Diz-se que há um português em cada canto do mundo, e os cantos mais longínquos não são excepção. Entre Julho e Setembro de 2015, o autor esteve no Japão, procurando e encontrando compatriotas por lá emigrados. Irmãos de sangue, vizinhos afastados, porém não surpreendentemente próximos. Estes são os relatos dos seus encontros, na primeira pessoa e com um estranho sentido de patriotismo desterrado.
Fiquei desapontada. As histórias sobre os portugueses a viver no Japão são bastante interessantes, mas o autor gasta uma parte substancial do livro a falar sobre os portugueses em geral (e sobre si próprio em particular), perdendo-se em frases feitas e generalizações patetas que só não me levaram ao desespero porque 1) o livro é muito pequenino e 2) como referi, o relato das experiências dos portugueses entrevistados é bastante interessante. Uma pena que estas histórias, que deveriam ser o tema central do livro, não tenham sido devidamente exploradas.
Comprei este ensaio por impulso e sem pensar muito no assunto, talvez para tentar prolongar a minha recente viagem ao Japão por mais uns dias, mesmo que figurativamente. Foram várias as vezes em que senti que o autor conseguiu descrever aquilo que pensei e senti ao longo dos quinze dias em que andei por esta terra maravilhosa, toda ela cheia de contradições. Como por exemplo:
Tudo é um paradoxo e esta terra não foge à excepção. Tal como a inovação tecnológica conhece aqui o seu expoente máximo à escala global, o Japão parece preservar as tradições como nenhuma outra nação. Tal como a esperança média de vida é altíssima, a taxa de suicídio também. Tal como ainda há casamentos arranjados pelos pais, as indústrias da prostituição e da pornografia são verdadeiros colossos. (...) Tal como o contacto com a natureza é tão importante e a fixação pela tecnologia é absoluta. Tal como a comida é tão saudável, aqui bebem saké e cerveja até terem cirroses e depressões. Tal como o minimalismo faz parte da estética e da ética, o consumismo é uma religião vivida ao ponto do fanatismo. Tal como os japoneses são baixinhos mas há os gigantes lutadores de sumo, tal como a terra expira paz mas de repente treme para mandar tudo abaixo (...) Lugares de realidade aumentada e de dualidades exacerbadas, onde os extremos mais se tocam porque mais se afastam, e tanto tudo faz sentido como não faz sentido algum.
Contudo, faço questão de reforçar várias das críticas por aqui deixadas em relação ao autor e aos seus devaneios constantes sobre o "povo português" e àquilo que, para ele, são as "qualidades lusitanas", tais como: "(...) só somos racistas quando queremos celebrar as diferenças." Uma nota infeliz e reveladora de um total desnexo com a realidade portuguesa.
Li e gostei muito de Movimentos Perpétuos na mesma coleção, um excelente trabalho jornalístico e um belo olhar sobre a emigração portuguesa do século XX. Além disso, vivo em Sydney onde também não há uma grande comunidade portuguesa, portanto tinha algumas expectativas em relação a este livro. No entanto não é mais que uma oportunidade desperdiçada. O autor está mais interessado na sua filosofia de pacotilha do que nos portugueses que tem a sorte de conhecer. Quase que não revela nada sobre os entrevistados. Em vez disso presenteia-nos com a sua filosofia de pacotilha e inanidades chauvinistas. Há muitas referências ao "espírito Luso", às qualidades do povo português, observações triviais sobre o espírito dos japoneses e o seu modo de vida, mas muito pouco sobre o que pensam os portugueses que vivem no Japão. E para alguém que admira tanto a nossa cultura, o autor bem que abusa dos anglicismos... Há muito tempo que nao lia algo de tão mau e que me enervasse tanto durante a leitura. Impressionante como é possível um editor publicar este lixo.
Foi bom ler este livro. É bom saber como vivem os Lusitanos no País do Sol Nascente. Ainda assim, e parafraseando o autor, li este livro com uma 'inveja saudável', acabando por passar longos períodos a pensar como seria se eu estivesse lá, a conhecer e a falar com portugueses. Talvez um dia... Até lá aproveitem este livro tão leve, mas tão rico e pesado de saudade.
Os testemunhos recolhidos pelo autor podiam ter sido mais explorados para devolver, ao leitor, uma visão mais aprofundada dos que emigraram para o país do sol nascente.
Li as críticas, mas aventurei-me porque adoro a cultura japonesa e o Japão. Achei-as muito duras, talvez injustas. Não. Tinham razão. Um livro cheio de banalidades, estereótipos, reflexões e frases insuportáveis. Como é possível ser este o resultado de 3 meses no Japão? Um conjunto de generalidades sobre os portugueses, frases feitas por todo o lado, com um tom de sapiência que é verdadeiramente irritante. Não acrescentou nada ao que já sabia do Japão. Apenas passei a conhecer um conjunto de achismos simplistas do autor, e umas novas frases feitas, sempre a pontuar o final do parágrafo: 'porque ser português é ser isto, e ser aquilo...' Apesar de ser dos livros mais curtos que li ultimamente, foi o que mais me custou a acabar. E só não desisti porque não faço isto nunca. Talvez mal.
