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Os Últimos Presos do Estado Novo
Depois de uma curta «Primavera Marcelista», o País assistiu a uma escalada da violência contra todos os portugueses que enfrentavam a ditadura. Entre 1973 e 1974, mais de 500 pessoas, pertencentes a vários movimentos políticos e oriundas de diferentes classes sociais, foram presas e violentados pela PIDE. No forte de Caxias, muitas eram sujeitas às mais sofisticadas e brutais formas de tortura, ensinadas através de um manual entregue pela CIA à polícia política portuguesa, enquanto lá fora se preparava a revolução de 25 de Abril. Depois de meses de sofrimento, os homens e mulheres detidos em Caxias enfrentaram momentos de angústia e incerteza quando souberam que houvera um golpe militar - seria um golpe da esquerda ou, tal como acontecera no Chile, da direita mais radical? Atrás das grades, os prisioneiros enfrentaram essa dúvida durante horas a fio. Sofrendo até ao fim, os últimos presos políticos do Estado Novo só conheceram a liberdade na madrugada de 27 de Abril de 1974 - dois dias depois da revolução que pôs termo a 48 anos de ditadura.
115 pages, Kindle Edition
First published April 12, 2013
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Community Reviews
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
April 7, 2024
Até deu aflição. No entanto, adorei ❤️
October 23, 2014
Perante atrocidades, muita gente se pergunta: como é possível que haja pessoas capazes de fazer tal aos seus semelhantes? Podemos apelidá-los de humanos?
E eu pergunto: quantos de nós estariam dispostos a cometer atrocidades, se tais atos fossem aceites e legitimados pela lei e ainda nos pagassem (e bem) para fazermos isso?
Muitos mais do que imaginamos!
Às vezes, penso que anda muito instinto sádico recalcado por aí, à espera de uma oportunidade para se soltar. Por mais que nos horrorizemos, os crimes nazis (e isto, só para dar um exemplo) foram exercidos por humanos, por gente igual àquela com que nos cruzamos nas ruas, todos os dias. Assim como (a uma menor escala, mas não menos trágico para as vítimas) os pides eram pais de família, que circulavam pelas ruas, iam a festas e restaurantes, o que a maioria continuou a fazer, passada a euforia revolucionária e um pequeno período de cadeia.
O livro da jornalista Joana Pereira Bastos, além da descrição dos horrores por que passaram os presos de Caxias e Peniche, tem o mérito de nos mostrar que o calvário não acabou com a sua libertação. Gostamos de pensar que sim. Houve a revolução e eles puderam, enfim, sair em liberdade. Um final feliz, de conto de fadas: casaram e foram felizes para sempre. Mas quantas vezes é preciso dizer que a realidade está bem longe disso? As vítimas da tortura sofrem até hoje: insónias, pesadelos, depressão, psicoses, ansiedade, etc. E nunca deixarão de sofrer.
Rafael Galego «lamenta que nem a ele nem aos outros ex-presos políticos algum organismo, associação ou entidade tenham alguma vez perguntado se precisavam de apoio. Nunca o teve (...) Aos 63 anos, é um homem revoltado. Os cigarros, um atrás do outro, tremem-lhe na mão. Sorve-os em baforadas nervosas, segurando-os nas pontas dos dedos amarelados pelo fumo».
Joana Pereira Bastos apresenta os factos de maneira imparcial. E, se nos apresenta toda a crueldade da PIDE, também não se coíbe de referir os métodos repressivos que o PCP e outras organizações revolucionárias exerciam sobre os seus membros. Não se perdoava a quem sucumbisse às torturas terríveis e denunciasse algum camarada. Talvez se justificasse, quando a segurança do partido ou da organização dependia do silêncio. Mas que justificação há para isto:
«Os meses que se seguiram à libertação foram, para Conceição Moita, os mais duros. Por ter sucumbido à tortura e falado no interrogatório, os antigos companheiros do Partido Revolucionário do Proletariado e das Brigadas Revolucionárias (PRP/BR) castigaram-na, votando-a ao silêncio e à indiferença, como se nunca a tivessem conhecido. Pura e simplesmente, deixou de existir para eles. Várias vezes pediu para a receberem. Queria relatar-lhes o que acontecera, mas nunca obteve resposta. A intolerância chocou-a. "Foi demasiado violento"».
Não há anjos, nem santos, no nosso dia-a-dia. Os humanos são capazes das piores violências (físicas e psicológicas). E nós, portugueses, não somos exceção. A teoria dos brandos costumes só serve para menorizar e encapotar realidades macabras.
Muito está ainda por dizer, sobre este assunto. E sobre outros, que igualmente nos envergonhariam. Livros destes são importantes, ajudam-nos a conhecer-nos, enquanto povo. Mostram-nos que devemos pensar duas vezes, antes de apontarmos o dedo a alguém.
