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Cadernos de Lanzarote #1

Cadernos de Lanzarote I

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«Este livro, que vida havendo e saúde não faltando terá continuação, é um diário.» Em 1994, tendo saído de Portugal após ter sido alvo de censura pelo governo de Cavaco Silva no episódio da candidatura de O evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Europeu de Literatura, Saramago editava o primeiro dos seus polémicos Cadernos de Lanzarote. Uma amostra: «7 de agosto: Parabéns de Jorge Amado e Zélia pelos prémios. Que outros virão, ainda maiores, acrescentam, aludindo ao que consta ter sido dito por Torrente Ballester - que um destes dias me chega aí um telefonema de Estocolmo… Se esta gente acredita realmente no que diz, por que tenho eu tanta dificuldade em acreditar?» Entre palavras, lança ideias sobre o livro no qual trabalhava de momento: Ensaio sobre a cegueira.

180 pages, Paperback

First published January 1, 1994

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About the author

José Saramago

308 books16.5k followers
José de Sousa Saramago (16 November 1922 – 18 June 2010) was a Portuguese novelist and recipient of the 1998 Nobel Prize in Literature, for his "parables sustained by imagination, compassion and irony [with which he] continually enables us once again to apprehend an elusory reality." His works, some of which have been seen as allegories, commonly present subversive perspectives on historic events, emphasizing the theopoetic. In 2003 Harold Bloom described Saramago as "the most gifted novelist alive in the world today."

https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%...

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15 (3%)
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4 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 40 reviews
Profile Image for Eylül Görmüş.
761 reviews4,849 followers
July 28, 2025
İtiraf ediyorum: Bu kitabı azıcık ağlayarak okudum, içinde ağlanacak bir şey olduğundan değil, uzun, çok uzun bir aranın ardından Saramago'nun yeni cümlelerini okuyor olmanın verdiği hazla ne yapacağımı bilemediğimden. Sevdiğim çok yazar var ama sanırım hiçbirini Saramago'yu sevdiğim kadar sevmiyorum: çünkü ben onu bir insan, bir kişi olarak da seviyorum bence. Hiç tanışmadığım amcam o benim. Canımın içi.

Başka da bir yazar için bunları söyleyemem herhalde ama ah Saramago, o kadar sahici, o kadar naif, o kadar vicdanlı, o kadar komiksin ki. Daha önce anılarını ve blogunda yazdığın yazılarını okuduğumda da böyle hissetmiştim, yine aynısı oldu.

Lanzarote Defterleri, Saramago'nun sürgün günlükleri aslında. 1992'de Portekiz hükümetinin İsa’ya Göre İncil’in Avrupa Edebiyat Ödülü kısa listesinden çıkarılmasını istemesi üzerine Saramago bunun bir “sansür” olduğunu söyleyerek Portekiz’den ayrılma kararı alıyor ve Lanzatore’ye (Kanarya Adaları) yerleşiyor. İşte orada tuttuğu günlüklerin ilk cildi bu, 15 Nisan-31 Aralık 1993 arasını kapsıyor.

Bu tarihler neden önemli? Çünkü Körlük'ün ilk cümlelerini işte tam bu aralıkta yazıyor. Kendisinin gayet gündelik notlarını da (parkelerin arasındaki derzleri tek tek boyaması gibi), edebiyatının gidişatını da (Körlük doğuyor!), dünyada vuku bulanları da (mesela Madımak oluyor ve Saramago'yu mahvediyor okuduğu haberler, bunları da günlüğüne aktarmış) okuyoruz. Yani hem mikro hem makro bir tanıklık bu günlüklerde okuduğumuz.

Bu dönem Saramago'nun şöhretinin gitgide büyüdüğü de bir dönem, dolayısıyla bir sürü ödül alıyor, konferanslara çağrılıyor, okur mektupları yağıyor, bunların bazılarına çok duygulanıyor, utangaç utangaç anlatıyor.

Büyük aşkı Pilar'ı da anlatıyor elbette. Pilar üç cümlede bir karşımıza çıkıyor ve Saramago'nun kendisine dair yazdığı en basit cümlede bile o büyük sevgi ve hayranlığı anlamamak imkansız. Nasıl güzel.

Nefis bir metin bu ve elbette ki çok komik, çünkü bence zaten Saramago hep çok müstehzidir, malzemesi kendisi olunca da bu değişmemiş.

