As agruras e andanças do trabalhador brasileiro: o épico operário de Luiz Ruffato pela primeira vez em volume único.
Neste ambicioso e extraordinário romance, Luiz Ruffato recria literariamente a história do proletariado brasileiro, partindo dos anos 1950 e chegando até o início do século XXI. Publicado originalmente em cinco volumes, Inferno provisório ganha agora sua edição definitiva. Um dos grandes escritores brasileiros em atividade, Ruffato compôs um poderoso mosaico das andanças e agruras do trabalhador brasileiro. Narrado num calidoscópio de vozes, o romance dá a palavra aos desfavorecidos e às figuras invisíveis que construíram e transformaram nossas cidades e nossas fábricas. Verdadeiro épico proletário, Inferno provisório é uma saga descomunal sobre um Brasil que muitas vezes não queremos ver.
Luiz Ruffato (Cataguases, fevereiro de 1961) é um escritor brasileiro. Formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, exerceu jornalismo em São Paulo. Publicou Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os sobreviventes em 2000, ambos coletâneas de contos. Ganhou os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional com o romance Eles Eram Muitos Cavalos, de 2001.
Maravilhoso livro, ou coleção de livros de Luiz Ruffato, cuja história transforma a trajetória de vida de dezenas de personagens das camadas mais baixas e numerosas da sociedade brasileira em um mosaico épico que segue desde a década de 50 até os anos 2000 e tendo como foco a cidade de Cataguazes e, posteriormente, a migração do povo pobre do interior para os grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo.
Publicado incialmente em cinco volumes, “Inferno Provisório” mistura a técnica do “fix-up”, a interligação de narrativas curtas que compartilham personagens e cenários, com o romance de costumes, tendo, principalmente nos primeiros dois terços do livro, como personagem principal a cidade de Cataguazes descrita e experimentada pelos mais pobres.
São muitos personagens interessantes e impressionantes em sua autenticidade. As histórias muitas vezes são recontadas a partir de pontos de vistas diferentes, e o universo da periferia de Cataguazes é construído de maneira primorosa, sem romantismo ou melodrama, apenas com retratos de vida, muitas vezes brutais outras vezes singelos, mas com uma sempre presente angústia causada pela carência e por todas as dificuldades enfrentadas pelos diversos protagonistas, praticamente invisíveis para as classes sociais mais altas.
Tecnicamente, a prosa do Luiz Ruffato impressiona. “Inferno Provisório” tem um texto mais convencional do que a experimentação do romance “Eles Eram Muitos Cavalos”, o que o torna mais acessível para o grande público e uma excelente porta de entrada para a obra do Ruffato. As narrativas são belas, metáforas e imagens poéticas se entremeiam a sessões de prosa direta e a uma recriação de linguagem e atmosfera bem realista. Sei disso porque minha família é da região abordada na obra, e, caramba, o Ruffato pegou bem o jeito de falar e de ser do interior de Minas, na região do Rio Pomba. Impressionante.
Recomendadíssimo, gostei demais, devo ler novamente, uma maravilhosa e necessária adição para a literatura nacional!
Fiquei pesaroso quando terminei a leitura. Muito bom livro, ou melhor, compilação de livros, artigos e crônicas anteriores do autor. Organizadas em sequência, algumas passagens são herdadas em alguns dos capítulos. Vida no interior de Minas Gerais, na cidade de Cataguases, onde vive o Ruffato. Vida das pessoas em torno das atividades principais da cidade, pobreza, tristeza, a vontade de ir para São Paulo tentar vida nova, a construção da vida aos poucos, o final da vida também aos poucos, luta dos pais para darem educação aos filhos e permitirem que eles saiam da armadilha social em que vivem, o beco do Zé Pinto e sua miséria. Ficção muito real. Como nascido, criado e vivido no interior de MG, bem próximo da cidade de Cataguases, fui transportado à minha infância. Belo livro, bem escrito, variação grande de estilos, surpreendente. Não perca!
O título é extraordinário, e nós os habitantes dele (não o titulo mas o recanto) lemos uma originalidade pungente, um rodamunho de pessoas sem noção, voltadas ao cotidiano, opressivo por si só e tambem com ajuda alheia. Uma vista de dentro do buraco, com seus limites asquerosos e espinhentos. Uma Veranasi apenas apressada e ligeira ba destruição constante.