Não costumo ler poesias, mas gostei de muitas dessa coletânea.
Foi nostálgico ler, e descobri também que eu sabia algumas de cor, frutos do meu tempo de escola, como “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá …” de G. Dias.
De Casimiro de Abreu a minha preferida é a seguinte:
O QUE É – SIMPATIA.
A UMA MENINA.
Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.
Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longo às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.
Simpatia – meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’Agosto,
É o que m’inspira teu rosto...
– Simpatia – é – quase amor!
Indaiassú – 1857.