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Ema

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A mulher vagueia no universo repressivo da casa. Poderia ser a mesma onde a avó fora morta pelo avô, ou de onde a mãe saíra, louca, para o hospital psiquiátrico. Ema é o nome de todas elas. Como o da antepassada tomada pelo terror após ter parido uma menina, sem dar ao homem com quem casara um filho varão. É esse espaço de violência que vai alimentando o ódio na paixão que a última das Emas tem pelo marido. Um ódio crescente que a impele, implacável, para a vingança, para o assassínio dele. Uma morte desfrutada, dir-se-ia gozada, por um olhar onde, apesar de tudo, a paixão perdura...Prémio Ficção Revista Mulheres.

103 pages, Kindle Edition

First published November 1, 1984

3 people are currently reading
279 people want to read

About the author

Maria Teresa Horta

73 books146 followers
Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros was a Portuguese feminist poet, journalist and activist. She is one of the authors of the book Novas Cartas Portuguesas (New Portuguese Letters), together with Maria Isabel Barreno and Maria Velho da Costa. The authors, known as the "Three Marias," were arrested, jailed and prosecuted under Portuguese censorship laws in 1972, during the last years of the Estado Novo dictatorship. The book and their trial inspired protests in Portugal and attracted international attention from European and American women's liberation groups in the years leading up to the Carnation Revolution.

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Community Reviews

5 stars
58 (29%)
4 stars
92 (47%)
3 stars
40 (20%)
2 stars
3 (1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 48 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,673 reviews566 followers
February 9, 2025
Era uma vez três Marias…

Maria Isabel Barreno (1939-2016)
Maria Velho da Costa (1938-2020)
Maria Teresa Horta (1937-2025)

…e depois não restou nenhuma.


Releitura


(Quantas vezes já lhe falei do medo que tenho da loucura? Quantas?)

Em 2018, li de forma voraz este livro de Maria Teresa Horta, porque se presta a isso, pela paginação e tamanho da letra, mas cheguei ao fim certa de que me tinha escapado algo, que as personagens, todas elas chamadas Ema, se confundiam na minha mente.

- A mulher que ontem viste da janela, parada na praça, era Ema.

É também certamente esse o objectivo que, subjugadas a maridos sádicos em casamentos infelizes, as três gerações se fundam, divergindo, porém, na forma como se libertam dessas ligações. Acabar às mãos do carrasco, evadir-se, vingar-se. Nenhuma solução conduz a um final feliz.

Acredita que possamos viver várias vezes a mesma vida? Pois eu recusei-me a viver a mesma morte. Acredita? Tomo no entanto os seus gestos – que reinvento – os dela e talvez um dia a venha a vingar já que o ódio é meu alimento.
Profile Image for Margarida Galante.
468 reviews44 followers
September 25, 2025
Maria Teresa Horta não era uma mulher convencional e este romance, o primeiro que leio da autora, confirmou a ideia que eu tinha da sua escrita. É uma escrita poética mas muito crua, que causa impacto.

Ema tem várias histórias que parecem apenas uma história. Todas estas mulheres, de várias gerações, partilham o nome e histórias de violência. A forma como são contadas não deixa espaço para a indiferença, as palavras ferem e causam revolta, raiva.


Uma homenagem, um alerta, à dor e ao sofrimento das mulheres. Infelizmente, apesar de todos os avanços, continua muito atual.
Profile Image for Carla.
320 reviews2 followers
May 6, 2025
Inicialmente estranhei a escrita mas conclui que certamente se deveu ao facto de ser o primeiro livro que li de Maria Teresa Horta.
A história das Emas deste livro, infelizmente, continua a ser a de muitas Emas...
Recomendo.
Profile Image for Célia Loureiro.
Author 30 books962 followers
December 6, 2020
3,5
"Naquela noite, quando ele acabou, ela soube, teve a certeza que ficara grávida. Sentou-se na borda da cama alta e vomitou para o bacio que mal teve tempo de puxar para si."

Ema é a minha estreia com Maria Teresa Horta (N. 1937), e é um aquecimento antes de me atrever a ler As Luzes de Leonor. Trata-se de uma novela (apesar de ser listado como romance, mas tem apenas 134 páginas e pouquíssimas personagens) publicada em 1985, e a temática é-me muito familiar: a mulher maltratada, abusada, violentada, magoada e de rastos às mãos do marido, e com a conivência da família.

