Apesar de não ser nenhum esteta, sei quando uma leitura me desacomoda, agrada ou faz algum tipo de transformação provocativa na maneira que entendo a arte.
O caso de "O Sul", a despeito da "terceira parte", não chega nem perto de nenhuma das três possibilidades. A primeira parte, o conto "2035", é de uma violência gratuita e certo lugar-comum no que diz respeito a distopias, a não ser a tentativa mal-sucedida de fazer ritornelos e repetições versificadas na maneira que ela narra as cenas. A peça "mancha" foi, francamente, chata, como se Stigger não soubesse exatamente o que está fazendo.
O que salva o livro é o texto "o coração dos homens", uma espécie de conto-poema que, de fato, cria algo realmente distinto e novo do que já li até então, fazendo um link mais verossímil com a associação entre os significantes "sul" e "sangue" apresentados no início da obra. A apresentação, que povoa nosso imaginário com Stigger como se fosse uma autora muito revolucionária e complexa, mais afasta do desloca o olhar do leitor.