O kadar mutlu oldum ki şunu okuduğuma, anlatamam! Dilerim diğer ciltler de bir an önce yayınlanır. Saramago'ya susamışım resmen.
Profile Image for João Mendes.
295 reviews17 followers
August 23, 2024
Saramago a falar de Vergílio. Isto é melhor do que quando a Hannah Montana apareceu no Zack e Cody:

"Digo apenas que Vergílio Ferreira, no fundo, não faz mal a ninguém. Dói-lhe e morde onde lhe dói para que lhe doa ainda mais, e isso talvez seja uma forma de grandeza."
Profile Image for Rute.
60 reviews1 follower
September 3, 2016
Contar os dias pelos dedos e encontrar a mão cheia
"Na verdade as coisas que eu digo não têm nada de extraordinário, mas tocam fundo as consciências, de um modo que me surpreende"
Profile Image for João Teixeira.
2,315 reviews45 followers
June 20, 2024
Bem... Não estava à espera de ler este livro tão depressa, mas depois de começar, não consegui parar. Apesar do facto de diários que se sabe que vão ser publicados não fazerem muito o meu género de literatura (porque podem ser um acto fútil de puro narcisismo), acabei por gostar bastante deste livro. Saramago aparece-nos sempre como um homem simples, humilde... Será falsa modéstia? Bem... Estas páginas foram escritas ao longo do ano de 1993, altura em que já se apontava o seu nome para o Nobel, mas ano ainda distante de 1998 (quando efectivamente ganhou o referido prémio).
Exceptuando isso, Saramago surge nas páginas deste livro tal como eu sempre o imaginei. Mordaz nas suas críticas, denota-se ali uma certa amargura para a classe política de princípio dos anos 90 em Portugal (o que é compreensível) mas também muita doçura para quem sabe respeitar a sua obra.

Fiquei igualmente encantado com as descrições de encontros com personagens que vivem e fazem a nossa cultura colectiva. Nestas páginas, Saramago troca correspondência com Jorge Amado, almoça com Gabríel García Márquez, cruza-se com Chico Buarque no comboio de Lisboa para o Porto, recebe um abraço de Sérgio Godinho, janta com Paula Rêgo, dá uma conferência com Gonzalo Torrente Ballester, troca uma ou outra palavra com Maria João Pires, Antonio Tabucchi, Salman Rushdie, entre outros... Isto sim, é pertencer e movimentar-se na elite cultural mundial. Por muito que ele não o quisesse, Saramago pertencia a ela.
Profile Image for André Filipe.
109 reviews1 follower
October 13, 2020
5 estrelas não se dão de espírito leve.
Cadernos de Lanzarote Vol.1 foi uma leitura em que entrei sem expectativas e de lá saí com poucochinho fôlego.
Tem O humor e desenvoltura de raciocínio que tanto nos fascina em Saramago, mas aqui externados no modo fluído de um diário.
Tão interessante ]e intrometido??[ que é ouvir ]sim, ele está a falar só para nós[ de Saramago o quão constantes e fastidiosas são as questões a que é sujeito sobre o que pensa sobre religião, os porquês e não-porquês dos temas que escolhe para os livros, e tão delicioso que é estar por dentro das suas réplicas.
Surpreendeu-me também a constante referência a prémios e distinções, que honestamente não esperava que autores de renome dessem tanta importância.
Quando me embrenho nos livros de Saramago esbarro-me com este pensamento:
que escrever não será o mais difícil; já pensar, dá trabalho.
Sumariamente, este livro é do caneco.
Profile Image for Andreia.
118 reviews26 followers
June 26, 2024
Foi precisamente durante uma viagem a Lanzarote que comecei a leitura destes cadernos de Saramago. Depois de conhecer a casa do Nobel português naquela ilha, mergulhei nos diários e no pensamento do escritor. Oscilei entre a admiração, a contemplação e algumas gargalhadas. Que livro fantástico e que honra foi ter acesso às divgações de um génio, às suas considerações sobre Portugal dos anos 90 ou sobre a terra que adotou como sua.
Profile Image for Pedro Pacheco.
132 reviews22 followers
July 28, 2025
O Saramago é absolutamente hilariante e acho que nunca me vou fartar de ler a escrita dele. Desde episódios em que descreve encontros com outros gigantes da literatura (Jorge Luis Borges, Gabriel García Marquéz, Salman Rushdie, etc.) e não só (Maria João Pires, Paula Rêgo, etc.) a entradas absolutamente banais sobre o cão vadio que apareceu em casa em Lanzarote passando por um dia em que Saramago descobre os jogo de Solitário do computador e passa o dia a jogar em vez de escrever, este "diário" (que previamente já se sabia que seria publicado) é fascinante.

