O canto dos escravos dá o tom nesta obra e nos transporta para o Brasil do século 18: uma realidade de fidalgos e pés-rapados, de cantos africanos e rezas católicas, um quadro vivo e riquíssimo de detalhes do violento ciclo do diamante, por meio do qual Ana Miranda reconstrói a biografia de uma personagem que nos fascina há gerações. Com narrativa colorida e vibrante, a autora revela as facetas e interpretações por trás da figura de Xica da Silva: da sedutora, capaz de dominar os homens com astúcia e sensualidade, à concubina amorosa, fiel ao marido e dedicada aos filhos, passando pelo papel de mecenas do Tijuco, de dona de cem escravos e administradora da maior riqueza de seu tempo. Uma mulher vitoriosa, revolucionária mesmo para os dias de hoje, irreverente e mandona, que superou com majestade a sua condição de escravizada, criando a lenda de uma Cinderela Negra.
Voltada para a linguagem, dotada de um brasilianismo intenso, Ana Miranda realiza um trabalho de redescoberta e valorização do nosso tesouro literário, que a leva a dialogar com obras e autores de nossa literatura, numa época em que as culturas delicadas são ameaçadas pela força de uma cultura universal. Fundada em séria e vasta pesquisa, recria épocas e situações que se referem à história literária brasileira, mas, primordialmente, dá vida a linguagens perdidas no tempo. Sua obra tem sido matéria de estudos na área acadêmica, recebendo teses e monografias, geralmente ligadas a questões de literatura & história, barroco brasileiro, romantismo, ou pós-modernidade. Recebeu alguns prêmios, como Jabutis e da Academia Brasileira de Letras; teve sua obra traduzida em cerca de vinte países, e conquistou expressivo número de leitores, no Brasil. Ana Miranda consagrou-se igualmente pela inclusão de seu Boca do Inferno no cânon dos cem maiores romances em língua portuguesa do século 20, elaborado por estudiosos da literatura, brasileiros e portugueses (O Globo, 5/set/98). Seus principais romances são: Boca do Inferno, 1989; A última quimera, 1995; Desmundo, 1996; Amrik, 1998; Dias & Dias, 2002; Yuxin, 2009. Todos editados pela Companhia das Letras. Nasceu no Ceará, em 1951, onde vive atualmente, após cinquenta anos entre Rio, Brasília e São Paulo.
I went into this book thinking I would learn about an icon of Brazilian history, but I learned so much more.
Being from Minas, this felt a lot like learning my own history. Especially because a lot of my family came from the same area where Xica lived and, no doubt, some of my ancestors may have even seen her in the flesh.
This book inspired me to read more Brazilian history books for sure.
I will say that I felt a little uncomfortable (?) because the author doesn't go in depth about the grueling details of slavery. I don't know if uncomfortable is the right word, I think I am so used to hearing about the atrocities committed against enslaved people that reading a book that discusses slavery but doesn't include this portion of it almost feels wrong. Maybe this says more about the content I consume than the author herself.
I can definitely see myself re-reading this in the future and also reading a lot of the books listed in its bibliography.
Pior livro que já li na vida. Romantiza a escravidão, é chatérrimo de ler, se propõe ser uma biografia de Xica e ela só aparece no livro de passagem. Li as quase 450 páginas e o que aprendi sobre Xica é que se sabe quase nada dela. Não leiam.