Trata-te de um livro ao qual atribuo os adjetivos cru e visceral, e identifico alguns motivos pelos quais não mexeu mais comigo, tratando-se de uma das minhas bandeiras de vida (a denúncia da violência contra as mulheres).

Em primeiro lugar, trata-se de uma história muito curta, torna-se difícil afeiçoarmo-nos realmente às personagens (três Emas: avó, filha e neta, todas infelizes no casamento), mesmo porque a história é contada em avanços e arrecuas, com algumas repetições, alguma confusão (não há tell, trata-se sobretudo de show, coisa que aprecio bastante mas que levanta muitas dúvidas). Por outro lado, é muito interessante o modo como a autora distinguiu as vozes e o tempo das três Emas (a maçaneta de loiça que depois é metálica, o cabelo loiro e os bandós, o fato casaco-calça da neta, o cabelo curto e ruivo, os objetos oferecidos a uma Ema que depois se tornam relíquias para as outras Emas), e também o modo como a infelicidade de uma parece a infelicidade de todas, entrelaçadas numa mesma desdita conjugal que atravessa o tempo e as gerações.

Outra coisa que me impediu de me entregar mais ao romance é o facto de que, em 1985, esta obra poder constituir um tratado feminista, uma denúncia social, uma obra essencial que deu voz às mulheres. Em 2020 trata-se de um romance ainda atual (infelizmente), mas em torno de um tema muito discutido e explorado nesta época. Não deixa de ser trágico que assim seja, que ainda hoje seja pertinente falar-se de violência doméstica, de abusos psicológicos e de patriarcado... Mas a verdade é que, posto isto, o romance não me trouxe nenhuma novidade, nem chegou a comover-me embora esteja magistralmente escrito.
Profile Image for Raquel.
394 reviews
January 19, 2020
Aquela escrita crua e que se recusa a ficar tenra. Conheço pouco da escrita da autora, mas sinto-a genuína.

Este livro merece ser lido à Ema que existe, ou existirá, em cada uma de nós.

A tragédia do feminino, contada sem hesitações. Gostei muito.
Profile Image for Os Livros da Lena.
299 reviews321 followers
December 2, 2020
Review Ema, de Maria Teresa Horta
68/2020
3,5⭐️

Um sopro que é um bafo fétido de podridão e angústia. Este livro lê-se muito rápido, mas com um peso que parecem mil anos.

Dor é o que impera nas linhas de Ema. Três gerações de mulheres abusadas, torturadas às mãos dos maridos (sempre me questionei porque é que, se um homem é violentado, é tortura, e se uma mulher é violentada, é violência doméstica - não fosse o meu trabalho entender a forma como o discurso constrói as sociedades!).

Um turbilhão doentio é onde nos vemos, dentro destas histórias que parecem apenas uma, entrosadas umas nas outras como um fio hereditário de sofrimento.

Foi a primeira vez que li Maria Teresa Horta. Não gostei especialmente da escrita demasiado estilizada nesta obra, mas há que reconhecer a notória capacidade da autora em apunhalar-nos de forma tão curta, mas tão profunda, de nausear-nos e deixar-nos no chão com o que escreve.

Já leram algo desta autora? O que aconselham?
Profile Image for Ema.
818 reviews82 followers
May 5, 2020
4,5*

É uma leitura que começa de forma estranha, mas que se entranha e que se faz de todo o sentido. A loucura nasce connosco ou são os outros (os homens) que a fazem crescer em nós? Fala da liberdade e do respeito que a mulher portuguesa tem vindo a conquistar e que não pode, não podemos, deixar que seja espezinhada, do ponto de vista de três gerações que não conheceram esses direitos. Não é um livro para as massas, tal como compreender a "loucura" não era para as "massas".
Profile Image for Ensaio Sobre o Desassossego.
430 reviews215 followers
November 5, 2021
"Era uma voz de inquietação a minha voz, mas igualmente de paz porque apesar de tudo me aquietava."

Este foi o meu primeiro contacto com a obra de Maria Teresa Horta mas já consegui perceber que a autora tem um estilo muito próprio. Publicado em 1985, "Ema" retrata uma mulher maltratada, abusada e violentada às mãos do marido.

Sente-se cada emoção passada pela narradora, é um livro cru, duro, de denúncia social que deu voz às mulheres na década de 80.

