«Naquela altura, mais precisamente no dia 9 de Setembro de 1977, os comboios da linha Póvoa de Varzim-Porto (Trindade) ainda eram movidos a carvão e foi num deles que se iniciou, nessa data, a minha longa viagem ao País dos Sovietes.[…] A mala era leve porque, além de não haver dinheiro para mais, eu estava convencido de que não se ia para o “Paraíso Terrestre” com a casa às costas, porque nesse lugar não costuma faltar nada, à excepção do pecado. Sim, eu ia viver na sociedade quase perfeita, na transição do socialismo desenvolvido para o comunismo.»José Milhazes
JOSÉ MANUEL MILHAZES PINTO nasceu a 2 de Outubro de 1958 na Póvoa de Varzim. Licenciado em História da Rússia (1984) e Mestre em Ciências Históricas pela Universidade Estatal de Moscovo (Lomonossov) e doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2008), com a tese Influência das ideias liberais espanholas e portuguesas no Movimento dos Dezembristas na Rússia. É investigador integrado do Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM-FL/UP). Entre 1989 e 2015, trabalhou como correspondente de vários órgãos de informação nacionais e internacionais na Rússia e na Comunidade dos Estados Independentes. Autor de numerosos artigos e livros sobre as relações entre Portugal e a Rússia, sobre a política da URSS nas ex-colónias portuguesas de África e sobre as relações entre o Partido Comunista Português e o Partido Comunista da União Soviética. Leccionou em várias universidades russas e portuguesas. Actualmente, é comentador de assuntos internacionais da SIC e RDP. Foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santa Maria (Estónia) e com a Comenda da Ordem do Mérito (Portugal).
José Milhazes era um jovem de uma humilde família de pescadores na Póvoa de Varzim quando descobriu uma paixão. Não era uma paixão amorosa, mas uma que muitos outros portugueses tinham nessa altura (pós-25 Abril), uma paixão política pelo comunismo. Claro que como esses outros, esta paixão vinha de um desconhecimento da realidade do comunismo. Mas quando acaba o secundário, José Milhazes recebe a oportunidade de ir estudar para a universidade na União Soviética... Acabaria por ficar aí quase durante 40 anos, o que lhe permitiu testemunhar a queda do regime, assim como a ascenção de Putin. Num estilo claro, José Milhazes conta alguns dos episódios que viveu nesses 40 anos, misturando a sua autobiografia com um pouco de História da URSS. Creio que vale a pena ler o livro, que dá um testemunho de um encontro com as falsas promessas do comunismo, e consequente afastamento da ideologia.
Gostaria de ter lido um pouco mais sobre a sua progressiva aproximação ao comunismo na juventude e o que o levou para esta ideologia, mas isso é um exercício mais exigente de auto-psicanálise. Para quem, como eu, tem interesse nessa vertente do comunismo entre os jovens (o sentido de pertença, a rebeldia, etc.), não posso deixar de recomendar as "Conversas na Catedral" do Mario Vargas Llosa que apesar de ficção tem uma apresentação deste processo maravilhosa.
Não é um livro de leitura fácil, se por um lado é escrito de uma forma leve e interessante para quem se interessa pela Rússia, há alguns saltos temporais que tornam difícil a sua compreensão. Fica a meio entre a autobiografia e um livro de história. Não deixa no entanto de ser um testemunho de uma vida, de alguém diferente.
Gostava que contasse mais coisas sobre como é viver na Rússia com frio, das suas relações com diplomacia portuguesa, das suas relações com vários governos portugueses... só para dar alguns exemplos...
Cresci a ouvir a sua voz e aquele sotaque característico, por isso, foi com alguma curiosidade que adquiri esta obra. O "barbudo" da Rússia sempre foi uma referência, assim como o Carlos Fino e os directos de Bagdad, entre muitos outros, que segui colado ao ecrã e/ou com os ouvidos na rádio [sim era uma criança estranha]. Livro de agradável leitura, numa escrita simples, despretensioso e até desenpoierada. Nesta obra, Milhazes faz uma espécie de autobiografia, desde os tempos agitados do 25 de Abril de 74, altura em que se filiou no PCP, passando pelo período em que estudou e trabalhou na ex-URSS, onde assistiu ao colapso deste império e viu nascer a "nova" Rússia, a mesma que o levaria mais recentemente a voltar a Portugal. Termina com uma reflexão sobre o perigar da democracia naquele país, como Putin se tornou um "quase" líder autoritário e os desafios que coloca a nível internacional. Recomendo vivamente a sua leitura.
