O jornalista Percival de Souza relata a vida de Fleury, o mais temido agente da repressão militar, denunciando o horror e os abusos cometidos durante a ditadura
O livro. Se o mistério conduz ao medo, é preciso trazê-lo à tona e desvendá-lo. Essa foi a missão a que o jornalista investigativo Percival de Souza se propôs ao escrever a biografia do Dr. Fleury, o mais temido agente da repressão militar contra ativistas de esquerda. Autópsia do Medo – Vida e morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury relata em 650 páginas as muitas faces do criador do Esquadrão da Morte e uma das maiores autoridades do DOPS, a polícia política.
O livro revela fatos novos, documentos secretos, depoimentos surpreendentes, mergulha nos porões da repressão, localiza militantes revolucionários e mostra os bastidores da guerra implacável entre guerrilheiros, militares do DOI-CODI e agentes do DOPS.
Peca por ser extremamente desorganizado e mal-escrito, quase como se tivesse sido finalizado às pressas. Além disso, é complacente, para não dizer apologético, demais com seu repulsivo objeto de estudo. Apesar disso, certamente consiste instrutiva leitura para aqueles que ainda duvidam de tudo o que se passou no subsolo do Dops.
Um pouco assustador é o fato de que tal órgão era 100% civil e realmente desligado de qualquer posicionamento político, sendo suas ações originárias puramente da brutalidade de seus integrantes. Voltando um pouco à época pré-golpe, o livro também esclarece as origens da nossa obtusa polícia civil, que sem pau-de-arara, contando apenas com perícia e inteligência, é incapaz de resolver um caso.
Por fim, serve também para lembrar que várias figurinhas asquerosas da época ainda estão por aí. Por exemplo, Romeu Tuma até pouco tempo atrás era senador e a atual diretora do Deic foi escriturária de Fleury.