"A poesia de Oswald de Andrade é de uma atualidade que chega a ser atordoante. O poema-piada, o poema telegráfico, a lírica que reencena — com sátira — nossa história, o deboche, o jogo verbal e a anotação ferina. Em volumes como Pau Brasil, Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade e Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, Oswald se mostra o “pai” de manifestações como o Concretismo, a Tropicália e a poesia marginal. Além das obras publicadas por Oswald, o volume traz um grupo significativo de poemas nunca reunidos em livro. A edição conta com textos em prosa com apreciações críticas do próprio Oswald e de Carlos Drummond de Andrade, Mário da Silva Brito e Haroldo de Campos."
José Oswald de Andrade Souza (January 11, 1890 – October 22, 1954) was a Brazilian poet and polemicist. He was born and spent most of his life in São Paulo. Andrade was one of the founders of Brazilian modernism and a member of the Group of Five, along with Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral and Menotti del Picchia. He participated in the Week of Modern Art (Semana de Arte Moderna). Andrade is best known for his manifesto of Brazilian nationalism, Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto), published in 1928. Its argument is that Brazil's history of "cannibalizing" other cultures is its greatest strength, while playing on the modernists' primitivist interest in cannibalism as an alleged tribal rite. Cannibalism becomes a way for Brazil to assert itself against European postcolonial cultural domination. The Manifesto's iconic line is "Tupi or not Tupi: that is the question." The line is simultaneously a celebration of the Tupi, who had been at times accused of cannibalism (most notoriously by Hans Staden), and an instance of cannibalism: it eats Shakespeare. Born into a wealthy family, Andrade used his money and connections to support numerous modernist artists and projects. He sponsored the publication of several major novels of the period, produced a number of experimental plays, and supported several painters, including Tarsila do Amaral, with whom he had a long affair, and Lasar Segall. His role in the modernist community was made somewhat awkward, however, by his feud with Mário de Andrade, which lasted from 1929 (after Oswald de Andrade published a pseudonymous essay mocking Mário for effeminacy) until Mário de Andrade's untimely death in 1945.
Poesia revolucionária, tanto no sentido estético como no fato de Oswald ser um voraz representante da esquerda, esta edição é aparentemente é a mais completa a divulgar sua lírica e que aqui é belamente cortejada por um estupendo texto de Haroldo de Campos que faz exalar ainda mais a perspícácia oswaldiana.
Apesar de ser bastante conhecido, Oswald não é assim tão re-conhecido, e seu lugar no cânone do modernismo e na literatura brasileira em geral até recentemente era bastante incerto. Só com os desenvolvimentos mais propriamente "pós"-modernos do concretismo, da Tropicália e além foi que a dicção oswaldiana se tornou corrente na poesia nacional. Por esse motivo, é excelente ter uma nova reunião dos poemas do autor, edição de enorme valia para redescobrir a feição sugestiva e revolucionário da poesia de Oswald.
A verdade é que o Osvaldo deu muita coisa a germinar; ele é sempre o mais jovem entre os velhos escritores brasileiros. Talvez por essa sua jovialidade ele ocupe um lugar estranho no cânone nacional: ele é o grande criador de obra alguma; fala-se do modernismo ou da Semana de 22 (ai, como me doem os manuais!) sem se ler os seus textos. A Poesia Pau-Brasil, tadinha, restou como umas linhas de seus manifestos e uma ideia inconsequente. É um recalque; d'Andrade fica melhor escondido e pacificado, pois a sua potência abala estruturalmente a própria ideia do cânone nacional e de sua "reverência". Dos poemas do livro, gosto imenso de "Cântico dos Cânticos Para Flauta e Violão" e de todo o "Primeiro Caderno", que é o livrinho mais cretino e delicioso. Mas tem muitas joias pra contar. O ensaiozão do Haroldo de Campos no final do livro é um mapa interessantíssimo da obra oswaldiana e de sua posição na literatura brasileira, mas não é estritamente necessário: bastam, por exemplo, os versos "América do Sul/América do Sol/América do Sal" para que muito se faça entender. Viva Osvaldo!