Este é um livro de histórias mas não de histórias soltas, pois como muitos de vocês já sabem, essa não é a minha praia. É um livro de histórias da vida, que poderia ter sido criado com base na minha ou na vossa, mas não foi. A escolhida foi Hannah Green. Uma menina de onze anos, que antes de se envolver neste enredo, já se tinha envolvido em muitos outros como “(..) A História de Ter Um Cabelo Castanho Irritantemente Liso, As Crónicas das Maldades Infundadas da Minha Amiga Ellie, e a Saga da Absoluta Injustiça de Não Poder Ter um Gatinho. Porém, uma outra história mais recente passara a dominar a sua vida, crescendo de tal forma e modificando tão profundamente tanta coisa, que acabara por se sobrepor a todas as outras.
Uma história antiga, triste e confusa chamada A Mãe e o Pai Já Não Vivem Juntos.”
Todos nós temos um breaking point, e o pai de Hannah (que ficara responsável por ela) atingira o seu algum tempo depois da separação. Precisava de processar tudo o que tinha acontecido, ponderar no que faria em relação à casa e voltar a ganhar alguns nervos de aço para lidar com o trabalho. Por isto e talvez por muito mais, Hannah foi passar umas férias com o avô.
Sair daquela terra por uns tempos pareceu-lhe algo apelativo, talvez lhe fizesse bem também mudar de ares e, tendo em conta o avô que tinha, isso não seria difícil. Uma das singularidades dele “era o facto de não viver em lado nenhum em particular.” A sua casa era onde lhe apetecesse estar desde que ficara viúvo.
Foi nessa viagem que Hannah descobriu quem realmente era aquele homem que sempre amou. Não era apenas um relojoeiro como sempre julgara, era um engenheiro. O Engenheiro da máquina de sacrifícios do Diabo! Dá para acreditar?
A máquina começara a ter problemas, grandes problemas. Segundo o Diabo esta não estava a canalizar toda a energia malévola originada pelos humanos para o mesmo sítio, sabia-o porque começara a sentir-se a enfraquecer… E vocês deverão estar a pensar, mas isso não é bom? Não, acreditem! Nada bom! Mesmo sem nos apercebermos, nós, na vida real, já vimos o que acontece quando essa máquina tem uma falha. Para entenderem o que estou a dizer, só mesmo lendo o livro!
E é assim que se inicia uma tenebrosa aventura maquinada pelo Diabo, onde Hannah terá que ser acima de tudo resiliente para conseguir superar as inúmeras situações que irão expor, não só as suas fragilidades e os seus medos, mas também as daqueles que mais ama.
Esta foi sem dúvida uma leitura cheia de metáforas e de lições. Por vezes um pouco confusa, mas bem mais animada do que esperava! O demónio Vaneclaw foi sem dúvida a minha personagem preferida! O desastre em forma de cogumelo!
Além de nos proporcionar alguns risos, este livro leva-nos também a reflectir em como as palavras são efectivamente o nosso destino, pois este “nunca é um lugar, mas sim uma nova forma de encarar as coisas.” Somos a soma do que acontece entre nós e aqueles que nos rodeiam, e faz-nos também ver que é necessário haver mal para o universo estar em equilíbrio. Não há só preto ou só branco, mas sim uns quantos tons de cinzento. E é engraçado, como através de uma história totalmente fantasiosa, tanto se explica e tanto se entende.
Apesar de não me ter apaixonado, acaba por ser uma escolha introdutória interessante para quem não está habituado a ler fantasia (como eu), por termos presentes bastantes elementos bem como personagens “reais”. É um livro simples, fluído e com alguma energia que cumpre bem o seu papel de entreter. That’s all folks!