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Os Flechas : a tropa secreta da PIDE/DGS na guerra de Angola

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Os Flechas conta a história pouco conhecida desta força paramilitar. Constituída por bosquímanos que, perseguidos e escravizados ao longo de séculos pelos povos Bantos, se aliaram aos portugueses no contexto da Guerra do Ultramar, os Flechas foram alargando progressivamente o seu espectro de acção, não só sob a alçada da PIDE, mas também em apoio às operações das Forças Armadas. Os seus conhecimentos do terreno e das populações autóctones, as suas qualidades como pisteiros e a sua grande resistência às condições ambientais locais foram de grande utilidade ao esforço de guerra português.
(AVISO AO LEITOR: o livro foi editado em acordês.)

304 pages, Paperback

First published January 13, 2017

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Fernando Cavaleiro Ângelo

4 books2 followers

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for João Marques.
14 reviews2 followers
November 20, 2025
O tema é extremamente interessante e pouco explorado na literatura de divulgação sobre a Guerra em Angola: a consolidação do monopólio da intelligence pela PIDE/DGS, em competição com as Forças Armadas, e o papel estratégico dos Flechas, uma unidade paramilitar formada por bosquímanos/khoisan. Dotados de um profundo conhecimento do terreno, de uma lealdade extrema às autoridades portuguesas e de um ódio histórico aos bantus (que os escravizaram), os Flechas foram utilizados como instrumento de guerra não convencional — em ações de infiltração, sabotagem e contra-guerrilha.
A sua atuação alterou decisivamente o paradigma operacional na Zona Militar Leste, permitindo um domínio quase absoluto do território por parte das forças portuguesas na fase final do conflito. São também abordadas, com algum pormenor, as ligações à CIO rodesiana e à BOSS sul-africana, bem como o posterior recrutamento de bosquímanos pelos Selous Scouts e pelo 31.º Batalhão, numa altura em que estes já eram perseguidos pelo regime do MPLA.
O que realmente compromete o livro é a qualidade da escrita: demasiado técnica, repetitiva e pouco fluída.
156 reviews
November 13, 2025
Sôbre os Flechas aproveitam-se os capítulos 3-5 em português de estilo... possível.
« Outra vantagem muito apreciada pelos militares e pela P.I.D.E./D.G.S. era a sua extrema lealdade e devoção aos seus comandantes. Durante o seu serviço à P.I.D.E./D.G.S., não houve notícia de nenhuma deserção dos Flechas, nem de nenhuma captura sua pelos movimentos insurgentes. Registaram-se, porém algumas mortes de Flechas em combate.
[...] No período compreendido entre 1970 e 1973, a maioria das operações executadas pelos Flechas teve como área de actuação a Zona Militar Leste [de Angola], num total de 119 missões, das quais 88 ocorreram em 1972. Esse ano acabou por representar um marco na luta contra os insurgentes do M.P.L.A., fruto das rupturas internas do próprio movimento, do desmantelamento de toda a estrutura logísitca proveniente da Zâmbia, das acções dos Flechas e do esforço coordenado entre os militares, a P.I.D.E./D.G.S. e os congéneres vizinhos da Rodésia e África do Sul.
[...] Na frente Leste, a zona de guerra mais activa em Angola, os Flechas capturaram 46 insurgentes, mataram mais de 134, apreenderam largas quantidades de armas, munições e documentos importantíssimos, bem como libertaram muita da população que se encontrava refém dos grupos insurgentes.
[...] Numa intervenção dos Flechas, pelas nove da manhã de 18 de Fevereiro de 1971, destruíram-se dois acampamentos do M.P.L.A. perto da fronteira com a Zâmbia, chefiados pelo insurgente Chicungulo. Os Flechas abateram três insurgentes confirmados, recuperaram um homem, três mulheres, seis crianças e apreenderam um cahnhão sem recuo de 75milímetros, com tripé e protector de boca. O canhão apresentava as seguintes inscrições na parte posterior da câmara de explosão:
FRESTONG
115 lbs
INSP. B.A.S.
Riple 75m/m
ORD. CORPS U.S.A.
n. 7229965
[...] O sucedido motivou uma missiva dirigida à Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. O então adido de defesa, coronel P.L. Mosier acusou a recepção da carta [...]»

O resto é palha antifascista dando a comer aos já doutrinados do presente os dogmas em vigor. Uma redundante doutrinação, tanto mais estúpida quanto o A., imerso em anticolonialismo e valores de Abril, nem dela deve ter noção. E tanto mais paradoxal ainda quanto tem o A. a coragem de afirmar (não propor, nem sugerir; afirmar!) a enorme heresia de que a guerra em Angola fôra ganha no terreno, a guerrilha fôra reduzida a coisa nenhuma e Angola estava pacificada em 1974. No entanto é-lhe impossível sair do caldo de caserna pós-Abrilino, metido em carolas assim, que não pensam, apenas reverberam o som dos púlpitos da propaganda:

« Os políticos da Metrópole [...] conseguiram inexplicavelmente hipotecar os árduos ganhos militares conseguidos com sangue suor e lágrimas, ao não consentir uma aproximação e negociação com os movimentos insurgentes.»

Disto, basta dizer: 1) quem hipotecou tudo (Portugal por inteiro) foi o levantamento de rancho da tropa metropolitana em 25 de Abril de 1974 (quantos desses capitães de Abril foram condecorados por bravura na frente de batalha?...); 2) negociar era simplesmente capitular, como se depois provou com a tropa toda, cá e lá, a baixar as armas (já para não falar duns que acabaram a desfilar em cuecas...)
Mas era preciso entendê-lo.
Porém, deste entendimento falho saem antes tiradas como:
– «as últimas potências colonialistas de África», referindo-se a Portugal, Rodésia e África do Sul (alvíssaras a alguém que entenda que as fronteiras dos Estados paridos destes malditos colonialistas são tão coloniais como no tempo do... colonialismo);
– «movimentos insurgentes nacionalistas» que são eufemismo, ao longo de todo o livro para terroristas e guerrilheiros que combatiam Portugal — o móbil nacionalista é, aliás, neste tipo de doutrinação pelo discurso, descaradamente legitimador da guerrilha, mas no caso da defesa nacional portuguesa é posto em termos de regime («o regime de Salazar» — a defesa do Ultramar foi realmente coisa do regime, desde a conquista de Ceuta, garantidamente...);
– a referência anacrónica à Guiné portuguesa, naquele tempo, quase sempre e só como Guiné-Bissau, coisa do P.A.I.G.C., de 1975;
– a referência como «países vizinhos [de Angola]» a República do Congo, a República Democrática do Congo, a Tanzânia [!] e Zâmbia;
O texto está pejado de anglicismos (ou o novo normal crioulo amaricano como paradigma do português), comprovando fraco domínio da cultura portuguesa num oficial da Armada a devir historiador. Ex.: insurgência/insurgente por subversão, guerrilheiro &c.; inteligência por serviço secreto, de informações, espionagem; decepção (do ing. deception — v. to deceive) por ludíbrio, engano; disruptivo por quebra, corte, rompimento; revisitar por rever, reconsiderar &c.; Lawrence das Arábias por Lourenço da Arábia...
O uso do acordo ortográfico no livro comprova a conformação «nacional» deste oficial da Armada Portuguesa. E espelha cabalmente, em suma, o naufrágio português.
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