O feminino no mundo contemporâneo dá o norte para as histórias deste livro, em que a delicadeza e a dureza buscam uma possibilidade de reconciliação. No conto XX + XY, a narradora passa em revista pelo olho mágico o pai do seu filho que acaba de nascer. É feio mesmo ela pensa, antes de abrir a porta para aquele homem desengonçado com quem topou em uma festa, depois de não conseguir nada melhor. Seu filho lhe machuca o peito na difícil amamentação, que encara na solidão do apartamento onde vive. Amamentação também está presente no conto que dá nome ao livro, A teta racional, o ordenhar-se no banheiro da agência, onde se trabalha muito, para guardar o leite que seu nenê tomará dia seguinte, na sua ausência. O delicado Sentimento no. 1403, protagonizado por um olhar de encantamento com o mundo, coexiste com o duro Roleta russa, em que a transexual portadora do vírus da AIDS é convidada para uma festa em que o sexo corre livre sem preservativo. E nessa busca pela reconciliação, vive-se o desejo ou o repúdio da maternidade, o reencontrar com a amiga de juventude, uma noite em Istambul, uma viagem com a mãe pela costa da Califórnia. Vai surgindo, então, uma nova identidade para essa mulher que age e reage a essa realidade veloz e pragmática da qual faz parte. Selecionado na Segunda Temporada de Originais da Grua, em que foram escolhidos dois entre 240 livros, “A Teta Racional” é o livro de estreia de Giovana Madalosso.
primeiro livro de contos que leio na vida em que gosto muito, muito mesmo de cada um dos textos. É impactante na medida, forte na medida e por vezes até um pouco doce. muito bom mesmo
Uma incrível coletânea de contos, todos com dois pontos em comum: o feminino como objeto central e o humor ácido como característica da escrita da autora. Giovana constrói histórias que questionam a imagem estereotipada da mulher em nossa sociedade e que fazem, sem pedir licença, o leitor refletir. São temas simples e do cotidiano apresentados de forma caricaturada, sem filtros e com uma crítica social muito bem colocada. O próprio conto cujo nome dá título ao livro, já evidencia a proposta da autora: a teta, no caso, é a da mãe, da mãe que precisa “ordenhar-se” no banheiro do trabalho, enquanto escuta reclamações do seu chefe, para poder guardar o leite que o seu filho tomará no dia seguinte, na sua ausência. Em outro conto, “Roleta-Russa”, Giovanna traz a história de uma transexual, portadora do vírus da AIDS e que, por conta disso, é convidada para festas em que o sexo corre sem proteção - uma loteria da vida. Há também a maternidade apresentada de forma crua, humana, natural, sem aquele glamour que tanto a sociedade insiste em lhe atribuir.
Com uma escrita econômica e de rápida leitura, esse é realmente um daqueles livros que te prendem e, quando você menos espera, já terminou, deixando com uma vontade de querer mais. Apesar de sempre ter aqueles contos preferidos, gostei de todos, o que não costuma ser tão comum em coletâneas. Em cada conto há uma crítica social e traz desperta uma boa reflexão. Romance de estréia de uma autora brasileira que já deixa claro o grande potencial do que ainda tem por vir! .
. "E a sete palmos, o fim, mas também o começo. O apodrecimento, lento, até os vermes comerem toda a carne, deixando só dois pares de próteses - um do peito, outro da bunda - inteirinhos dentro do caixão. Quatro saquinhos de plástico, parcelados em seis vezes sem juros. Restos de um banquete que não engole a mentira. Até o dia em que um coveiro, procurando por espaço para outros defuntos, abrir o caixão e olhar pros saquinhos e pensar: que porcaria é essa? Engraçado como a vida faz questão de humilhar a gente, mesmo depois que já se está morto.” (p. 38)
Este é o terceiro livro que leio da Giovana, o primeiro de contos – nem sei se ela tem outros – e eu simplesmente adoro a escrita dela. É rica, inteligente e nos faz criar conexão com a história. Entretanto, uma coisa não pega bem pra mim: os estereótipos.
A paraguaia e a mulher trans que ela retrata, por exemplo, são personagens de um lugar-comum que muito me incomoda, e eu senti isso quando li os outros livros dela também: são personagens não-brancos, que fogem da cisnormatividade e da heteronormatividade, mas de um jeito esperado pela sociedade. Todas as mazelas, defeitos e até suas aptidões... tudo dentro do esperado.
Em alguns momentos, inclusive, a construção da personagem é simplesmente preconceituosa, mesquinha. É uma personalidade sem personalidade.
Não quero que essa crítica pareça palestrinha descabida, espero que seja vista como uma crítica constitutiva porque vejo que a autora é muito boa, mas não dá mais pra ficar criando esse lugar pra minorias nas histórias, honestamente.
Os outros contos são bons, de toda maneira, e como já disse, gosto da escrita da autora. Espero que a próxima obra dela consiga não ferir nenhum dos direitos humanos.
