante, lá vem a Globo; Se houve viralização, então o vídeo foi reproduzido milhares de vezes no YouTube; Se há um burburinho na internet, então está no trending topics do Twitter. Porém, de novo, tudo é sutíl, está ali, é visto, e então?
Nunca prestei tanto atenção em um narrador, a ponto de colocar o enredo em si em segundo plano, quanto nessa sequência de livros do Lísias em que estou.
Este livro é excepcional. compacto, interessante, inovador e trata de temática social de forma inteligente levando o leitor a uma série de questionamentos. li em uma semana, devagar para poder aproveitar. super recomendo.
"Isso de arte mudou minha vida." - Biribó, traficante e videomaker. Surreal mas bem conectado com os delírios do Rio de Janeiro em tempos de Olimpíadas. Bem divertido, criativo e dinâmico. Acho que a personagem Donatella agregou pouco e sua história de origem ficou solta no resto do enredo.
The premise is interesting, but the execution is poor. The characters are way too stereotyped, and even though that in part should go well with the idea, it ended up being too much as it felt like a subjective vision of the author, not a proper satirical analysis. It also lacks research in the art field, everything about it is superficial. The first half of the book is bad written and it develops like a juvenile story. The second half gets better but by the time it finds a proper center and language it’s already too late, not credible enough. There are plenty of satires about the art world and social criticism through it, this one definitely is amongst the lazy ones. Don’t go for it, there are way better alternatives in this realm.
A narrativa parte da observação da realidade brasileira, com suas belezas e misérias em pleno século XXI. É ambientada no Rio de Janeiro e mais precisamente tem a comunidade do Pavão-Pavãozinho como cenário é quase -personagem. O narrador apresenta antes de cada capítulo um breve resumo do que está or vir e, por vezes, dialoga com o leitor.
A escrita do livro é direta e recheada de ironias, uma boa dose de sarcasmo e muitos questionamentos. Durante a leitura de Vista Particular, nós refletimos sobre a nossa condição de seres humanos, a nossa capacidade de sentir o que o outro sente, as (des)razões da arte e a habilidade de alguns de lucrar com a miséria e violência que o outro sofre.
Quem acompanhou os jornais nos últimos 12 meses será capaz de identificar vários episódios na narrativa e, junto ao narrador, há de se questionar sobre o que vira notícia, como vira notícia e o tudo que é feito para naturalizar a violência nossa de cada dia.
O livro é uma leitura particular de Lísias acerca do país, seus moradores, suas dores e suas ocupações.