Saramago apresenta-se aqui como se apresenta em todos os seus livros, que quase sempre contêm interjeições por parte do autor que quebra a 4a parede para falar diretamente com o leitor: ácido, mordaz, cómico, cínico mas ainda assim humilde e preocupado com os direitos humanos, os movimentos políticos, as opiniões dos leitores e dos críticos, etc.

Assumidamente comunista, é interessante ver o mundo de 1994 da perspetiva de Saramago, com questões fortes quanto ao projeto Europeu, zangado com a situação política de Portugal na altura (liderado por Cavaco Silva, enfim), preocupado com os mesmos problemas que ainda hoje nos rodeiam (a questão da Palestina, por exemplo). Por outro lado, para quem é familiarizado com a obra dele, é também fascinante vê-lo a falar sobre os seus próprios livros (grande parte deste diário fala sobre O Evangelho Segundo Jesus Cristo que levou à sua auto-exilação e gero grande controvérsia na altura mas que ainda assim foi um sucesso um pouco por todo o mundo e ele passa grande parte do ano a viajar para conferências de imprensa, a encontrar-se com tradutores, a ir a feiras de livro e outros eventos, etc.). Temos ainda direito a ver o início do que seria um dos seus livros mais conhecidos, o Ensaio Sobre a Cegueira.

No geral, recomendo vivamente para quem é fã do autor. Certo que é preciso ler o diário com a perspetiva de que, mais uma vez, já se sabia que seria publicado, mas o próprio Saramago reconhece isso ao longo do livro, pelo que adiciona uma camada extra na interpretação do texto.

Sinto que vou continuar a ler Saramago para o resto da minha vida.
Profile Image for Pollo.
771 reviews78 followers
April 30, 2019
Saramago es tan grande, que incluso aunque parte del libro sea un poco monótono, es conmovedor poder ingresar a la intimidad del portugués, al relato de como va construyendo poco a poco esa obra maestra titulada Ensayo sobre la ceguera o a la relación con sus mascotas. Algo curioso es que la escritura de su diario es similar, por momentos a la de su narrativa, con esa prosa elegante y firme, de ingeniosa ironía incluso para describir la rutina de un escritor de finales del siglo XX, la que (a pesar que miles suspiran por vivirla) es tremendamente aburrida: una serie interminable de conferencias, viajes, presentaciones, entrevistas etc. etc. que hacen que recorrer el mundo resulte un compromiso insulso y desabrido. Saramago es lo contrario: su compromiso por el mundo es profundo y divertido.

PD: Me decepcionó un poco las constantes referencias a lo que dijeron de él otras personas, no pensé que tuviera este resentimiento y tanta inseguridad sobre sus propios méritos, a pesar que para esa época era bastante famoso. Le da duro a Tabucchi y a Vargas Llosa y elogia a varios autores que desconozco.
Profile Image for Ana Rita Silva.
267 reviews27 followers
May 19, 2022
um dos meus objetivos, no que diz respeito à leitura, é ler toda a obra de Saramago. fiz uma pausa nos romances e dediquei-me ao primeiro volume dos seus “cadernos de Lanzarote”. sendo Saramago, obviamente que não desiludiu. o que desilude é a constatação óbvia do tratamento injusto que Portugal lhe ofereceu.

deixo-vos uma das minhas passagens preferidas:
“A memória é também uma estátua de argila. O vento passa e leva-lhe, pouco a pouco, partículas, grãos, cristais. A chuva amolece as feições, faz descair os membros, reduz o pescoço. Em cada minuto, o que era deixou de ser, e da estátua não restaria mais do que um vulto informe, uma pasta primária, se também em cada minuto não fôssemos restaurando, de memória, a memória. (…) Mais ainda: pergunto-me que inquietas-te memória é a que as vezes me toma de ser eu a memória que tem hoje alguém que já fui, como se ao presente fosse finalmente possível ser memória de alguém que tivesse sido.”
12 reviews
December 27, 2023
Relatos do quotidiano. Vale a pena pelas passagens sobre pequenas descobertas de Saramago. A chegada de Camões - o primeiro cão, o deslindar do Solitaire, a gabardine perdida e, claro, Pilar.
Profile Image for ana beatriz.
107 reviews27 followers
June 17, 2019
"[que] não sei se a vida merece que a amem profundamente, que acredito mais que é o amor por nós próprios que nos faz amá-la, principalmente se uma outra vida (alguém a quem amemos e que nos ame) nos for ajudando a encontrar para a existência um sentido suficiente."
Profile Image for Inês Antunes.
19 reviews1 follower
August 15, 2023
Lido em Lanzarote, em Junho de 2023.

