Este foi o primeiro livro escrito por Jorge Amado quando tinha apenas 18 anos e que revela uma maturidade impressionante para um jovem daquela idade sobre as questões existenciais que se colocam a um grupo de amigos de idades muito diferentes, bem como acerca das características do povo brasileiro e também sobre os problemas que afectavam o Brasil nos anos 30 do século XX.
Paulo Rigger, um jovem rico, filho de um falecido fazendeiro, regressa à Bahia, passando pelo Rio de Janeiro, onde chega após uma viagem de barco, vindo de Paris, cidade em que viveu durante alguns anos e se licenciou em Direito. Tem como objectivo encontrar um sentido para a sua vida e tenta fazê-lo primeiramente no prazer meramente sexual, depois no amor que rejeita por não conseguir libertar-se das convenções sociais que ele próprio critica ou como jornalista num jornal que funda com um grupo de amigos. Mas pura e simplesmente não consegue atingir um estado de felicidade, sentindo um grande vazio na sua vida.
O Brasil que encontra após o seu regresso, é um país que desdenha, pois considera que os políticos são medíocres, quer os da oposição, quer os do governo, que não é produtivo, que não progride a nível económico, social e cultural, convencendo-se que os brasileiros não querem trabalhar, mas apenas divertirem-se, como se fosse Carnaval o ano inteiro e só lhes interessasse "sambar". Pensa que um país com tantos recursos naturais e tanta beleza só poderia originar pessoas indolentes.
Mas a personagem principal desta história também se desilude consigo próprio, pois não faz carreira na advocacia, na política e acaba por interromper o seu trabalho jornalístico juntamente com os seus amigos por circunstâncias várias.
Nos frequentes encontros e reuniões que Paulo Rigger mantém com os amigos, uns da sua idade, outros mais velhos, inclusive um idoso, todos eles procuram igualmente encontrar um sentido para as suas vidas que designam por Felicidade.
Ricardo Braz casa-se e vai ser promotor público, o que corresponde a magistrado do Ministério Público em Portugal, numa região recôndita do interior do Brasil, mas sente-se infeliz e vive em completo tédio e monotonia, apesar de pensar que é no casamento, no amor e na sua profissão que vai encontrar a alegria que busca, o que não consegue.
Jerônimo Soares, um funcionário público que todos consideravam o medíocre e menos inteligente do grupo, pensa encontrar a felicidade nas coisas comuns da vida, no seu relacionamento com uma antiga prostituta, que tudo faz para o acarinhar e satisfazer. Contudo, sente que ainda lhe falta alguma coisa e esse pensamento perturba-o, até que tem um sonho, e ao acordar sobressaltado, pensa que o que lhe faltava era a fé, a religião, Deus.
José Lopes, que se tratava de um alcoólico em processo de autodestruição, procura na literatura e na filosofia a felicidade, mas não a acha. Então, um certo dia, Paulo Rigger encontra-o com um aspecto saudável e curado dos seus males, tendo José Lopes lhe contado que atingiu a felicidade no comunismo, renunciando a todo o espiritualismo.
Pedro Ticiano, o mais velho do grupo de amigos, com sessenta e muitos anos, e quanto a mim o mais interessante de todos, o céptico, o que sempre duvida, é aquele que acredita que a felicidade é a suprema renúncia de não desejar e que só se consegue a calma e a paz ficando indiferente e nada querer.
Transcrevo uma das frases que é escrita várias vezes no livro e que me fez reflectir, ainda que possa não concordar inteiramente com ela: "- A Felicidade só a alcançam os imbecis e os cretinos...".
E não conto o que aconteceu no final do livro a Paulo Rigger, para deixar que uma certa curiosidade possa levar mais pessoas a ler esta história.
Concluo por dizer que as três estrelas por mim atribuídas se devem a um papel muito secundário, algo servil e utilitário que Jorge Amado atribui às mulheres neste livro; caso contrário, se desenvolvesse melhor a condição feminina e permitisse uma maior participação delas na história, esta seria bem mais interessante. Acho que escreveu este livro tendo como ideia que seriam os homens e não as mulheres a lê-lo, ainda que fosse apenas um jovem que vivesse num mundo machista.