Infelizmente a parte mais bem conseguida deste livro é a capa. Aquilo que prometia ser um retrato dos portugueses no Japão, acabou por ser só um conjunto de folhas em que o autor aproveitou para se enaltecer, glorificar o povo lusitano e agregar exemplos de pessoas que só estão naquele país de passagem, não compreendem a cultura ou que ficaram pelo casamento. Este 'retrato' chega a insultar consecutivamente e com uma subtileza falhada o 'país do sol nascente'. Se era para fazer uma ode a Portugal e aos Portugueses não era preciso sair da sua terra natal. É raro fazer reviews mas foi doloroso ler estas 76 páginas. Sobre o país em questão não restou nada a não ser preconceitos e tremenda falta de conhecimento. Arigato, o car*lhinho.
Sim, foi uma oportunidade perdida. Eu gosto do Portugal, e interessa-me o Japão, mas depois de ter lido este breve livro não tive a impressão de ter aprendido muito nem sobre o primeiro país nem sobre o segundo. Alguém conhece um bom livro sobre o Japão em português?
Não é tão usual ouvir falar de emigrantes portugueses no Japão. Normalmente associamos os emigrantes portugueses a países como o Luxemburgo, Bélgica, Suíça ou até Alemanha, e ouvir as histórias de portugueses a viver no Japão é fascinante. Fascinante pelos motivos que os levaram a partir e a ficar, mais mais fascinante a força que tiveram em adaptar-se a uma cultura e sociedade diferentes.
É um livro pequeno e de leitura acessível. Foi muito interessante conhecer as raízes portuguesas no Japão, mas mais ainda as diferenças culturais e sociais dos dois países.
Segundo os entrevistados, o Japão é um ótimo país para ter filhos devido ao seu elevado grau de segurança, mas muito difícil de crescer devido à pressão social que começa desde cedo. No entanto, o Japão é um país adorado por muitos e um dos lugares mais maravilhosos para conhecer. Este livro ajuda a dar umas luzes das suas maravilhas, sem esquecer a maravilha de ser português.
Não é de certeza um livro para todos, mas talvez para aqueles que tenham (ou vivam) emigrados no estrangeiro e tenham interesse no como nos adaptamos às outras culturas.
Um livro sobre o que é ser português no estrangeiro (em particular no Japão) visto de alguém que não la vive.
Interessante e curto, mas não memorável. Descrito numa maneira muito pessoal sem qualquer intuito de ensinar mas simplesmente partilhar o que o autor la viu e viveu.
Um relato interessante, profundo e muito sentido da vida de meia dúzia de portugueses no Japão. Dos que lá estão temporariamente aos que lá pretendem continuar pela vida fora. Num país e numa cultura totalmente diferente dos nossos mas a que até nós podemos habituar.
Neste relato, Luís Brito relata não só os seus encontros mas valoriza também a ideia de viagem, e de como ficamos mais ricos com ela, seja aonde for.
"Arigato, eu" é um pequeno livro que nos deixa a desejar saber mais. O conceito da sua escrita é bom, mas ao transcrevê-lo para o papel perdem-se imensas oportunidades de explorar mais tanto a cultura japonesa como até a portuguesa. É um livro simples e de fácil leitura, mas que tinha oportunidade para ser muito melhor.
Um livro feito de histórias sobre lusos que partem para o país do Sol Nascente. Ao inicio esperava saber mais sobre o Japão e sobre como, efectivamente, os portugueses se adaptam aquela cultura tão diferente da nossa. No entanto, o livro acaba por ser uma percepção das sensações do autor, na sua viagem. No ínicio do livro, dá impressão de ter o objectivo de entrevistar os portugueses e perceber a razão das suas escolhas, porém, a meio do livro escapa para uma visão mais centrada na sua experiencia, alegando mesmo o seu sentimento de culpa por não ter cumprido o objectivo de entrevistar todos os portugueses que contactou. Talvez tenha aprendido algo por lá. Aprendido a conhecer-se e a desfrutar do seu próprio caminho. A ser um "Zénio".
É um livro interessante à sua medida, no entanto, gostava que o autor tivesse falado mais da cultura Japonesa e, mais detalhadamente, sobre as vidas portuguesas que lá habitam.
Rapidamente fiquei desiludido com esta leitura. E só levei o pequeno livro até ao fim porque me iludi a achar que haveria de ficar melhor.
Esperava ler mais sobre as pessoas que o autor conheceu no Japão e não esperava a jorrada de absurdidades generalistas sobre o que o autor considera fazerem parte das identidades colectivas nacionais dos portugueses e das pessoas de outros países.
Acho que alguns comentários são claramente racistas e evidenciam o preconceito ignorante permanentemente presente do autor, dos quais destaco este: "Um moçambicano é emoção pura e pouca vontade de trabalhar mas, por outro lado, um holandês é eficaz em tudo o que faz, embora possa ser menos talentoso na arte de dar um abraço ou rir às gargalhadas."
Estas são palavras de um autor que diz acreditar que a arte de viajar salva o mundo.
Só recomendo o livro a quem quiser ver um bom exemplo de várias oportunidades perdidas.