"O Último Amante" reúne duas novelas publicadas em 1990 pela Cotovia (num livro com o mesmo título) – «A Minha Vida com Bela» e «O Último Amante» –, a que se juntam duas inéditas: «Antes da Revolução» e «A Canção do Lagarto Negro».
Nasceu em 1945 e é licenciada em Direito e também em Românicas, tendo exercido a actividade de conservadora do Registo Civil. O seu nome literário é um pseudónimo, desconhecendo-se o ser verdadeiro nome.
A sua estreia literária ocorreu em 1981, com «Jacobo e Outras Histórias, tendo então recebido o Prémio Literário Círculo de Leitores. Apenas em 1990 publicou novo livro, «O Último Amante», a que se seguiu «História da Bela Fria» (1992), com o qual venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção.
Ainda na década de 90 do século XX, escreveu «A Paz Doméstica (1999), o seu único romance. Nos últimos anos publicou «As Enganadas» (2003) e «Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín (2008), vencendo, novamente, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.
Tranquilamente um dos livros do ano. Há uma melodia na escrita dela que não encontro em mais lado nenhum. Não sei explicar porque é que há pedaços de texto que me atraem tanto:
"Atribuímos grande importância a estes passeios noturnos que nunca deixarão de deslumbrar-nos, sobretudo quando o céu se apresenta limpo e coalhado de estrelas e os pirilampos escondidos na erva emitem sinais de luzes, fazendo-nos sentir duas crianças perdidas que avançam, dominando o medo, no interior de um enigma deslumbrante"
Já li há algum tempo O Último Amante, que me foi oferecido por um amigo. O Último Amante reúne quatro contos - ou serão novelas? confesso a minha dificuldade em lidar com estas classificações - e tendo gostado de todos, gostei particularmente do primeiro, A minha vida com Bela. Bela é a Florbela Espanca por quem a narradora nutre uma profunda admiração e a quem decide escrever uma carta. Combinam encontrar-se e decide convidar Bela a passar uns dias no Algarve numa casa que tinha acabado de comprar. Ali passam uns tempos, entre setembro e novembro, passeando, escrevendo e lendo, numa relação quase servil da narradora relativamente a Florbela. Apesar de sabermos que se trata de uma história ficcionada, não consegui deixar de me interrogar se haveria alguma verdade naqueles dias passados pelas duas. O segundo conto, que dá o nome ao livro, O Último Amante, passa-se em Lisboa. Escrito, como o anterior, na primeira pessoa do singular, é narrado por uma jovem que vive com a família numa casa que fica defronte de uma casa apalaçada onde mora um jovem marquês, que se encontra muito doente e que se sente atraído por ela. Mas sem que se aperceba, o padrasto do jovem também se sente atraído por ela, o que espoleta uma grave crise familiar. O terceiro conto, Antes da revolução, conta a história da chegada a Portugal, para uma curta estadia, de Antoine, sobrinho cineasta da mãe da narradora. O sobrinho trabalhou como assistente de realização e tinha realizado apenas uma curtíssima metragem, mas aceita as deferências com que é recebido e apresentado. No último conto, Canção do lagarto negro, o narrador é um homem que vive com Felícia que à noite espreita os movimentos de uma casa que fica em frente. Naqueloutra casa vive Raquel, com quem ele mantém uma relação clandestina que é interrompida quando ela recebe em casa um familiar gravemente doente. Mas resumir estes contos é dizer muito pouco sobre eles. Se por um lado não quero estragar o prazer de quem ler estes contos descobrir as histórias que Teresa Veiga nos conta e os respetivos desfechos, em todos há pequenas histórias que correm paralelas, conflitos internos, descobertas pessoais e até personagens que passam de um para outro conto. A edição é muito bonita. Fiquei curiosa quanto à pequena fotografia a preto e branco, com três mulheres, que aparece na página 5 e que não é referida em lado nenhum, nem tem legenda.
Gostei, mas sinto que não me “encheu as medidas”. Pode ter sido de estar pouco focada no livro, de ter lido mais “em partes” e não tanto “horas de seguida”, mas não fiquei agarrada. Gostei das histórias, gosto muito da forma como a Teresa Veiga escreve, e gostei do facto de haver uma personagem de ligação entre cada história, mesmo que (muito) indirectamente.