O volume Contos do Norte (1900), de Marques de Carvalho, foi reeditado apenas em 1907. Passados cento e cinco anos, a Coleção Estudos Amazônicos - Literatura - traz a público a terceira edição desta coletânea de narrativas curtas. Escritos como "uma homenagem ao povo paraense", os oito contos aqui coligidos tentam configurar uma visão de uma vida marcada pela singeleza e pela bondade nativa. Oscilando entre a paisagem urbana e a litorânea, entre o forte cromatismo da descrição e o rigor naturalista, entre a formulação ideológica e a imagética intensamente sensorial e sinestésica, o Contos do Norte traz uma síntese da paisagem física e dos dramas humanos vivenciados nas mais diversas regiões do Pará, todas elas marcadas pela presença avassaladora da água.
Além de diplomata, foi escritor e jornalista. João Marques de Carvalho foi um brasileiro culto que concluiu os estudos em Lisboa, morou na França e voltou ao Brasil para seguir a carreira de jornalista no Diário de Belém, em 1884. Mas, ao tentar publicar no periódico o conto “Que bom marido!” teve seu pedido negado, rompendo assim seus laços com o veículo. Um dia depois o conto saiu em A Província do Pará e, mais tarde, também em Contos Paraenses (1889). Ainda jornalista, em 1887 tornou-se um dos fundadores e o redator-chefe do Diário do Comércio do Pará. No ano seguinte publicou “Hortência”, um romance naturalista que retrata um incesto entre dois irmãos, que se tornou a sua principal obra. Sua carreira jornalística e literária foi interrompida pela diplomática, mas após a acusação de crimes de peculato e estelionato retomou as atividades no A Província do Pará e fundou a Academia Paraense de Letras. Pouco tempo depois, fica doente, muda-se para Nice e falece em abril de 1910.