E eu pergunto: quantos de nós estariam dispostos a cometer atrocidades, se tais atos fossem aceites e legitimados pela lei e ainda nos pagassem (e bem) para fazermos isso?
Muitos mais do que imaginamos!
Às vezes, penso que anda muito instinto sádico recalcado por aí, à espera de uma oportunidade para se soltar. Por mais que nos horrorizemos, os crimes nazis (e isto, só para dar um exemplo) foram exercidos por humanos, por gente igual àquela com que nos cruzamos nas ruas, todos os dias. Assim como (a uma menor escala, mas não menos trágico para as vítimas) os pides eram pais de família, que circulavam pelas ruas, iam a festas e restaurantes, o que a maioria continuou a fazer, passada a euforia revolucionária e um pequeno período de cadeia.
O livro da jornalista Joana Pereira Bastos, além da descrição dos horrores por que passaram os presos de Caxias e Peniche, tem o mérito de nos mostrar que o calvário não acabou com a sua libertação. Gostamos de pensar que sim. Houve a revolução e eles puderam, enfim, sair em liberdade. Um final feliz, de conto de fadas: casaram e foram felizes para sempre. Mas quantas vezes é preciso dizer que a realidade está bem longe disso? As vítimas da tortura sofrem até hoje: insónias, pesadelos, depressão, psicoses, ansiedade, etc. E nunca deixarão de sofrer.
Rafael Galego «lamenta que nem a ele nem aos outros ex-presos políticos algum organismo, associação ou entidade tenham alguma vez perguntado se precisavam de apoio. Nunca o teve (...) Aos 63 anos, é um homem revoltado. Os cigarros, um atrás do outro, tremem-lhe na mão. Sorve-os em baforadas nervosas, segurando-os nas pontas dos dedos amarelados pelo fumo».
Joana Pereira Bastos apresenta os factos de maneira imparcial. E, se nos apresenta toda a crueldade da PIDE, também não se coíbe de referir os métodos repressivos que o PCP e outras organizações revolucionárias exerciam sobre os seus membros. Não se perdoava a quem sucumbisse às torturas terríveis e denunciasse algum camarada. Talvez se justificasse, quando a segurança do partido ou da organização dependia do silêncio. Mas que justificação há para isto:
«Os meses que se seguiram à libertação foram, para Conceição Moita, os mais duros. Por ter sucumbido à tortura e falado no interrogatório, os antigos companheiros do Partido Revolucionário do Proletariado e das Brigadas Revolucionárias (PRP/BR) castigaram-na, votando-a ao silêncio e à indiferença, como se nunca a tivessem conhecido. Pura e simplesmente, deixou de existir para eles. Várias vezes pediu para a receberem. Queria relatar-lhes o que acontecera, mas nunca obteve resposta. A intolerância chocou-a. "Foi demasiado violento"».
Não há anjos, nem santos, no nosso dia-a-dia. Os humanos são capazes das piores violências (físicas e psicológicas). E nós, portugueses, não somos exceção. A teoria dos brandos costumes só serve para menorizar e encapotar realidades macabras.
Muito está ainda por dizer, sobre este assunto. E sobre outros, que igualmente nos envergonhariam. Livros destes são importantes, ajudam-nos a conhecer-nos, enquanto povo. Mostram-nos que devemos pensar duas vezes, antes de apontarmos o dedo a alguém.
June 3, 2013
Este livro não é recomendável, este livro é obrigatório. Porque revela, através de testemunhos de pessoas que há muitos, muitos anos não conseguiam falar do assunto, as barbaridades cometidas pelos agentes da PIDE nas prisões de Caxias e de Peniche.
Para além das torturas já «habituais» e conhecidas (a do sono, a estátua, os espancamentos e o isolamento), são reveladas as torturas psicológicas, que ainda hoje marcam quem as sofreu. Impressionou-me bastante o caso de um preso, fechado numa sala onde transmitiram por altifalantes os gritos da mulher e o choro da filha, sendo-lhe mostrada de seguida uma peça de roupa ensanguentada. É perverso.
Neste livro, a jornalista do Expresso conversou com pessoas que há muito não falavam (como o arquiteto Nuno Teotónio Pereira, por exemplo), pessoas que ficaram com insónias e pesadelos para o resto da vida, pessoas que nunca mais se perdoaram por cederem à tortura e entregarem os amigos. Os últimos anos do Estado Novo foram especialmente maus, mas a angústia por que os presos passaram entre 25 e 27 de abril de 1974, enquanto continuavam presos sem saber se o golpe militar tinha sido de esquerda ou de direita (o que poderia significar a libertação ou a morte), é quase inenarrável.
PS: O livro tem uma série de outras informações que desconhecia e que me impressionaram, como o facto de um documento encontrado em Caxias revelar que 1 em cada cada 4 portugueses recebeu pagamentos por informações prestadas à polícia política. Que a História não se repita.
