Na noite de 4 de Dezembro de 1980 teve lugar o mais hediondo crime político da história deste país. Minutos após o massacre dos ocupantes do bimotor Cessna 421-A YV-314 P, reunia de emergência a Comissão Política do Partido Social Democrata, donde sairia um comunicado para os órgãos de informação, classificando o atentado de "acidente trágico" e negando a ocorrência de qualquer "acção criminosa". Nessa mesma noite estava encontrado o culpado da tragédia, na pessoa do piloto Jorge de Albuquerque. Dos Açores, o presidente do Governo Regional, Mota Amaral, não perdia tempo e "designava" publicamente para o lugar vago de primeiro-ministro a figura apagada, indefinida e dolorosamente oca de Pinto Balsemão. Em termos estritamente militares diríamos que a "operação Camarate" beneficiou largamente do factor surpresa, tendo-se passado imediatamente à exploração do sucesso. A "Operação" viria, contudo, a desenvolver-se por fases. Metódica, cientificamente planeada e executada, poder-se-ia dizer que havia conseguido produzir o acidente perfeito. Só que, tal como não existe o crime perfeito, também não foi possível fabricar o acidente perfeito... É o que este livro deixará sobejamente demonstrado.
Augusto José Sobral Cid, nascido na Horta, em novembro de 1941, foi um cartunista e caricaturista político e ilustrador português. Frequentou o curso de Escultura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
Colaborou nos seguintes jornais e revistas: A Parada da Paródia, A Mosca, Diário de Lisboa, Lorentis, Observador, O Século, Vida Mundial, O Jornal Novo, Povo Livre, A Tarde, O Dia, O Diabo, Semanário, O Independente, Focus, Grande Reportagem e Sol. Colaborou ainda com a estação televisiva TVI.
Cartunista provocador, perseguido após o 25 de abril e censurado, satirizou frequentemente figuras como Álvaro Cunhal, Pinto Balsemão e Ramalho Eanes (dois dos livros de Cid sobre esta personagem, O Superman e Eanito, el Estático, foram apreendidos judicialmente). A investigação do desastre aéreo de Camarate foi uma das causas que abraçou.
Em setembro de 2012, retirou-se do cartoon, passando a dedicar-se apenas à escultura. Nesse âmbito, destacam-se a estátua dedicada a Nuno Álvares Pereira, na Avenida Torre de Belém (Lisboa), e a peça de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, localizada entre a Avenida de Roma e a Avenida dos Estados Unidos da América, também em Lisboa.
Faleceu a 14 de março de 2019, aos 77 anos, vítima de doença prolongada.