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304 pages, Paperback
First published January 13, 2017
« Outra vantagem muito apreciada pelos militares e pela P.I.D.E./D.G.S. era a sua extrema lealdade e devoção aos seus comandantes. Durante o seu serviço à P.I.D.E./D.G.S., não houve notícia de nenhuma deserção dos Flechas, nem de nenhuma captura sua pelos movimentos insurgentes. Registaram-se, porém algumas mortes de Flechas em combate.
[...] No período compreendido entre 1970 e 1973, a maioria das operações executadas pelos Flechas teve como área de actuação a Zona Militar Leste [de Angola], num total de 119 missões, das quais 88 ocorreram em 1972. Esse ano acabou por representar um marco na luta contra os insurgentes do M.P.L.A., fruto das rupturas internas do próprio movimento, do desmantelamento de toda a estrutura logísitca proveniente da Zâmbia, das acções dos Flechas e do esforço coordenado entre os militares, a P.I.D.E./D.G.S. e os congéneres vizinhos da Rodésia e África do Sul.
[...] Na frente Leste, a zona de guerra mais activa em Angola, os Flechas capturaram 46 insurgentes, mataram mais de 134, apreenderam largas quantidades de armas, munições e documentos importantíssimos, bem como libertaram muita da população que se encontrava refém dos grupos insurgentes.
[...] Numa intervenção dos Flechas, pelas nove da manhã de 18 de Fevereiro de 1971, destruíram-se dois acampamentos do M.P.L.A. perto da fronteira com a Zâmbia, chefiados pelo insurgente Chicungulo. Os Flechas abateram três insurgentes confirmados, recuperaram um homem, três mulheres, seis crianças e apreenderam um cahnhão sem recuo de 75milímetros, com tripé e protector de boca. O canhão apresentava as seguintes inscrições na parte posterior da câmara de explosão:
FRESTONG
115 lbs
INSP. B.A.S.
Riple 75m/m
ORD. CORPS U.S.A.
n. 7229965
[...] O sucedido motivou uma missiva dirigida à Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. O então adido de defesa, coronel P.L. Mosier acusou a recepção da carta [...]»
O resto é palha antifascista dando a comer aos já doutrinados do presente os dogmas em vigor. Uma redundante doutrinação, tanto mais estúpida quanto o A., imerso em anticolonialismo e valores de Abril, nem dela deve ter noção. E tanto mais paradoxal ainda quanto tem o A. a coragem de afirmar (não propor, nem sugerir; afirmar!) a enorme heresia de que a guerra em Angola fôra ganha no terreno, a guerrilha fôra reduzida a coisa nenhuma e Angola estava pacificada em 1974. No entanto é-lhe impossível sair do caldo de caserna pós-Abrilino, metido em carolas assim, que não pensam, apenas reverberam o som dos púlpitos da propaganda:
« Os políticos da Metrópole [...] conseguiram inexplicavelmente hipotecar os árduos ganhos militares conseguidos com sangue suor e lágrimas, ao não consentir uma aproximação e negociação com os movimentos insurgentes.»