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Trecho da obra:

"- Não posso, Capitão, ferir uma ocorrência dessa natureza em reunião profana. Ninguém sab daquela igreja, daqueles santos, mais do que esta pecadoria, criada dos senhores. Porém, do que sei, confio ao meu confessor. E só dezembro, festa de São Benedito, temos padre, faço as minhas confissões. Olhe que tenho me batido para conseguir um, um pároco, ah! Abaixo assinado que fiz? Os dedos da minha mão. Lá do Arcebispado: “que faltam aí os mínimos recursos para a manutenção do pároco. “ Por isso não, que já me ofereci, e é o que sempre faço em dezembro, hospedo o padre, dou casa, mesa, dou luz, dou roupa lavada. Tanto casamento aí sem ser na igreja, tanto menino sem primeira comunhão, tanto moribundo sem os Santos Óleos! O Dr. Intendente não pode interceder? Estou que funcionando a paróquia aqui melhore tudo. O Monsenhor Argemiro me escreveu lá do Arcebispado: “estão nos faltando sacerdotes”. Pois eu, em casa, na aula de catecismo, preparo quatro afilhados tendo em vista o Seminário. Quatro vezes me casei, agora estou no quinto, e dos meus falecidos maridos e deste atual, um só filho, um que fosse! De mim não é a falha, é o que garanto. Deus me livre desejar a morte de meu atual esposo, mas espero ainda um que me dê ao menos o varão que sonho entregar ao serviço de Deus. O Dr. Intendente, eu soube, almoçou com o Arcebispo, antes de vir. Bem pode interceder junto ao Arcebispado a respeito do padre, Capitão. Este é também o motivo de minha visita."

330 pages, Paperback

First published January 1, 1978

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About the author

Dalcidio Jurandir

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Dalcídio Jurandir Ramos Pereira (Ponta de Pedras, ilha do Marajó, Pará, 10 de janeiro de 1909 — 16 de junho de 1979) foi um romancista brasileiro.

Estudou em Belém até 1927. Em 1928 partiu para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor na revista Fon-Fon. Em 1931 retornou para Belém. Foi nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Escreveu para vários jornais e revistas.

Militante comunista, foi preso em 1936, permanecendo dois meses no cárcere. Em 1937 foi preso novamente, e ficou quatro meses retido, retornando somente em 1939 para o Marajó, como inspetor escolar.

Escreveu para vários veículos e acabou como repórter da Imprensa Popular, em 1950. Nos anos seguintes viajou à União Soviética, Chile e publicou o restante de sua obra, inclusive em outros idiomas.

Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis, entregue por Jorge Amado, pelo conjunto de sua obra.

Em 2001, concorreu com outras personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, foi realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.

Em 2008, o Governo do Estado do Pará instituiu o Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir.

Em 2009 comemorou-se o centenário do escritor.

Escreveu:

Série Extremo-Norte:

Chove nos Campos de Cachoeira (1941)
Marajó (1947)
Três Casas e um Rio (1958)
Belém do Grão Pará (1960)
Passagem dos Inocentes (1963)
Primeira Manhã (1968)
Ponte do Galo (1971)
Os Habitantes (1976)
Chão dos Lobos (1976)
Ribanceira (1978)

Série Extremo-Sul:

Linha do Parque (1959)

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