""Se caio e aqui me mato, acabou-se, não farei mais livros." Não liguei ao aviso. A única coisa realmente importante que tinha para fazer naquele momento, era chegar lá acima." (p. 33)

"Regresso a Lanzarote. Faz hoje sete anos que conheci Pilar. Entro em casa com alegria." (p. 57)

"O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir diretamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que estale de felicidade. Que mais resta, então, senão chorar?" (pp. 83 e 84)
Profile Image for maciel.
152 reviews41 followers
Read
January 5, 2023
"Respondi-lhe que não sei se a vida merece que a amem profundamente, que acredito mais que é o amor por nós próprios que nos faz amá-la, principalmente se uma outra vida (alguém a quem amemos e que nos ame) nos for ajudando a encontrar para a existência um sentido suficiente"

começar o ano com saramago sabe bem.
Profile Image for Madalena.
195 reviews5 followers
June 15, 2022
É um prazer ler a realidade quotidiana de Saramago.
Profile Image for Helena | Lés-a-Ler.
92 reviews11 followers
February 10, 2023
Nunca será fácil escrever sobre Saramago. O primeiro volume dos Cadernos de Lanzarote surge, em 1994, após a retirada do autor de Portugal no seguimento da censura do governo de Cavaco Silva no episódio da candidatura de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” ao Prémio Europeu de Literatura.
Não é fácil pegar em Saramago sem criar expectativas, mas a verdade é que nunca sabemos bem o que vamos encontrar. Num registo diferente do das obras que até agora li, este diário foi de encontro a tudo aquilo que me faltava. Embora, do ponto de vista lógico, esta possa ser uma visão completamente enviesada, perceber o contexto da vida do autor e acompanhar os seus dias ajuda a preencher o espaço da pessoa que foi Saramago. Acompanhar as suas opiniões, as pequenas grandes quezílias, os seus diálogos (internos e externos) e até um pouco do seu processo de escrita permitiu-me começar a colar as peças da história por trás das histórias.
Para além de tudo isto, o que fica comigo é a vontade de frequentar aquele tempo, aqueles espaços. Ao longo do livro, Saramago troca correspondência com Jorge Amado, almoça com Gabriel García Márquez, cruza-se com Chico Buarque no comboio, janta com Paula Rêgo, entre tantos outros.
Ao ler as entradas relativas a uma deslocação a Manchester, dei por mim a virar as páginas na esperança de me ter cruzado com ele no espaço, embora a diferença de 28 anos nunca permitisse que o fizesse no tempo. Talvez tenha de lá voltar. Ou talvez não, porque Saramago também não se deixou convencer por aquele encanto frio.


“Escrever um diário é como olhar-se num espelho de confiança, adestrado a transformar em beleza a simples boa aparência ou, no pior dos casos, a tornar suportável a máxima fealdade. Ninguém escreve um diário para dizer quem é. Por outras palavras, um diário é um romance com uma só personagem. Por outras palavras ainda, e finais, a questão central sempre suscitada por este tipo de escritos é, assim creio, a da sinceridade.”
Profile Image for Plano Nacional de Leitura 2027.
345 reviews554 followers
Read
May 27, 2020
Editado postumamente, vinte anos depois da sua redacção, este volume acabou, pelas próprias palavras de Saramago «por não ver a luz do dia» [...] porque o autor «enredado de súbito em mil obrigações e compromissos, todos urgentes, todos imperativos, todos inadiáveis, perd[eu] o ânimo para rever e corrigir as duzentas páginas que tinham acolhido as ideias, os factos, e também as emoções em que o ano de 1998 [o ] beneficiou e uma ou outra vez [o] agrediu.». Aqui se encontram pensamentos, reflexões, registos diários, com pequenas perplexidades do quotidiano a pontuá-los, artigos, cartas e conferências que pontuaram o ano 1998, ano, aliás, em que Saramago venceu o Prémio Nobel ( o livro inclui o discurso lido na Academia Sueca) e dois dias de 1999, a que se acrescenta três conferências e um último texto, posteriormente publicado em «Pequenas Memórias». O texto relativo ao dia da notícia da atribuição do Nobel, 8 de Outubro de 1998, é lacónico, mas paradigmático: «Aeroporto de Frankfurt. Prémio Nobel. A hospedeira. Teresa Cruz.Entrevistas.»
ISBN:
978-972-0-04831-8 ( v. 1 )

CDU:
821.134.3-94

Livro recomendado PNL2027 - 2019 2.º Sem. - Literatura - dos 15-18 anos - maiores 18 anos - Mediana
Profile Image for Victor Hernández A..
181 reviews1 follower
October 4, 2025
Hace menos de dos semanas me acerqué por primera vez a Saramago. No fue un paso planeado ni un encuentro buscado, sino una provocación: una publicación que me pareció injusta me puso frente al reto de leer Ensayo sobre la ceguera. Lo hice con la intención de construir un punto de vista sólido e informado, de no quedarme en la ignorancia. La reseña que publiqué después desató una avalancha de comentarios en distintos foros. Fue en ese remolino de voces donde descubrí la existencia de estos cuadernos y sentí la necesidad de leerlos.

