Como Deus não podia estar em todo o lado ao mesmo tempo, criou as mães.
As mães sabem coisas que ninguém mais sabe. Parece que têm apenas cinco sentidos, mas não. Porque os olhos das mães têm superpoderes, atravessam paredes e veem os disparates dos filhos ainda antes de eles pensarem sequer em fazê-los. Ouvem também sons impossíveis, como o silêncio, que nunca é bom sinal. Do olfato não se fala, porque ao nariz de mãe não escapa nada. Tão depressa descobre a t-shirt enrolada atrás do sofá, como deteta o cheiro da malandrice iminente, ou, quem sabe, do mouro que se avizinha na costa. Paladar de mãe também é único, e não estamos a falar da comidinha especial nos dias de mimo (ou de doença). Só elas conhecem o sabor secreto dos filhos, e no sal das lágrimas adivinham logo o que mais nelas se esconde. E não vamos falar do tacto. Dedos de mãe lêem sempre em braille todas as emoções dos filhos, mesmo quando eles, convencidos de que são “crescidos”, recusam o cafuné. As mães têm tudo, mas às vezes esquecem-se. Teimam em ser melhores ainda do que as mães delas. E desafiam Deus, quando procuram estar em todo o lado ao mesmo tempo. E roídas pelo remorso, acham sempre que podiam ter feito melhor! Querida Mãe é uma espécie de carta de Eduardo Sá para as mães. Para lhes lembrar (com muito jeitinho) que elas não têm (mesmo) de ser perfeitas. Podem arriscar e errar um pouco mais. E ainda assim – fiquem descansadas – nunca andarão muito longe da perfeição.
Eduardo Sá nasceu em Leiria, em 1962. Hoje é psicólogo, psicanalista e professor de Psicologia clínica no Instituto Superior de Psicologia Aplicada em Lisboa e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde se formou. Desde muito cedo começou a colaborar em diversas publicações, tendo percorrido as revistas Xis, Adolescentes, Pais, a Notícias Magazine do Diário de Notícias ou o jornal Público.
Um livro maravilhoso, que me fez rever em certas situações...onde tentámos fazer de tudo por tudo pelos nossos filhos e esquecemos nos de nós. Eduardo Sá dá-nos uma ajuda para sabermos lidar com os nossos filhos, em certas idades, mas também nos relembra que ninguém é perfeito e que ser mãe não é fácil.
🔖 "Qualquer dia saio desta casa e depois é que vocês vão sentir a minha falta."
Recomendo a todas as mães... vão perceber que, acima de tudo, somos a melhor Mãe do mundo para os nossos filhos.
"Querida Mãe" foi um dos livros que mais me tocou este ano. Talvez porque também sou filha, talvez porque a palavra “mãe” mexe sempre comigo de um jeito especial. Ou talvez porque o autor tem o dom de traduzir o que tantas vezes sentimos, mas nunca sabemos como dizer. É um livro simples, direto, mas cheio de ternura e humanidade. Uma verdadeira carta de amor às mães com todas as suas imperfeições, força, dúvidas e beleza. Não é só sobre maternidade, é sobre vínculo, presença, ausência e tudo o que existe no meio. Uma leitura que me emocionou de uma forma inesperada. Daquelas que não se esquecem. Para ler devagar, para sublinhar, e para guardar perto do coração.