Depois do seu sucesso com "Bella Amor no Feminino", Fabiula Bortolozzo regressa ao romance em cenário histórico com "Oito Minutos", desta vez acompanhando as feridas que nunca cicatrizaram de uma mulher que amou profundamente outra mulher. «Nesse momento, Clarissa fez uma pausa, respirou fundo, me deu um beijo no pescoço e me abraçou tão forte que chegou a doer. “Você sabe que oito minutos é o tempo que a luz demora a chegar do Sol até à Terra? Se o Sol explodisse, a Terra permaneceria mais oito minutos recebendo os raios de um Sol que já não existiria mais. E ela me disse que levaria oito minutos para voltar. No entanto, não voltou. Nem em oito minutos, nem em oito horas, nem em oito dias. Simplesmente, desapareceu sem deixar sinal."»
Fabiula Bortolozzo nasceu em 1970, em uma casa em que se lia, no máximo, o jornal de domingo. Sua adoração pelos livros e pela leitura fez com que, quando criança, preferisse se trancar na biblioteca da escola do que brincar com as outras crianças. Sua carreira de bookaholic fez com que as palavras sempre a ultrapassassem, até que optou por contorná-las e colocá-las na tela em branco. Foi selecionada para a oficina de criação de perfis da FLIP (Feira Literária de Parati) de 2010 e para a oficina de escrita com o escritor Luis Ruffato, em 2011. Vive em Curitiba com sua esposa e vários cães.
Com "Oito Minutos", Fabiula Bortolozzo consegue mais um belo romance de enquadramento histórico e suspense, duas características que já começam a afirmar-se como a sua marca pessoal. Mas enquanto "Bella Donna" nos faz evocar um quadro de John Singer-Sargent, colorido e brilhante, sobre a vida das mulheres nos conventos venezianos da época dos Doges, em "Oito Minutos" Fabiula leva-nos para um cenário de "film noir", uma vilória à beira de uma enseada, de localização incerta, longínqua, mas mesmo assim familiar, onde a narradora chega num dia de tempestade. E este cenário é o espelho perfeito que reflete (ou compõe) a personalidade de Clarissa, uma mulher bela, enigmática, nebulosa, por quem a narradora se sente imediatamente atraída, mas que tem recantos psicológicos escuros que a narradora se sente obrigada quase compulsivamente a explorar.
Na verdade eu daria 2.5 pra esse livro. A ideia da história é muito boa, e eu admiro a intenção de falar sobre as vítimas menos óbvias do período de ditadura no Brasil. Porém, infelizmente, a escrita em si deixou muito a desejar. Os personagens simplesmente dão informações gratuitamente para a protagonista, sem terem nenhum vínculo específico, apenas pela conveniência da história, e o início do romance entre Lia e Clarissa começou de forma muito brusca. Essas são as críticas mais "sérias" que eu tenho a fazer da escrita, e sinto que os próximos pontos serão apenas meu gosto pessoal, mas vou escrevê-los mesmo assim: A ambientação do início foi excelente, eu realmente estava envolvida na história da pequena vila e o grupo de hippies que se instalou por lá. O mistério foi muito bem colocado, mas ele foi cortado no meio quando o romance com Clarissa começou, de repente o tom do livro mudou e eu fiquei muito confusa de onde havia surgido esse interesse (e não venham me dizer que é porque eu sou hétero, pois eu não sou). As cenas de sexo também foram bem estranhas, mas ai é um assunto complexo que depende de cada autor sobre o quanto a pessoa quer descrever. As ações das personagens eram bastante eróticas, utilizando palavras explícitas, mas as descrições em si eram broxantes, e acabava em 3 linhas. Enfim, pelas reviews, parece que eu fui a única que não gostei tanto assim, é até estranho continuar a escrever essa crítica. Fico feliz que a autora esteja fazendo sucesso e ganhando seu destaque, o que não significa que não existam pontos que possam melhorar.
Uma pequena novela muito bem escrita e comovente, que nos conta, num flashback subtil e muito bem construído uma história dos duros tempos da ditadura militar no Brasil.
"Vejo-a sentada no seu sofá, com uma caneca fumegante na mão, e ponho mais uma vez a minha alma de joelhos"
Gosto muito de como a autora traz temas histórico-culturais do Brasil nas suas histórias. Apesar da ditadura ser um tema mais "comum" de ser tratado nos livros nacionais, ela ainda consegue inovar ao trazer os impactos causados nas vítimas "não óbvias" da ditadura, aquelas que conseguiram a liberdade, mas ainda foram dilaceradas e tiveram que viver com as sequelas emocionais desse período, além de falar tanto das vítimas diretas quanto daquelas que as rodeiam. Esse aspecto causa uma boa surpresa, pois durante toda a história a gente imagina que Dentro desse tema tão pesado, a autora constrói um romance maduro e profundo, muito gostoso de se ler. Minha única crítica a esse livro são os diálogos que às vezes parecem forçados, os acontecimentos e falas não seguem uma sequência que você consegue ver ocorrendo na vida real, parece que tudo é contado muito fácil para a protagonista. Porém, acredito que seja uma característica de uma escritora que está iniciando, pois não senti isso em "De Braços Abertos". Por fim, sinto que essa história vai ficar mais na minha cabeça do que o outro livro que li da autora, pois me apeguei bastante à complexidade e ao sofrimento da personagem Clarissa.
Quando eu decidi começar a leitura desse livro, eu não li a sinopse e não procurei saber do que se tratava, apenas decidi ler e me surpreender com o livro. Oito minutos é uma leitura rápida e ao mesmo tempo dolorida, é uma leitura que te faz querer entender cada vez mais o passado da Clarissa. Eu não imaginava que em certo momento seria citado a ditadura, e isso com certeza fez com que eu amasse ainda mais o livro, porque nos mostra a dor de ter alguém que a gente ama sendo presa, sendo maltratada, nos leva a entender a Paula, e ainda mais a Clarissa. Oito minutos para mim é um livro necessário.
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gostei bastante da leitura, foi muito envolvente e impactante, além de tratar assuntos sérios do modo q precisam ser tratados, sem romantizar, é bastante original, além de ser uma leitura bem rápida.
Descobri Bella Donna, o primeiro livro de Fabiula, por acaso aqui na Amazon. Foi paixão ao primeiro parágrafo. Desde então aguardava seu próximo livro. Qual não foi minha alegria ao descobrir 8 Minutos justo na época do Natal? Foi um presente maravilhoso. O livro é ainda melhor do que o anterior, com uma história que também possui um pano de fundo histórico, mas totalmente diferente de Bella Donna. Pra começar, é ambientado na época atual, e traz uma reflexão sobre o período da ditadura militar e seus traumas profundos. A história de amor narrada no livro é linda e inspiradora, além de muito sexy, com cenas quentes de tirar o fôlego de qualquer um! Enfim, um livro recomendadíssimo de uma autora muito talentosa.