Debo confesar que ha sido sumamente difícil dar forma a este texto. No estoy acostumbrado a autores con un acervo, una potencia y una soltura que desarman los puntos de apoyo habituales. Con otros escritores tengo más ensayado el abordaje: hay caminos trillados, lugares comunes fáciles de recorrer. Pero Saramago es un unicornio en medio de todo esto, y enfrentarme a él me ha resultado complejo, no solo por la densidad de su pensamiento, sino porque empatizo mucho con sus procesos mentales, con sus evoluciones y con sus juicios personales. Esa empatía me ha confrontado de una manera abrumadora: no encontraba el modelo, el estilo ni la forma de escribir sobre este primer tomo.

Finalmente, en el esfuerzo por hacerlo, he reconocido los puntos medulares que lo sostienen: su honestidad, sus dudas, sus contradicciones, su orgullo, su agotamiento y, sobre todo, su transparencia. Este reconocimiento me lleva también a entender que la batuta está muy alta. Un texto trivial o trillado solo desmerecería el carácter de estos cuadernos, y caería justamente en lo que más incomodaba al propio autor: repetir hasta el cansancio las mismas afirmaciones y preguntas.

En estas páginas, Saramago nos ofrece un ejercicio de honestidad. No se trata de una confesión ingenua, sino de una autoexigencia: escribir sin adornos, enfrentarse a sí mismo incluso en la incomodidad. En lugar de ocultar dudas, bloqueos o contradicciones, las deja registradas como parte de su proceso. Es como si hubiera decidido desnudar el taller del escritor y compartir con nosotros no solo la obra terminada, sino los tanteos, las caídas y las dudas que la preceden.

Uno de los tesoros de este diario es acompañar la gestación de Ensayo sobre la ceguera. Saramago admite que muchas veces no sabe a dónde va, que la idea central puede ser apenas un marco retórico que luego se transforma. Esa confesión de vulnerabilidad revela que incluso un escritor consagrado no tiene certezas absolutas; lo guía la intuición, la corrección y la apertura a lo inesperado. Para el lector, es un privilegio ver cómo una novela mayor nace en medio de la duda.

Otro rasgo singular es el uso de transcripciones: cartas, testimonios, pasajes. No son meros adornos, sino soportes para transparentar sus críticas y mostrar de dónde provienen. Sirven como contrapunto, como prueba, como invitación a pensar junto a él. Sí, hay manipulación en la selección, pero es una manipulación consciente, honesta en su pragmatismo. El resultado es un diario que no solo narra, sino que enseña a leer la realidad con espíritu crítico.

Una de las tensiones más fuertes que atraviesan los cuadernos es la contradicción entre el escritor y la figura pública. Los viajes, los premios y las entrevistas le quitan tiempo y energía. Se siente agotado por las preguntas repetitivas, por los periodistas que no leen sus libros, por la necesidad de perfeccionar discursos que preferiría no dar. Todo esto lo drena, lo hace sentirse escritor sin escritura. Y sin embargo, no deja de responder, porque siente que se debe a sus lectores. Esa dicotomía —entre el hombre cansado y el autor responsable— lo desangra de energía, pero al mismo tiempo refuerza su compromiso con quienes lo leen.

Saramago también se expone en su orgullo. Reconoce que no siempre responde: a veces calla por fastidio, otras por dignidad, otras simplemente por defender su libertad. Pero en el diario deja constancia de que lo pensó, de que lo meditó, de que lo sintió. Así, el silencio no es vacío: es respuesta diferida. El lector entiende que el autor siempre escucha, pero elige cuándo y cómo contestar.

En contraste con la fatiga de la vida pública, la cotidianidad de Lanzarote aparece como refugio. La casa, el jardín, el viento y las rutinas sencillas se convierten en contrapeso de la fama. Allí, en lo pequeño, encuentra una grandeza que los reconocimientos no pueden darle. En ese espacio, Saramago es sereno, contemplativo, en paz con lo esencial.