Tinha muita curiosidade em ler este livro, sobretudo pela empatia que tenho pelo autor e o fascínio que tinha pela URSS. Acaba por ser um livro interessante, mas que me fez questionar uma série de coisas... E nem sempre a nível político. No entanto, é sempre bom ler algo de quem vivenciou e "sentiu na pele" uma época controversa.
Gostei. É um relato esclarecedor da experiência de José Milhazes, que viveu mais de três décadas na União Soviética, mais tarde Federação Russa. O livro acompanha a sua jornada pessoal, desde o entusiasmo juvenil com o ideal comunista até ao seu progressivo desapego, coincidente com o colapso do regime soviético. Entre choques culturais, vigilância constante e contradições do sistema, o autor oferece um testemunho raro de quem conheceu o império soviético no seu quotidiano. Desta leitura fica a reflexão do autor no momento em que deixou a militância de 17 anos do PCP: " Teria sido tempo perdido? Acho que não, pelo contrário, foi uma lição de vida muito grande e uma vacina definitiva contra regimes totalitários, sejam eles de esquerda ou de direita".
Demorei vários meses a ler este livro . É um livro autobiográfico. Já conhecia o autor das suas reportagens na Sic a partir da Praça Vermelha . Achei muito interessante a evolução do seu pensamento político . Foi para a Rússia um jovem comunista cheio de ideais e regressou convencido da realidade do que é viver num país comunista . Agora escreve no Observador . Não adorei a sua forma de escrever e achei muito sem graça as anedotas soviéticas que espalha ao longo do livro. A parte final com a história da pequena Alexandra achei que vinha a despropósito neste livro . Só o acabei porque não gosto de deixar livros a meio.
De manhã cedo, Ianukovitch sai para a varanda do seu palácio, espreguiça-se e diz: - Bom dia, Sol. O Sol responde-lhe: - Bom dia, nosso querido líder! Bom dia para si! Victor Ianukovitch vai trabalhar em prol do povo e regressa a casa ao pôr-do-sol. Sai para a varanda e diz: - Solinho, deseja-me boa noite. O Sol responde-lhe: - Vai-te lixar! - Ouvi mal? De manhã saudaste-me e agora insultas-me? - pergunta Ianukovitch. - Porque de manhã eu estava no Leste e agora estou no Ocidente - responde o Sol.
Quem se habitou como eu a ouvir e ver as crónicas do José Milhazes na rádio e televisao, directamente da Rússia, sente afinidade especial ao ler este livro. É autobiográfico sim, mas num sentido vivencial sobre a União Soviética e sobre como foi presenciar todo um período de dramática transformação, da URSS e dele próprio.
Entre o livro de memórias e o registo de uma epoca a obra fica sempre um pouco aquem assim ao jeito das historias que se contam entre amigos. O melhor sao mesmo as "anedotas" soviéticas quais flashes que surpreendem o desencanto com a hipocrisia dos poderes.
I guess it is one of the best books I could recently read about my country (I am a Russian by origin) and I can agree with almost everything the author writes. It is always useful to look at one’s country with eyes of a foreigner especially if he has real interest in it and understands it so well. It is also quite interesting and in many ways unique biography of a person who spent 38 years in foreign country to became (in my opinion) one of the best specialist in the field. I am only a little bit older than the author and remember this time quite well. It is pity if the book would not be available in some other languages but I am afraid that we need to wait some more time to make it acceptable in the country it deals with...
Gosto de “Zé” Milhazes pela sua origem humilde, pelo dialeto povoense, pelos óculos redondos e a sua barba de Pai Natal, e pelo apoio inabalável à Ucrânia contra a agressão russa. Além disso, como é um relato em primeira pessoa das suas experiências no estranho país da União Soviética, eu tinha grandes esperanças para este livro. Elas foram apenas parcialmente cumpridas.
