Ashita no Joe começou me causando um pouco de estranheza por conta dos desenhos um pouco cartunescos - parecendo o início das animações da Disney e aquele Mickey que até entrou em domínio público - e devido a trama inicialmente rasa com o protagonista que resolve tudo no punho de maneira fácil. Porém, levando em consideração que o mangá foi publicado em 1963 – 1973, faz todo sentido esse estilo de traço e a narrativa.
Embora a sensação de estranheza tenha me pegado de início, ela foi se afastando conforme a história ia avançando, pois o sentimento de curiosidade começa a crescer. Nós acompanhamos o jovem Joe Yabuki perambulando por ruas de um bairro periférico de Tokyo e do nada ele começa a se meter em confusões, primeiro com morador de rua, depois com crianças e por fim com uma gangue. Entretanto, em todos os embates ele consegue vencer os adversários utilizando de seus punhos. E aí pensamos: Quem é Joe Yabuki? Como ele chegou aqui? Qual seu objetivo? Como ele luta tão bem?
Nenhuma dessas perguntas é respondida logo de cara – inclusive eu acho isso bem interessante, pois faz você continuar lendo para descobrir – e começamos a acompanhar a jornada de Joe como sendo um jovem solitário, que ao que tudo indica, não possui um lar.
Após os incidentes supramencionados envolvendo lutas, um ex-boxeador, Danpei Tange, reconhece o talento de Joe e fica obcecado pelo garoto, indicando que ele será o próximo campeão do esporte, tendo em vista que ele já possui talento natural e precisa treinar o esporte para aperfeiçoar esse talento. Assim, o ex-boxeador insiste em treinar Joe e torna-lo um campeão, e por isso, os dois passam a dividir um espaço juntos.
Embora Joe aceite ser tutelado por Danpei, tal aceitação é traiçoeira, por o garoto não foi convicto com a ideia e passou a viver a vida de outra maneira enquanto Danpei saia para trabalhar. Ao invés de treinar, Joe realizava crimes e vandalismos pelo bairro em busca de dinheiro, o qual ele pretende investir para realizar seus sonhos (os quais são bem nobres).
Porém, todas as ações de Joe possuem consequências, e o mesmo é levado para a prisão, posteriormente um centro de detenção juvenil, onde passará pelo menos um ano cumprindo pena.
E onde o boxe se encaixa em todos esses acontecimentos? Bom, nesse primeiro encadernado o boxe ainda não é tão presente. Ele fica mais como um elemento que Joe descobre e desperta o interesse mais no final da trama e tem tudo para ganhar mais destaque nos próximos volumes. Porém, já é possível identificar que o esporte vai funcionar como uma espécie de reconciliação entre Joe e a vida, sendo uma maneira do personagem encontrar sentido na vida.
Ademais, Ashita no Joe começa de maneira interessante e que desperta a curiosidade do leitor. Joe possui uma natureza selvagem, mas com ótimos ideais, apenas esperando um rumo para conseguir trilhar um jeito de alcançar seus sonhos, assim como manter sua liberdade.