Para mí, este primer tomo ha sido como agua en medio del desierto: un descubrimiento continuo, un torbellino de emociones compartidas con el autor. He sentido entusiasmo, enojo, sufrimiento, angustia, incertidumbre, hilaridad y cansancio a su lado. Y lo que más me emociona es pensar que con estos textos estoy lo más cerca de Saramago que jamás podría estar: primero por la barrera del idioma, después por la distancia geográfica y finalmente por la barrera del tiempo que nos separa en vidas distintas. Este diario se convierte, entonces, en la mejor probabilidad de ese encuentro.

He disfrutado de este primer tomo mucho más de lo que me siento cómodo de reconocer. Sé que es un autor polémico, que abre debates encendidos, pero si algo he de aprender de él es que la coherencia exige decir lo que uno piensa: este brillante escritor y personaje me fascina. Y aunque su obra me confronta y me exige, también me acompaña con una honestidad radical que, paradójicamente, reconcilia.

Leer estos cuadernos ha sido un reto y un descubrimiento.

No me queda duda de que en estas páginas Saramago entrega no solo el registro de tres años de vida, sino también la lección más íntima de su oficio: que la literatura se hace de dudas, de cansancios, de contradicciones y de pequeños refugios. Y que en medio de todo ello, la honestidad de compartir esas fragilidades es lo que nos permite, como lectores, sentirnos más cerca de él de lo que nunca hubiéramos imaginado.
Profile Image for Marta Amorim.
6 reviews3 followers
September 7, 2022
A trip around the first year of Saramago in Lazarote. Really enjoyed
Profile Image for Metin Celâl.
Author 33 books132 followers
May 21, 2025
1992 yılında Portekiz hükümetinin İsa’ya Göre İncil’in Avrupa Edebiyat Ödülü kısa listesinden çıkarılmasını istemesi üzerine, José Saramago bunun bir “sansür” olduğunu söyleyerek Portekiz’den ayrılma kararı alır ve ölene kadar yaşayacağı Lanzatore’ye (Kanarya Adaları) yerleşir. Lanzarote, Kanarya Adaları’nın en doğudaki, yani Portekiz’e en yakın üyesidir. Yaşanması zor bir coğrafyaya sahiptir. Az bitki örtüsü olan ve içme suyu kaynağı olmayan volkanik bir adadır.

José de Sousa Saramago 16 Kasım 1922 doğumludur. Yani o günlerde 70’li yaşlarındadır. Birçok eser vermiş velut bir yazardır. Lanzarote’ye de yeni eserlerinin planları ile gelmiştir. Bu sessiz sakin adada günlerini daha da verimli geçirmeyi ummaktadır. Öyle de olmuş, burada yaşadığı yıllarda 1995 ve 2005 yılları arasında, altı roman daha yayınlamış.

1993 yılında gönüllü sürgünü başladığında dostları Saramago’ya özel yapılmış bir defter hediye ederler. Bu koşullu bir hediyedir. Lanzarote’deki günlerini yazmasını yani bir günlük tutmasını istemektedirler. Saramago koşulu ve defteri kabul eder ve günlük tutmaya başlar. Bu günlüklerden de Lanzarote Defterleri adını verdiği kitapları oluşur.

Günlüklerin ilk cildi Lanzarote Defterleri 1. Kitap adıyla ve İmren Gökce Vaz de Carvalho’nun özenli çevirisiyle Kırmızı Kedi Yayınları’ndan çıktı. Bu cilt 15 Nisan – 31 Aralık 1993 tarihlerini kapsıyor. Saramago yaşarken günlüklerin beş cildi yayınlanmış. Ölümünden sonra eşi eski bir bilgisayarda altıncı cildi bulmuş ve yayınlamış.

Başlangıçta Saramago bu uzak adada gözden ve gönülden ırak gibidir. Adadaki yaşam koşullarına alışmaya çalışır, yeni evde çalışma düzeni kurar. Öyküler, romanlar tasarlar. Kaleme alır. Okuduğu kitaplar hakkında düşüncelerini günlüğüne not eder. Adada yaşayanlarla tanışır, yeni dostlar edinir, eski dostlar ziyarete gelir. Evcil hayvanlar edinir. Ama çok geçmeden başta mektuplar ve telefonlar olmak üzere dışarıda bıraktığı günlük hayat, siyasi gelişmeler ve edebiyat dünyasının dedikoduları ona ulaşmaya başlar.