Uma homenagem a tantas mulheres, a mulheres que pereceram, a mulheres que aguentaram, a mulheres que sofreram de opressão durante séculos e séculos

"Sabe o que é a fecundidade? - sabe qual era a minha fecundidade? o ódio. Era o ódio; o ódio é fecundo.
Um espaço fecundo onde ardo."

"Ema sabe, sente a loucura hora após hora tomar conta de si. Deixa-a vir, subir, trepar-lhe pelos sentidos, nas fibras dos seus nervos."
Profile Image for Raquel Silva.
222 reviews18 followers
August 21, 2019
Escrita sempre nua e crua da Maria Teresa Horta que nos leva a pensar na Ema, nas diversas Emas desta vida que sofrem de loucura devido a homens, à sociedade que as aprisiona. Livro duro!! Ainda estou arrepiada com esta leitura.
Profile Image for Ana Silvestre.
1 review1 follower
September 1, 2019
Um livro que desde se começa nos faz querer continuar a leitura na tentativa de compreender que Ema sentimos ali, embora todas se confundam, pois todas sofrem de forma semelhante, como sofrem todas as mulheres violentadas, como sofrem as filhas dessas mulheres e como sofre a nossa sociedade em consequência.

A minha primeira leitura de Maria Teresa Horta, que despertou o desejo de ler o próximo.
Profile Image for Marília Ferreira da Cunha.
106 reviews4 followers
December 11, 2022
Quem é a Ema? Sobre que Ema estamos a ler? Maria Teresa da Horta faz-nos perder o rumo nesta história de várias Emas, várias mulheres, várias loucuras e tristezas. Nunca tinha lido nada desta escritora e fiquei muito surpreendida. Um livro que não me deixou indiferente e me fez pensar bastante na loucura e nas nossas acções. A escolha de Modigliani para a capa também me encantou muito.
Profile Image for Manuela.
173 reviews
March 27, 2021
O medo, a loucura e os acontecimentos invertidos quando nem deveriam existir. Quantas Emas? Quantas mulheres na praça, quantas loucas levadas à força, quantas mulheres mortas e outras que vingam as mortas? Quantas gravidezes não desejadas, violações, quanta dor e gritos que ficam mudos nas paredes de casas que se revestem de livros?
E quantas vozes a ouvir vozes? E o vestígio que deixam estas Emas muito maior do que aquele se raspássemos uma cadeira de balouço?
Profile Image for Diana.
33 reviews
Read
May 11, 2019
É um livro pequeno, poético, que convida à releitura. Segue três mulheres, três Emas, ao longo de diferentes tempos, mas as suas vozes confundem-se no livro, como se confundem as suas vidas, que representam as vidas de muitas mulheres. A sua escrita linda, é um romance em poema.
um dos meus favoritos de 2017
Profile Image for Ana Catarina Jesus.
50 reviews26 followers
February 9, 2020
“(Quantas vezes já lhe falei do medo que tenho da loucura? Quantas?)” Que livro fenomenal ❤️
Profile Image for Joana Figueiredo.
2 reviews3 followers
March 5, 2020
Escrita crua e poética que conta a história de violência perpetuada ao longo de 3 gerações de mulheres.
Profile Image for Mariana.
64 reviews2 followers
January 9, 2022
Quase 40 anos depois e o tema continua atual. O mundo mudou tanto mas a violência contra as mulheres mantém-se.
Profile Image for Constança.
72 reviews3 followers
April 1, 2024
“Acredita que possamos viver várias vezes a mesma vida? Pois eu recusei-me a viver a mesma morte”.

Gostaria de dizer algo mais sobre este livro, mas não consigo encontrar palavras que encapsulem a brutalidade e a tristeza do que li. A Maria Teresa Horta é brilhante.
421 reviews14 followers
October 7, 2022
Ema é nome de mulher, é nome de mulheres e é nome de Mulher. O breve texto de MTH é isso que nomeia corajosa e violentamente na denúncia séria e firme da opressão (física e emocional) de que a Mulher é (ainda, mas ao tempo, anos 60, muito mais e muito mais ostensivamente) vítima indefesa. Um texto infelizmente (ainda) muito actual - e muito bem construído!
Profile Image for Carolina.
17 reviews
March 1, 2025
o primeiro de muitos livros que irei ler de maria teresa horta
Profile Image for Ana Rita Ramos.
276 reviews4 followers
May 8, 2025
Adorei a escrita e achei-a muito inovadora, tendo em conta a data em que o livro foi escrito.
No início, fiquei um pouco confusa sobre qual das Emas estava a ler, mas depois de entrar no registo tornou-se mais fácil.
Todas as histórias dentro desta história são sobre várias mulheres, as Emas, que poderão ser qualquer mulher no mundo com qualquer nome.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Maddie C..
143 reviews45 followers
December 5, 2024
Maria Teresa Horta (b. 1937) stands as one of the most pivotal figures in Portuguese feminism over the past half-century. Recently named by the BBC as one of the 100 most influential women alive today, she embodies the spirit of female defiance during Portugal's oppressive Estado Novo (1933-1975) dictatorship. Renowned for her collaboration on the groundbreaking book Novas Cartas Portuguesas (NCP) alongside two other Portuguese writers and activists, she became part of the trio famously known as As Três Marias —or, in English, "The Three Marias."

