Mais um tema do período sombrio da Alemanha Nazista, este regime hediondo, o mais inumano a existir na história da Humanidade.
Mesmo antes do ataque à Polônia, Hitler deu o sinal para iniciar um programa secreto para "libertar do sofrimento" crianças supostamente com "doenças hereditárias". No início de 1940, teve início a Aktion T4 – “liquidação da vida que não vale a pena ser vivida”. Pacientes selecionados de hospitais psiquiátricos e casas de repouso alemães foram asfixiados com monóxido de carbono e depois cremados nos porões de seis "centros de extermínio". Alguns fatos básicos sobre o programa de "eutanásia" nazista.
Eu já conhecia sobre o programa homicida nazista de "higiene racial", conhecido como Aktion T-4, mas o que eu desconhecia era exatamente que a "higiene racial" não foi o fator principal para o assassinato de mais de 200 mil pessoas indefesas da Alemanha, mas que o principal fator que levou a decisão de acabar com as "vidas indignas de serem vividas" foi a motivação econômica, o cálculo logístico de quem “valia a pena manter vivo” numa sociedade voltada à guerra total.
A degeneração nazista era tão sem limites que tudo era permitido para "se livrar mais leitos" para os soldados, inclusive assassinar pessoas com depressão. Tudo era permitido, a ponto de que todos considerados "não produtivos", aposentados e soldados gravemente feridos no front corriam riscos de serem transportados e assassinados nas "clínicas de tratamento".
Outros pontos altos dessa obra de Gotz Aly é que o renomado autor nos mostra o grau de participação da sociedade, não apenas de médicos e burocratas, mas também de assistentes sociais, enfermeiros, motoristas e até famílias. Alemanha Nazista foi realmente a maior degeneração da humanidade. Por várias cartas que o autor traz para a obra, vemos que MUITOS CASOS as próprias famílias pediam pela morte do seu "parente indesejado".
Vemos os mesmos eufemismos usados no assassinato em massa do judeus no Holocausto - "tratamento especial", "transferência", "mortes de causas naturais", etc. A maioria dos familiares sabia que das mentiras desses eufemismos, mas podiam assim "limpar suas consciências" de terem sido muitas vezes cúmplices dos assassinatos.
Por fim, Aly mostra como, após a guerra, muitos dos responsáveis não foram punidos. Alguns seguiram em cargos médicos ou administrativos na Alemanha Ocidental, o que acrescenta uma camada a mais de impunidade à tragédia.
Um adicional a leitura deste livro:
Asperger's Children: The Origins of Autism in Nazi Vienna de Edith Sheffer
War Against the Weak: Eugenics and America's Campaign to Create a Master Race de Edwin Black
Les médecins maudits: les expériences médicales humaines dans les camps de concentration de Christhian Bernadac
The Master Plan: Himmler's Scholars and the Holocaust de Heather Pringle