Neste que é o mais importante ensaio crítico sobre Tarsila e um clássico dos estudos sobre o Modernismo, Aracy Amaral refaz o percurso biográfico da artista, destacando a década de 1920 e os movimentos Pau-brasil e Antropofagia. Realizada a partir de depoimentos originais e consulta a centenas de fontes no Brasil e no exterior, a obra traz, nesta nova edição revista pela autora, mais de 300 ilustrações, muitas inéditas. Capa 528 páginas Editora 34; Ediçã 1ª (11 de fevereiro de 2010) Português 8573262664 978-8573262667 Dimensões do 22,8 x 15,8 x 3 cm Peso de 898 g
Considero uma falha grave incluir diversas passagens em língua estrangeira sem tradução, o que limita o acesso ao conhecimento e garante a manutenção do elitismo sobre a arte.
As biografias de brasileiros são geralmente de políticos, esportistas, atores e músicos. Louvável, então, encontrar esse livro sobre a obra da Tarsila do Amaral. Acredito que a autora conseguiu mostrar bem como foi o processo de aprendizagem e criação da Tarsila, mas acho que ficou devendo na contextualização da cena artística em Paris nos anos 20, tão importante para Tarsila. Fiquei com a impressão de que a biografia foi escrita para iniciados, pois não somente cita uma infinidade de nomes de artistas daquela época, que para muitos devem ser completamente desconhecidos, como também não teve o cuidado de traduzir as muitas passagens em francês (descuido do editor também). O livro tem 395 páginas antes dos apêndices. Só que existe uma quantidade tão grande de reproduções de pinturas, desenhos, esboços, fotos, cartas e documentos em geral, que de texto escrito deve totalizar não mais do que 200 páginas. Além disso, em muitos trechos parece que o livro é sobre o Oswald de Andrade, e não sobre a Tarsila. Também interessante nesse livro é ler sobre o estilo de vida da classe alta herdeira dos fazendeiros e cafeicultores do início do século passado (Tarsila e Oswald de Andrade). Viagens e longas temporadas na Europa anos após ano, filhos em internatos na Suíça, jantares e eventos sociais em Paris todas as semanas para alavancar a carreira artística, aulas nas melhores academias de arte, além da proximidade com o poder político estabelecido. Tudo isso com o dinheiro e o prestígio ganho através da escravidão e morte de milhares de pessoas (a família de Tarsila chegou a ter 400 escravos num certo período).