Um convite fascinante a redescobrirmo-nos através dos desenhos e dos quadros de Paula Rego e de cinco longas entrevistas que Anabela Mota Ribeiro fez à mais internacional das artistas portuguesas.
«Com a naturalidade de quem obtém o privilégio de assistir invisível a uma conversa particular, acedemos com estas conversas ao conhecimento desse inevitável quotidiano que é o obscuro processo de trabalho da artista, a sua ambição de “fazer uma coisa que não se consegue fazer”, de pintar “aquilo que dói, magoa”, as transgressões advindas quando uma história “não sai como a história que a gente vê à partida”. Estes diálogos não iluminam “o quarto escuro” em que a artista confessa estar “desde os três anos”, mas ajudam-nos a não tropeçar em ideias feitas, a fugir das convenções de interpretação estereotipadas, a experimentar o sobressalto que a obra de Paula Rego sempre origina na nossa própria inquietação, a ver dentro de nós no escuro da sua obra.»
João Fernandes Diretor-adjunto do Museo Reina Sofía, Madrid
ANABELA MOTA RIBEIRO nasceu em Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Bastos, a 20 de Outubro de 1971. É licenciada em Filosofia e mestre em Filosofia (variante Estética) com uma tese A Flor da Melancolia e o Ímpeto Cesariano (ou a Negação e a Afirmação da Vida) nas Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Jornalista freelance, colaborou com diversos jornais e revistas, entre eles, e de forma sistemática, DNa (suplemento do Diário de Notícias) e Jornal de Negócios. Actualmente escreve para o Público. Foi autora e apresentadora de programas de televisão da RTP. Trabalhou em rádio e foi correspondente da Antena 1 em Londres entre 2007 e 2008.
"O principal no trabalho é quando nos surpreendemos a nós próprios. Não sabemos o que vai sair, tomamos um risco enorme, pode sair tudo mal. Fazemos coisas de propósito para tomar um risco ainda maior. É essa luta interna, como se fosse um jogar na roleta, é esse risco que é estimulante. Imagine que num quadro, em vez de pôr a figura no sítio onde fica bem, põe-se no sítio onde fica mal. Começa-se o quadro perversamente errado. Depois, tem de se arranjar uma maneira de acertar. Com o assunto, muitas vezes acontece o mesmo, começa-se ao contrário."
Considero a pintura da Paula Rego muito agressiva, mas curiosamente ela não o é:
Anabela Mota Ribeiro (entrevistadora): Medo do escuro, continua a ter? Paula Rego: Ai, sim, ai, sim.
AMR: Ao mesmo tempo, não tem vontade de abrir a porta e ver o que está no quarto escuro? PR: No quarto escuro é onde eu estou. E abrir a porta para ver lá para fora? Está outro escuro. Nem pensar nisso.
AMR: Desde quando está no quarto escuro? PR: Acho que desde os três anos.
"O nós não interessa, não interessa absolutamente nada. Somos um instrumento - a palavra é estúpida; mas o que interessa é o quadro, o que interessa é o trabalho. Entram coisas no trabalho que nos vêm informar do que se trata o que estamos a fazer. É só assim, fazendo, que a gente descobre o que está a fazer."
Um livro que me ajudou a conhecer um pouco mais de uma das artistas que mais admiro, e perceber que há coisas que são bem mais simples do que a nossa tentativa de interpretar a obra de alguém.
"O principal no trabalho é quando nos surpreendemos a nós próprios. Não sabemos o que vai sair, tomamos um risco enorme, pode sair tudo mal. Fazemos coisas de propósito para tomar um risco ainda maior. É essa luta interna, como se fosse um jogar na roleta, é esse risco que é estimulante. Imagine que num quadro, em vez de pôr a figura no sítio onde fica bem, põe-se no sítio onde fica mal. Começa-se o quadro perversamente errado. Depois, tem de se arranjar uma maneira de acertar. Com o assunto, muitas vezes acontece o mesmo, começa-se ao contrário."
Obrigado Paula, chamo-te apenas de Paula porque és uma amiga, uma amiga que nunca conheci na integra, apenas pelos quadros e por estes excertos que eu tanto amo. É tão bom encontrar amizades destas. Obrigado à Anabela Mota Ribeiro por ter criado um livro tão interessante e honesto, tanto na sua intenção como na apresentação dos seus resultados. Assim, sim.
Um conjunto de entrevistas soltas que revelam um pouco mais sobre a pintora portuguesa mais marcante do final do século XX. A humildade e simplicidade são uma inspiração. Paula Rego consegue desconstruir a vida na sua essência.
It’s amazing to have the chance of know a little bit of Paula Rego’s mind, her story, what led her to paint, but the book is a little bit repetitive. Recommend, though.
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às vezes a vida é sobre passar três horas no acervo do antónio costa e ler um livro que lhe foi dado pessoalmente pela Paula Rego... gosto desta senhora de facto