Para além das torturas já «habituais» e conhecidas (a do sono, a estátua, os espancamentos e o isolamento), são reveladas as torturas psicológicas, que ainda hoje marcam quem as sofreu. Impressionou-me bastante o caso de um preso, fechado numa sala onde transmitiram por altifalantes os gritos da mulher e o choro da filha, sendo-lhe mostrada de seguida uma peça de roupa ensanguentada. É perverso.
Neste livro, a jornalista do Expresso conversou com pessoas que há muito não falavam (como o arquiteto Nuno Teotónio Pereira, por exemplo), pessoas que ficaram com insónias e pesadelos para o resto da vida, pessoas que nunca mais se perdoaram por cederem à tortura e entregarem os amigos. Os últimos anos do Estado Novo foram especialmente maus, mas a angústia por que os presos passaram entre 25 e 27 de abril de 1974, enquanto continuavam presos sem saber se o golpe militar tinha sido de esquerda ou de direita (o que poderia significar a libertação ou a morte), é quase inenarrável.
PS: O livro tem uma série de outras informações que desconhecia e que me impressionaram, como o facto de um documento encontrado em Caxias revelar que 1 em cada cada 4 portugueses recebeu pagamentos por informações prestadas à polícia política. Que a História não se repita.
February 27, 2024
🔫 No ano em que a Liberdade comemora 50 anos, Os Últimos Presos do Estado Novo é uma leitura pertinente e que serve para nos lembrar que Portugal não é aquele país de brandos costumes como facilmente se apregoa. Ou pelo menos não era na altura da ditadura.
🔫 Entre os anos de 73 e 74 do século passado, depois de uma curta Primavera Marcelista, foram muitos os portugueses que foram torturados às mãos da PIDE por se manifestarem contra o regime vigente. E os relatos dessas torturas estão bem explanados neste livro. E são coisas que nunca deveremos esquecer. Quando ficamos estupefactos com o que fazem a presos em vários países do mundo não imaginamos ou desconhecemos que muitos deles também foram praticados por cá, como a tortura do sono, talvez das mais brutais psicologicamente.
🔫 Uma leitura obrigatória para nos lembramos do que custou a liberdade para muitos portugueses para que todos pudéssemos usufruir dela como o fazemos atualmente.
https://www.instagram.com/p/C5GaPR8sWoT/
🔫 Entre os anos de 73 e 74 do século passado, depois de uma curta Primavera Marcelista, foram muitos os portugueses que foram torturados às mãos da PIDE por se manifestarem contra o regime vigente. E os relatos dessas torturas estão bem explanados neste livro. E são coisas que nunca deveremos esquecer. Quando ficamos estupefactos com o que fazem a presos em vários países do mundo não imaginamos ou desconhecemos que muitos deles também foram praticados por cá, como a tortura do sono, talvez das mais brutais psicologicamente.
🔫 Uma leitura obrigatória para nos lembramos do que custou a liberdade para muitos portugueses para que todos pudéssemos usufruir dela como o fazemos atualmente.
https://www.instagram.com/p/C5GaPR8sWoT/
April 5, 2013
É sobre as últimas pessoas que foram libertadas de Caxias, já o 25 de Abril tinha ocorrido – mas como o Spínola e o MFA não se entendiam, elas para ali ficaram, até a madrugada de dia 27, muitas suspeitando de que estava em curso um golpe militar de extrema direita (tal como acontecera um ano antes no Chile). O Nuno Teotónio Pereira e o José Lamego foram alguns desses presos que só conheceram a liberdade no dia 27.
O livro junta vários testemunhos arrepiantes de presos torturadas pela PIDE e conta o dia-a-dia na prisão enquanto, lá fora, se preparava o golpe de Estado.
O livro junta vários testemunhos arrepiantes de presos torturadas pela PIDE e conta o dia-a-dia na prisão enquanto, lá fora, se preparava o golpe de Estado.
July 10, 2024
Um testemunho muito duro e chocante mas mesmo muito bem escrito. É impossível não sentir com estes relatos uma imensa revolta por todas as atrocidades e formas de violência que foram infligidas àqueles que se tentaram opor à ditadura mas também uma enorme sensação de gratidão pela sua coragem e pelo papel fundamental que tiveram no longo caminho até à revolução. Foi um livro que me tocou muito e que reforçou ainda mais em mim a ideia da importância de proteger a nossa democracia e a liberdade que custou tanto a conquistar por pessoas como as que aqui dão o seu testemunho.
April 2, 2014
Eram horas de matar em todos os relógios...
July 13, 2014
Toda a gente devia ler este livro, para ter precisa noção da realidade que se passava no nosso país naquele tempo.
May 12, 2024
Livro com história, gostei 😊
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