Nesta reunião de contos, 'A secretária de Borges', Lúcia Bettencourt homenageia escritores consagrados, como Jorge Luis Borges e Kafka. São textos que utilizam a própria literatura como matéria. No conto que dá nome ao livro, Borges, já cego, é ajudado por uma secretária que começa a interferir nas histórias. Já em 'O inseto', a autora inverte a angustiante situação criada por Franz Kafka em uma de suas novelas mais famosas; e, em 'Os últimos dias de Marcel Proust', narra as vésperas da morte do escritor francês, às voltas com os personagens a que sua memória deu vida. 'A secretária de Borges' tem imaginação, estilo e consistência. Imaginação porque as tramas, quase sempre engenhosas - ainda que em diferentes níveis de complexidade -, se solucionam com desenvoltura. Estilo porque a linguagem, rápida e direta, é bem tecida, sem frouxidões e revela a busca pela palavra exata e pela expressão o mais funcional possível. E consistência porque os personagens (por sinal, quase sempre mulheres) se impõem com diálogos, pensamentos e sensações que se desenvolvem naturalmente. Um livro que encanta tanto pelas histórias atraentes quanto pela escrita apurada de Lúcia.