Texto oficial aprovado pelo Decreto de Aprovação da Constituição publicado no Diário da República n.º 86, I Série, de 10 de Abril de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei Constitucional n.º 1/2005, de 12 e Agosto de 2005, que aprovou a Sétima Revisão Constitucional.
Como, creio, a maioria dos portugueses, nunca tinha lido a nossa Constituição duma ponta à outra. Embora conhecesse muitos das suas normas. Mas finalmente fi-lo agora. Fiquei com a impressão que o documento estabelece bem os fundamentos dum regime democrático. E não sendo jurista acho um documento globalmente correto. Até porque tendo vivido uma parte da minha vida em ditadura, não tenho duvidas que a Democracia é o melhor (ou será o menos mau ?) de todos os regimes até hoje desenvolvidos pelo ser humano Contudo, entre outras, as minhas reservas permanecem e são resumidamente as seguintes: Advogação das Regiões Administrativas aliás nunca efetivadas (e creio que por boas razões); Destaque excessivo sobre normas relativas às comissões de moradores ; Inexistência de qualquer referência à importância dos media numa sociedade democrática; Não fixação de prazos para as apreciações nomeadamente do Tribunal de Contas; Como muitos dos meus amigos/sabem eu tenho também reservas sobre a necessidade de existência dum Tribunal Constitucional. Talvez as suas funções, aliás fundamentais, devessem ser da responsabilidade do Supremo Tribunal de Justiça. Indefinição sobre as responsabilidades do PR e da AR quanto à nomeações do Primeiro Ministro no caso do seu partido ter sido o mais votado mas não ter a maioria dos deputados na AR. Como se viu recentemente, devido a esta matéria, caímos no ridículo de o anterior PR ter de nomear um PM e este ter escolhido um Governo que se sabia não ter o apoio da AR.
Mas enfim como referi não sou um jurista e também não exerço qualquer atividade partidária pelo que esta minha simples reflexão se inserem numa afirmação de Thomas Piketty, porventura um pouco ingénua de que : "Afinal são as pessoas que decidem o que os políticos fazem" . Por outro lado e fundamentalmente a nossa Pátria tem desde há muitos séculos sido incapaz de criar a riqueza necessária para termos uma vida condigna. E não é a Constituição apesar dos seus méritos que nos leva, por si só ao caminho do progresso. Mas isso são contas de outro rosário.