Zaten hiçbir zaman siyasete uzak olmamış, dünyanın sorunlarına kulaklarını tıkamamıştır. Kendini gönüllü sürgün gibi hissetse de Lanzarote’deki günlerinde de aynı duyarlılıklarını sürdürür.

Saramago, oldukça aktif, güçlü ilişkileri olan bir yazar. Aydın kimliği çok güçlü. Lanzarote Defterleri 1. Kitap’da yaşamının ne kadar yoğun olduğunu görüyorsunuz ve yazmaya nasıl vakit ayırıyor, diye düşünmeden edemiyorsunuz. Sürekli gelen mektuplara, telefonlara, davetlere cevap vermek başlı başına bir mesele. Jüri toplantıları, sempozyumlar, toplantılar, ödül törenleri, kitap tanıtma çalışmaları, imza günleri derken aslında evde oturmaya da pek zaman kalmıyor.

İlerleyen sayfalarda dünya çapında ünlü bir yazarın günlerinin ne kadar yoğun geçtiğini kendine ve eserlerine ayıracak pek vakti olmadığını net bir şekilde görüyoruz. Portekiz’e, yöneticilerine kızgın, küskün ama Portekiz’den gelen ve kıramayacağını düşündüğü davetlere katılıyor, ülkeye ve Avrupa’ya sık sık seyahatler yapıyor. Toplantıdan toplantıya geçen günlerde ülke ülke gezip günlerce Lanzarote’ye dönemedikleri zamanlar olmuş. Çok yorucu ve boğucu bir yaşam. Yazmak bir yana kendiyle kalmak, durup düşünmek bile mümkün görünmüyor ama Saramago bunu başarıyor. Defterlere siyasi, estetik, edebi düşüncelerini de yansıtıyor. 90’ların Portekiz’i ve kendisine gelen kitaplar ya da aldığı ve jürilerine katıldığı ödüller gibi çeşitli vesilelerle kültür hayatı hakkında eleştirel düşüncelerini günlükte okuyoruz. Tüm yoğunluğuna rağmen Körleşme’yi tasarlıyor, yavaştan da olsa kaleme almaya başlıyor.

Bir eleştirmenin belirttiği gibi bu sayfalarda Saramago, Jorge Amado ile mektuplaşıyor, Gabríel García Márquez ile öğle yemeği yiyor, Lizbon’dan Porto’ya giden trende Chico Buarque ile yolları kesişiyor, Sérgio Godinho’dan kucaklaşıyor, Paula Rêgo ile akşam yemeği yiyor, Gonzalo Torrente Ballester ile bir konferans veriyor, Maria João Pires, Antonio Tabucchi, Salman Rushdie ve diğerleri ile sohbetlerde bulunuyor…

Bir yandan da “Stockholm’den bana bir telefon gelecek…” diye beklemektedir. Çünkü adı sık sık Nobel Edebiyat Ödülü adayları arasında geçmektedir. Nobel Edebiyat Ödülü de 1988’de bu adada yaşarken verilecektir.

Saramago; “Günlük yazmak, kişinin iyi görünümünü güzelliğe dönüştürmek ya da en kötü durumda, en çirkinliği katlanılabilir kılmak için eğitilmiş bir güven aynasında kendine bakmak gibidir. Kimse kim olduğunu söylemek için günlük yazmaz. Başka bir deyişle, bir günlük sadece bir karakterli bir romandır. Başka bir deyişle ve son olarak, bu tür yazıların her zaman gündeme getirdiği temel sorunun, samimiyet sorunu olduğuna inanıyorum” diye yazmış.
15 Nisan-31 Aralık 1993 tarihlerini kapsayan Lanzarote Defterleri’nin bu ilk cildinde Saramago, hem Lanzarote’de geçen günlerini aktarıyor hem de çağının tanığı ve toplumsal sorumluluklarının bilincinde muhalif bir yazar/aydın olarak dünyada yaşananları değerlendiriyor.
Profile Image for Simão.
7 reviews
September 20, 2023
"...porque o mundo é vasto de mais para andarmos cá a contar sempre as mesmas histórias"

"Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus."

"...Porque a pátria, Brasil, Portugal, qualquer, é só de alguns, nunca de todos, e os povos servem os donos dela crendo que a servem a ela. No longo e sempre acrescentado rol das alienações, esta é, provavelmente, a maior"

Honestamente, não quero saber das pátrias, mas acho que a mensagem geral aqui também se pode aplicar de maneira não patriótica.

" A Europa, estimulada a viver na irresponsabilidade, é um comboio disparado, sem freios, onde uns passageiros se divertem e os restantes sonham com isso"

Outra vez, não quero saber da Europa, mas pode aplicar-se a vários locais e situações.