Porquê é que o livro não cumpre o seu potencial? Uma razão, acredito, pode ser que Milhazes, com este livro, simplesmente não tenha grandes ambições literárias. Ou se as tem, não as consegue cumprir. O livro poderia ter sido um conto épico da jornada de um homem, desde a sua infância no norte de Portugal, até ao coração da União Soviética e além, cheio de curiosidade e paixão, jogado nas grandes ondas da história, como um barco num mar tempestuoso. Em vez disso, é um relato fragmentado e inconstante, sem uma história clara e abrangente. Não possui as passagens descritivas e cativantes, que transporta o leitor para os lugares e eventos sobre os quais lê. Não tem a economia e a pungência da linguagem, que autores ambiciosos se esforçam tanto para alcançar. Como dito, possivelmente Milhazes não tinha tais pretensões, mas apenas queria um livro rapidamente escrito e rapidamente lido, como um artigo de jornal. Nesse caso, conseguiu.
Embora o livro seja essencialmente uma autobiografia, contada por ordem cronológica, às vezes faz saltos surpreendentes no tempo. Tais podem ser meios narrativos poderosos, mas aqui parecem desnecessários e distrativos. Como quando o autor, ao mencionar um amigo da sua juventude, decide reimprimir na íntegra o obituário do amigo, que escreveu muitos anos depois. Foi simplesmente porque era uma maneira rápida de preencher mais uma página?
O autor descreve sua a infância e a sua juventude em detalhes consideráveis, e essa janela para o passado não é desinteressante. Mas aqui também o estilo é irregular. Por exemplo, ele menciona nas primeiras páginas, que o seu irmão mais velho morreu no mar, a trabalhar numa traineira que se afundou. Esta deve ter sido uma experiência traumática para o jovem José e sua família, esperando contra a esperança de que de alguma forma o seu irmão e filho tivessem sobrevivido, até que finalmente a verdade brutal não pudesse mais ser negada. Mas, não, não há mais nada no livro sobre isso, apenas a menção passageira no início, fora da cronologia.
Isso, para uma autobiografia estranha, ausência de detalhes sobre eventos que mudam a vida do autor atinge o seu ápice absurdo no capítulo em que Milhazes promete nos contar “…como uma jovem estoniana entrou na minha vida”. Ele conta como ele e seus amigos costumavam festejar. Depois declara, sem detalhes, que "Foi numa dessas festas que conheci a Siiri". A frase seguinte é: "Quando a gravidez estava a chegar ao fim, ela…”. Espere um minuto! O que aconteceu entre você e sua futura esposa quando se conheceram? Foi amor à primeira vista? Onde está a paixão? E qual gravidez? É como se, por engano, entre estas duas frases, um capítulo inteiro tivesse sido deixado de fora da impressão. Mas como o livro afirma estar na sua oitava edição, é improvável que tal erro não tenha sido corrigido.
Milhazes viveu em Moscovo durante anos de grandes mudanças, especialmente aquelas trazidas pelo Mikhail Gorbatchov. Às vezes, como tradutor e como jornalista, esteve próximo dos acontecimentos históricos. Mas os eventos são relatados quase sem reflexão ou análise. O autor deixa claro que gostou de Gorbatchov pela sua honestidade e pelas suas tentativas de reestruturar a União Soviética. Mas o que Gorbatchov estava realmente a tentar fazer, e porquê essas tentativas falharam? Houve alguma chance real de conciliar o socialismo com um tipo de economia de mercado, como ele parece ter tido em mente? Ou as contradições internas em tal sistema não eram grandes demais para que fosse uma possibilidade real? Diante da força e dinamismo das economias capitalistas, o colapso da sociedade socialista, rígida e adversa à iniciativa individual, nem sempre foi inevitável? Milhazes não compartilha connosco os seus pensamentos sobre isso, talvez porque não os tem. A analise, económica ou política, não parece o ponto forte dele. Ele é um moralista, não um pensador. O seu próprio desenvolvimento de um comunista convicto na sua juventude, até o ponto em que, muitos anos depois, ele decide deixar o partido, também poderia ter sido um objeto para mais reflexão. Porquê é que ele se tornou comunista, e como foi que as suas dúvidas começaram? Quais foram os eventos que finalmente o forçaram a mudar as suas convicções? Talvez tenha sido a deceção com a vida na Uni��o Soviética, talvez com o dogmatismo fossilizado do PCP, mas quais eram realmente os seus pensamentos e motivos?