Gostei muito da escrita direta, por vezes bem crua, mas ao mesmo tempo sincera e sensível. Tirando o conto "Jardim", gostei de todos os outros, alguns mais outros menos, mas todos me tocaram de alguma forma. Acho que ele conversa muito comigo, mulher, 30 e poucos anos, mas não comigo quando eu tinha 20 anos quando eu era mais sonhadora e ingênua, de certa forma. Os contos tocam em assuntos que permeiam as conversas com as minhas amigas que tem mais ou menos a minha idade, que tratam de profissão, expectativas, maternidade, relação mãe e filha, oqqaconteceunavidapraeuchegaraqui, enfim, coisas da vida sob uma perspectiva um pouco melancólica, mas com toques de ironia e grande sensibilidade. Não é um livro que acho recomendável para todo tipo de público, mas para mim foi uma leitura muito especial.
gostei muito dos contos. achei que tem potência e doçura. força e ritmo. acho que ela seria uma ótima autora de romances, pois têm fôlego para as longas histórias. super recomendo.
Começou bem achei a crônica interessante porem não gostei como sequenciou a estrutura do livro. A primeira crônica achei a mais interessante e mais emocionante.
Uma belíssima descoberta esta autora. Urbana, edgy, ritmada, despretensiosa... uma leitura que sabe sempre bem - e que às vezes deixa a pensar. Este livro de contos é uma belíssima leitura. Muito díspares e diferentes, e isso é muito bom. Gostei, continuo fã!
Fiquei muito intrigada pelo título tão original e talvez daí minha frustração quando terminei e achei meio desconexo e sem ser tão provocador quanto esperei.
Gosto de tudo que leio da Giovana, mas eu estava ansiosa pra ler esse livro. Nome poderoso, bem como os contos (são 10). A temática do feminino aparece com força e no confronta com estereótipos femininos; seu inverso, na verdade. Em seus contos a gente sente a verdade que ninguém mostra no instagram. Adoro o jeito como ela fala da maternidade, sem romantizar, mas com um sarcasmo delicioso e esse humor refinado está em todos os contos. Questões do cotidiano elevados a um outro nível de abordagem, o que nos tira do lugar comum, do esperado. Ao fim de cada conto – tenho uns 3 preferidos, mas recomendo a leitura de todos – eu me surpreendi, a respiração suspensa “Como alguém pode ser tão bom no que faz?”. O mais delicioso é que, apesar de se tratar de temas complexos e densos, a leitura é de uma fluidez fantástica. Eu não consegui desgrudar e recomendo demais essa autora tão atual.
Um feixe de histórias que quase sempre gira em torno da condição feminina na contemporaneidade particularmente no meio urbano, distanciador de gente, que é palco de toda a obra da autora. Os contos do tipo "pé na estrada" funcionam melhor, especialmente quando mergulham nas relações entre amigas próximas ou entre mãe e filha adultas. Os textos curtíssimos funcionam como vinhetas para "resetar o clima" e pouco mais que isso. Esse primeiro volume finalizado lança as temáticas e linguagens que ela exploraria nos seus romances posteriores; e pela minha percepção, é no formato de novela, 200 páginas ou mais para desenvolver enredo, que a autora se dá melhor. Vale menos como introdução à obra da Giovana Madalosso e mais como complemento para quem já curte o trabalho dela. Leitura bem rápida.
O primeiro livro de Giovana Madalosso traz diversos contos que abordam diversos aspectos das mulheres. Tem conto sobre maternidade, sobre mulher trans, sobre amizades entre mulheres, sobre relações amorosas e relações com os pais. São contos que contam suas histórias com muita sensibilidade e cuidado, diversas minúcias em poucas palavras. As histórias que mais me tocaram foi O jardim, A paraguaia e Suíte das Sobras. Recomendo muito o livro, deixem-se encantar pelas mulheres do livro.
Este livro de contos, o primeiro publicado de Giovana Madalosso, tem seus altos e baixos. Mais por não ter identificação com o tema maternidade do que pela escrita em si. Nos contos “A Paraguaia” e “Suíte das sobras” é possível já vislumbrar a Giovana de “Batida só” o último livro publicado dela. Sempre com uma mirada no fantástico que depois se vê real. É um livro de 128 boas páginas que vale a pena ler para conhecer os primeiros trabalhos da autora.
Giovana é fera. Ela nos traz as dores, as preguiças, os anseios, as incompreensões e a dureza de ser mulher, ser filha, ser mãe. Ela reconstrói em seus contos os pequenos momentos de prazer de uma mulher no meio de um cotidiano bruto que leva a maternidade à marginalidade.
Giovana é uma escritora fantástica e nestes contos ela mostra uma escrita afinada e certeira . cada conto , em especial os mais longos , levam a gente a encontrar um pedacinho de nós mesmos em cada história . ou então a entender um mundo desconhecido . é o melhor que se pode esperar de um texto
Livro de contos da Giovana. Já queria ler há um tempo. Gostei da narração não ser pretensiosa, e sim simples e informal, combinou com os narradores. Meus contos preferidos do livro: XX+XY, teta racional, sentimentos n° 01403, fim e suíte das sobras.
Esta foi a segunda vez que li "A teta racional". A narrativa de Giovana Madalosso é envolvente e os enredos, muito interessantes. Gostei ainda mais do que na primeira leitura.
começando o ano com uma satisfatória leitura. Giovanna madalosso não costuma decepcionar e confirma para mim mais uma vez que é uma grande autora contemporânea brasileira.