Ilustrada pelo artista plástico carioca Filipe Jardim, esta antologia reúne 22 poemas de um dos fundadores da bossa nova. Desde seu livro de estreia, O caminho para a distância, lançado em 1933, passando por Forma e exegese (1935) e Livro de sonetos (1957), até chegar a Novos poemas II (1959), o encantamento amoroso é o tema que perpassa toda a obra de um dos nossos principais poetas líricos.
Se no poema “A mulher que passa” Vinicius pergunta: “Por que me faltas, se te procuro?”, nos versos iniciais de “Soneto do Corifeu” ele define o estado de urgência em que vivia, numa assombrosa constatação: “São demais os perigos desta vida/ Para quem tem paixão, principalmente”.
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (October 19, 1913 - July 9, 1980), better known as Vinicius de Moraes, nicknamed O Poetinha (the little poet), was born in Rio de Janeiro, Brazil. Son of Lydia Cruz de Moraes and Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, he was a seminal figure in contemporary Brazilian music. As a poet, he wrote lyrics for a great number of songs that became all-time classics. He was also a composer of Bossa nova, a playwright, a diplomat and, as an interpreter of his own songs, he left several important albums.
“Pela Luz dos Olhos Teus” é um livrinho que serve de aperitivo da extensa obra de Vinicius de Moraes. Contendo uma pequena parte de sua poesia lírica, este livro deve ser lido aos poucos como se estivéssemos em uma degustação. Se o leitor exagerar na dose, pode até não gostar do livro ou achá-lo enjoativo, uma vez que a temática de Vinicius é basicamente o amor idealizado, espelho de sua vida apaixonada e cheia de excessos. Tamanha intensidade sentimental pode cansar o leitor pouco acostumado com o estilo do autor.
Para quem conhece pouco ou não conhece a poesia do Poetinha, este pequeno livro será uma ótima oportunidade de entrar no universo de Vinicius de Moraes. Uma única advertência: não devore o livro de uma só vez. O excesso de lirismo pode provocar no leitor um efeito de repulsa; algo que a obra do autor definitivamente não merece.
O que fizeste Com meu coração Apertou-o Até que se seu sumo virasse pó Deixaste-me sem rumo E sem escolha Agora ninguém acode meu pranto Ninguém aquece meu peito Fico presa na dor que foi amar-te E só de lembrar-me de ti Quebro em mil pedaços E não há goma que refaça-os em um ... Autoria desconhecida
“E é por isso que eu te peço: resta um pouco em minha vida Que meus deuses estão mortos, minhas musas estão findas E de ti eu só quisera fosses minha primavera E só espero, Coisa Linda, dar-te muitas coisas lindas...” 🤍
Vinicius de Moraes é um verdadeiro gênio, um artesão da palavra, cantando o amor em suas poesias duma forma como ninguém antes dele fizera: com o rigor dos parnasianos, tendo a preferência pelas rimas e pela métrica, o que faz dele um mestre dos sonetos, o sentimentalismo dos simbolistas, cantando o amor em sua forma mais bela, e uma gota de cinismo característico da modernidade! Um de meus poetas favoritos!
Destaco aqui o último poema do livro, “Soneto de fidelidade”. Me sinto tocado pelos versos “Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.”