Da defesa acérrima da liberdade de expressão ao repúdio absoluto do acordo ortográfico, da crítica feroz ao sistema educativo português ao desinteresse dos noticiários televisivos, da importância do café aos mistérios do exercício físico, passando pelo pau de selfie, o feng shui (ou melhor, chop suey), a misantropia, os rituais funerários, a batalha naval, a famigerada fuga de cérebros, o pequeno-almoço nas novelas portuguesas e uns certos assuntos «amor-de-mãe», há pouco que escape à malha apertada da análise certeira, irónica, muitas vezes corrosiva de Miguel Tamen.
MIGUEL TAMEN é professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa. Deu aulas em várias universidades americanas, nomeadamente, desde 2000 como visitante, na Universidade de Chicago. Foi senior fellow no Stanford Humanities Center e Rockefeller Fellow no National Humanities Center. Escreveu vários livros, o último dos quais What Art Is Like.
Como sugerido pela imagem da capa, os textos de Miguel Tamen estruturam-se em raciocínios munidos de lógica e encadeados por um senso imediato, mas um afastamento ligeiro leva a entender que a casa assim erigida, por muito direitas sejam as suas linhas, se sustenta num equilíbrio muito instável, bondando um sopro para se despenhar. É esta, porém, a ilusão verdadeiramente enganadora, pois a reflexão mais detida leva-nos a concluir amiúde que, no fim de contas, o raciocínio, se tão lógico como absurdo à partida, vem entregar afinal uma mensagem que, na sua ausência de lógica aparente, é ainda mais profundamente verdadeira.