O capítulo final do livro, o triste caso de uma criança russa tirada dos seus pais adotivos portugueses e enviada de volta para a sua mãe alcoólica na Rússia, não se encaixa bem na narrativa do livro. Parece mais um caso em que Milhazes cai na tentação de encher algumas páginas com material à mão, adequado ou não. Também acho menos feliz que o autor às vezes use o livro para relembrar velhas queixas, como por exemplo a sua disputa contratual com uma estação de televisão portuguesa. Parece pouco generoso e não assim relevante para o livro.
Para concluir: Este livro é praticamente uma autobiografia, o que significa que o autor passa a sua vida e o seu legado aos leitores e às gerações futuras. Assim, é surpreendente que ele não tenha tido mais cuidado com a composição e com a linguagem, para criar uma narrativa integrada, com mais força. De qualquer forma, como testemunho duma comunidade de pescadores, no final da ditadura, e dos anos finais do poderoso império soviético, vale a pena ler.
Gostei bastante de ver um pouco da URSS pelos olhos de quem lá realmente viveu. É também interessante verificar como um jovem comunista português abre os olhos e percebe que afinal o paraíso não era assim tão paradisíaco.
Quando, no início deste livro, vi que os primeiros capítulos incidiam sobre a vida de José Milhazes, desde a sua infância até partir para a então União Soviética, achei que iria ser um pouco enfadonho - mas não, de todo! Achei super interessante desde o início; perceber como viviam aquelas pessoas humildes pescadores da Póvoa de Varzim, as brincadeiras, as angustias... Além disso, a biografia de José Milhazes e do meio de onde é proveniente mistura-se com a própria história do país. À medida que ia lendo, consegui identificar-me com o autor em tudo: a vontade em lutar por uma sociedade mais justa, mas também a desilusão em perceber que os ideais que perseguimos, por vezes, saem gorados e não passam de utopias. A diferença é que José Milhazes viveu por dentro da sociedade comunista e foi-se apercebendo que o seu sonho se ia desmoronando à medida que aprofundava mais. Além de descrever o próprio percurso como estudante e depois como profissional, seja como tradutor e posteriormente jornalista, José Milhazes também contextualiza a Rússia nos tempos em que lá viveu.
A escrita do autor é bastante simples, e com humor à mistura. É um livro que se lê bastante rápido, sobretudo para quem se interessar sobre o tema. Além disso, pelo meio, o autor evoca anedotas soviéticas que contextualizam as temáticas que descreve. Achei imensa piada.
A Rússia sempre me fascinou, mas assim como José Milhazes, o regime comunista não é o que aparenta, e apercebo-me que vivo realmente no paraíso, tendo em conta a realidade de tantas outras pessoas.
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”As minhas aventuras no país dos sovietes - A união soviética tal como a vivi” de José Milhazes demorou-me menos de nada a ler. E notem, o livro não é fininho, são cerca de 40 anos em páginas que se lêm a correr.
📚Em 1977 o autor partia em busca da sociedade perfeita e o que descobriu…foi “ligeiramente”, entre muitas aspas, diferente.
✔️Os motivos para ler são mais que muitos mas a política é o menor deles.
✔️Sobretudo destaco a capacidade de adaptação a um país, cultura e língua por forma a sobreviver sempre fiel aos seus ideais.
✔️A forma de estar na vida do Milhazes garante-lhe hoje o estatuto que sabemos. Um homem que soube estar quando teve de estar e soube sair quando foi tempo de sair.
✔️Atrevo-me a dizer que…apesar de ter perdido aquele idealismo jovem em busca de uma sociedade perfeita, até porque a idade já lhe pesa e a experiência de vida também, mas sinto que ainda bate um coração idealista que sonha com um mundo melhor…infelizmente sabe que estamos longe disso.
Um relato de parte da vida de José Milhazes quando este viveu na União Soviética e a história da sua família e do seu crescimento até partir para esse país longínquo. Nestas páginas pude perceber como um convicto comunista aos poucos foi perdendo e deixando de acreditar nas suas convicções marxistas e os porquês de tê-lo feito, com o fracasso dos países socialistas comunistas da URSS e os seus ideais. Este livro é por isso de importante leitura para perceber como não se pode apoiar regimes totalitários nem de esquerda nem de direita e como devemos sempre ser pelas sociedades democráticas o mais possivel. Porque, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, aquando dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, tenhamos a honestidade e a humildade de preferir as democracias, ainda que imperfeitas, às ditaduras.
