Nunca apoiei governo algum. Acho que é um dever de jornalista adotar o mote dos anarquistas. Hay gobierno, soy contra”, escreve Paulo Francis em um dos textos dessa nova coletânea de seus melhores artigos publicados na Folha de S. Paulo entre 1975 e 1990. Espírito inquieto e independente, Francis foi um dos jornalistas mais importantes do país entre o final da ditadura militar e a redemocratização do Brasil. Seus comentários e reportagens – que nunca deixavam indiferentes os leitores – preservam até hoje vigor incomum, como se pode atestar neste livro. Textos que marcaram época estão reunidos em A segunda mais antiga profissão do mundo. Eles trazem a visão incisiva de Francis sobre o jornalismo, a tv e o show business, suas análises lúcidas e sarcásticas da política brasileira e americana, além de retratos memoráveis de Carlos Lacerda, Samuel Wainer, Antonio Maria, Stanislaw Ponte Preta, Henfil e Millôr Fernandes, entre outras personalidades de seu tempo.
Paulo Francis, pseudônimo de Franz Paul Trannin da Matta Heilborn foi um jornalista, crítico de teatro, diretor e escritor brasileiro. Trabalhou em vários jornais, entre eles, Última Hora, O Pasquim, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo.
Tão bom quanto relembrar alguns dos eventos mais significativos das décadas de 70 e 80, foi resgatar o prazer de aguardar e ler sua coluna na Folha. E, o melhor, lembrar de mim adolescente, aqui na província, tendo contato pela primeira vez com autores como Gore Vidal, Hannah Arendt, Norman Mailer, Philip Roth, Dorothy Parker, Pauline Kael e tantos outros.