Gabriel Liiceanu é filósofo, ensaísta e cineasta, um dos maiores pensadores romenos da atualidade, fundador e diretor da maior editora do país, a Editora Humanitas.
No primeiro de seus ensaios publicados pela VIDE Editorial, “Da mentira”, o autor analisou a idéia da mentira desde seu surgimento enquanto problema filosófico, com Sócrates, até suas acepções e usos contemporâneos na recente história da Romênia.
Neste ensaio, que dá seqüência às suas investigações, ele aborda o ódio humano do ponto de vista tanto filosófico quanto político-social, versando inclusive sobre a sua presença na história recente da Romênia enquanto método mesmo de funcionamento do sistema governamental do país.
Gabriel Liiceanu este un filozof, interpret și scriitor român. Discipol al filozofului Constantin Noica, în perioada comunistă s-a făcut remarcat ca interpret al filozofului german Martin Heidegger. Din 1990 este directorul Editurii Humanitas, una dintre cele mai importante instituții culturale române, proiect formulat în anii Școlii de la Păltiniș.
După Revoluția din 1989 a participat la principalele dezbateri publice din spațiul cultural și politic românesc, dobândind statutul de intelectual public important, dar stârnind în același timp și critici acerbe. În 1995 a apărut filmul documentar Apocalipsa după Cioran, după un scenariu de Gabriel Liiceanu, conținând singurul interviu românesc filmat al filozofului Emil Cioran. După 2000, a realizat împreună cu Andrei Pleșu emisiuni culturale de televiziune (Altfel, la Realitatea TV și 50 de minute cu Pleșu și Liiceanu la TVR1). În prezent este membru al Societății Române de Fenomenologie și al Grupului pentru Dialog Social.
"Se desconto a situação existencial sobre o problema do amor e do ódio, tenho de ver como me comporto quando tenho de recuperar uma distância e quando, comparando-me com o outro, verifico que me confronto com qualidades que me são superiores; ou quando, comparando-me, encontro-me com qualidades iguais e, portanto, não posso manter o outro em inferioridade. A essas duas situações existenciais de distanciamento correspondem apenas dois modos de resolução emocional: ou admiro-o como igual a mim ou superior a mim, e termino por amá-lo; ou invejo-o fundamental e profundamente e termino por odiá-lo. O encontro com o igual ou o superior termina ou no amor, passando pela admiração, ou no ódio, passando pela inveja. Apenas dentro desses parâmetros do Dasein é que o Mitsein pode proliferar o ódio, e apenas somente quando a agulha do caminho de ferro do distanciamento não nos orienta emocionalmente, desde o começo, em direção ao amor. Dito de outro modo, não se põe o problema do ódio enquanto o outro é avaliado como inferior. Em Para além do bem e do mal (*173), Nietzsche exprimiu isso exata e lapidarmente: 'Não podes odiar enquanto não dás dois caracóis por alguém. Para o odiares, tens de considerá-lo igual a ti ou maior do que tu.' Interessante é o modo em que Goethe resolve o problema heideggeriano do distanciamento em direção ao amor. Diz ele: 'Diante de qualidades notáveis de outrem, não há outro meio de salvação senão o amor'. Goethe sugere que 'é mais rentável' amares, e 'a salvação' neste caso é, evidentemente, a do inferno do ódio. Daí resulta que o ódio não se instala senão pelo handicap afetivo, pela impotência essencial de alguém de resolver a situação existencial de distanciamento em direção ao amor. Em suma, o ódio nasce da impotência de amar, embora, em termos de economia de alma, é claro que a solução do amor é 'mais rentável' do que a do ódio." (fls. 27-28)