No livro conhecemos a história do “Zé” Milhazes que eu conhecia da televisão, mas só descobri que tinha escrito pelo menos um livro na Festa do Livro em Belém, em 2019 ou 2021.
Aqui ele fala da sua vida, aventuras e peripécias desde criança, ir para a escola, seminário e depois estudar para a Rússia onde ficou durante 38 anos, pelo meio coloca muita história da URSS, da atual Rússia e de outros países que pertenciam à URSS pode parecer massudo ou cansativo, mas não é, quase parece que ele está a contar-nos diretamente e não que estamos a ler.
Também se percebe muito bem o porquê de ele ser um critico tão grande do Partido Comunista Português e defender tanto o povo ucraniano.
Foi um verdadeiro prazer ler e vou de certeza continuar.
Pelo apreço especial a José Milhazes e pela atualidade do conflito Russia/Ucrânia, levou-me a ler este livro. Numa escrita despretensiosa e simples, ficamos a conhecer com a sua autobiografia, o que foi a União Soviética; a desilusão do autor face ao Comunismo inicialmente proletariado em Portugal; os episódios políticos e sociais mais marcantes. Gostei do livro, aprendi alguma da realidade social e politica soviética, contudo o autor poderia ter ido mais longe, ao abordar mais as temáticas quotidianas e sociais da Rússia, ficamos com a fome de saber mais.
Interesse/comoção: 3 Escrita e estrutura: 3 Aprendizagem: 4
O misto de autobiografia e de memórias ficou o registo certo para descrever o gradual desencanto do autor com o comunismo soviético. Adorei as notas pessoais e os pormenores corriqueiros do quotidiano numa URSS decadente. As anedotas ajudam a reconstituir o ponto de vista crítico e coevo, além de que o relato da queda da URSS por quem estava no meio do furacão tem outro sabor.
Um bom livro que mistura a biografia do José Milhazes, de origens humildes, que decide candidatar-se a uma bolsa de estudos na União Soviética. Nos 40 anos posteriores, torna-se correspondente dos media portugueses na Rússia e vai-se afastando dos ideais comunistas ao ver toda a corrupção e miséria que lastrava no país dos czares. Recomendo.
Um testemunho único que vale a pena ler por isso mesmo. A escrita é fluida e fácil de entender. Gostei que tivesse as piadas russas pelo meio. Dou-lhe 3 estrelas porque tem tantos nomes, tanta história para contar, que em partes já não sabia quem era quem. Admitindo que o meu conhecimento da história russa é diminuto, continuo a achar que será difícil para outros seguir tanta informação.
O primeiro livro que li do José Milhazes, já era fã dele pelo que dizia quando o via no jornal da sic e agora ainda mais por este livro. Ele descreve um pouco da sua vida, e do que passou na russia, passando uma imagem de vários acontecimentos que lá viveu nos últimos 40 anos. Adorei, e estou agora ansioso por ler o próximo.
Um excelente relato pessoal da vida de José Milhazes na União Soviética, desde das ilusões com o comunismo, as dificuldades passadas em Moscovo, ao testemunho de eventos que marcaram o fim do último século, sempre num tom bem disposto e com algum humor a mistura. Excelente!
A very witty first hand account of how life was in the USSR. A real life journey of how a once true believer in communism realizes by first hand experience of 40 years in Russia, that it is an ideology that can only bring misery to the people it subjugates.
Excelente livro para perceber como é realmente viver num país comunista, tendo como pano de fundo a união soviética dos anos 1980-90 pelo olhar de um comunista ferveroso que acaba desencantado com os ideias comunistas pela sua experiência na "pátria do comunismo". Aconselho.
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José Milhazes é um contador de histórias natural, o que faz deste livro uma leitura extremamente fácil que nos transporta para a era da decadência da União Soviética e nos dá a perspectiva necessária para compreendermos como chegámos à situação geo-política da Europa actual.
Gostei muito de ler este pedacinho de vida de José Milhazes, e conseguimos perceber como a Rússia realmente funciona (como se não soubéssemos já) com aprofundamento e histórias vividas pelo autor. Recomendo bastante.
narrativa muito interessante. capta a imaginacao do leitor de uma russia que apesar de nao surpreender muito... da a conhecer detalhes coloridos desse pais unico.