"Respondi-lhe que não sei se a vida merece que a amem profundamente, acredito que é o amor por nós próprios que faz amá-la, principalmente se uma outra vida ( alguém a quem amemos e que nos ame) nos for ajudando a encontrar para a existência um sentido suficiente."

"Se o caos pode tornar-se mais caótico ainda, este o foi e nisso se tornou"

"Não é pequena contradição ser dotado de tão pouco sentimento familiar e ter tanta necessidade de uma família. Isto sei eu que não tem remédio. Dir-se-á que tenho a Pilar, mas a Pilar não é família, é Pilar. Só por ela não me sinto num deserto"

Livro diário, ou diário livro, de Saramago. Apesar da falta de contexto em alguns assuntos abordados aqui, mas que com alguma pesquisa se acham, é fantástico. O autor consegue escrever prosa de maneira tão elegante num diário, como se fosse um romance.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Lulu's Life.
178 reviews22 followers
June 1, 2025
can’im saramago’m. canim cumlelerin. pilar’a duydugun guven ve sevgi. zira o pilar. kendin hakkindaki yari kendini bilen, yari hakkini esirgemekten imtina eden dusuncelerin. edinburg’a dair ettigin ve icimden ivedilikle sehre isinlanma istegi getiren muazzam cumlelerin. edebiyat sevdan ugruna senin tabirinle “yasam ya da olum”un izin verdigi sure boyunca bedeninden tasan anlatma istegin. ayni benim de kendimde hep var olduguna inandigim “tedavi edilemez iyimserlik damarin”.

bunlarin her birine minnettarim ve bana gunluklerinde bahsettigin her bir “insan sefkatinin sutuyle beslenmis” isim icin de ayrica tesekkurler. bircok yeni kapi actin dunyama yeniden…. cumlelerini okumak, sakince uzanan yesilliklere dalip dalip gitmek gibi sefkatli geliyor duygularima…

cok seviyorum sizi. 🧡
21 reviews
June 9, 2022
Um 3.5/5. Um Saramago íntimo, pessoal. Os pensamentos de alguém que se viu de repente com um Nobel na mão. Os pensamentos de alguém com preocupações políticas, cívicas e sociais inquantificáveis. Os pensamentos de alguém que se viu despatriado não porque quis, mas porque o forçaram.

Para os intrigados e admiradores do pensamento romanesco único de Saramago, é um diário (e os seus subsequentes) que vale imenso a pena ler, utilíssimo para compreender a forma de ser de Saramago e como este operou nos seus "loucos" anos de viagens, conferências, discursos, entrevistas, etc. já no último quarto da sua vida.
Profile Image for Felix.
23 reviews
June 19, 2024
Após quase 2 anos sem ler Saramago (os meus mais sinceros pedidos de desculpa ao homem que melhor dominou e domesticou a língua portuguesa), voltei, com esta, que foi, a primeira obra, em estilo de diário, escrita pelo autor, em Lanzarote, no ano de 1993.
Ja era o autor septuagenário, mas, pelos escritos nesta pouco mais de centena e meia de páginas, ninguém o diria. Sempre jovem, lúcido, tolerante e humilde. Trata-se de ouro líquido, para quem se apaixonou pelo romancista e se começa a apaixonar pelo homem.
40 reviews2 followers
February 22, 2025
Sem dúvida que é um privilégio poder ler toda a recriação do dia a dia de Saramago, ainda que possa não ter sido uma escrita espontânea, porque ele já sabia que queria publicar os "Cadernos de Lanzarote", desde o momento em que começou a manter um diário. Não obstante, poder ler que ele reuniu com Gabriel Garcia Marques ou que não se entendia com Eugénio Lisboa, é um mimo, porque são referências literárias que se cruzam num mesmo plano.
Profile Image for beatriz brito.
71 reviews4 followers
September 28, 2022
“respondi-lhe que não sei se a vida merece que a amem profundamente, que acredito mais que é o amor por nós próprios que nos faz amá-la, principalmente se uma outra vida (alguém a quem amemos e que nos ame) nos for ajudando a encontrar para a existência um sentido suficiente.”
Profile Image for Rita Pires.
82 reviews1 follower
October 7, 2018
Um diário simples escrito ao longo de 1993 onde Saramago descreve de forma simples o seu dia a dia de escrita. Despretensioso e simples.
Profile Image for Bárbara Antunes.
56 reviews15 followers
April 17, 2020
How lovely to understand some of the insights and thoughts of Saramago. Will read all 5!
Displaying 1 - 30 of 40 reviews

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