NCP is a seminal work that played a critical role in exposing the regime's injustices led by Marcelo Caetano (the successor of António Salazar). It shed a harsh light on the profound discrimination pervading Portugal at the time, tied to the authoritarian grip of the dictatorship, the patriarchal power of the Catholic Church, and the plight of women under such systemic oppression. Following its publication, NCP was denounced as subversive, banned by censors, and the authors were prosecuted—a move that brought both the book and the case of its suppression to international prominence.

For a deeper dive into the life of Maria Teresa Horta and the enduring significance of Novas Cartas Portuguesas, I highly recommend the exquisite documentary O que podem as palavras ("What Words Can Do"), directed by Luísa Sequeira and Luísa Marinho. It beautifully unravels the story of this extraordinary author and her revolutionary work.

As for this novel, Ema, first published in 1984, weaves the tale of its enigmatic namesake—a character who is, at once, one or three women, yet, in the words of the author herself, "is nothing… a thing of no substance. Ema—herself—does not even know if she truly exists or if she is but a hazy notion, a dream dreamt; or perhaps she is no more than her own abyss, in which she loses herself as hours, days, years slip by, one after another, after another, after another."

The book is written in a style that feels choppy and rhythmic, like the relentless beating of one’s own heart. Its grip on the reader is almost as frenetic as it is enigmatic, dream-like in its intensity. From the moment I began reading, I found it impossible to turn away, not only because the imagery cut through me with such profound delicacy—a blend of the brutal and the beautiful—but also because it spoke to something deeply universal.

This is the story of all women. Ema is the name of the protagonist, but it is also the name of her mother and her grandmother. Their narratives form a kaleidoscope—shards of a single tale that is, ultimately, the tale of women’s subjugation to patriarchy and its suffocating expectations. These are the roles assigned to us from birth as women: madwomen, hysterics, witches, mothers, wives, housekeepers—owners of nothing. The book’s fragmented style mirrors this legacy, capturing the shattered, layered experiences of generations bound by a shared history of resilience and repression.
Profile Image for Catarina de Vasconcelos.
58 reviews12 followers
November 29, 2020
Uma obra visceral. Crua. Imprescindível.
A mulher retratada como só Maria Teresa Horta sabe fazer, desconstruindo, desintegrando, esgravatando na pele e esmiuçando as feridas até nada mais sobrar do que a verdade nua.

Ema é um cântico de revolta. Um poema de raiva.
Um reflexo de tantas gerações de mulheres subjugadas, violentadas, maltratadas, assassinadas.
Um reflexo de tantas Emas caladas na dor, sacos de pancada, corpo objectificado, alma em sangue.
Um reflexo de tantas Emas dadas como loucas quando ousavam erguer a voz ou quando não suportavam mais as violações várias de que eram alvo rotineiro.

Maria Teresa Horta nunca desilude. E traz-nos, com Ema, a lembrança de todas essas mulheres, numa obra que é quase um poema, com palavras que nos adentram como punhais, que nos recordam de feridas ancestrais, que nos revolvem as entranhas ao ponto de não ser possível suportar a náusea provocada pela raiva.

Afinal, não carregamos todas nós um pouco de todas essas Emas de um passado não tão distante e que teima em persistir?
Profile Image for Rita Pires.
82 reviews1 follower
July 4, 2017
A book that show us across generations that females are still suffering from sexism. A book that characterizes a society where woman that lives in rich families, well informed, are treated differently from man and not respected.
Profile Image for Joaquim Martins.
48 reviews2 followers
June 26, 2022
⭐ 4.0

Uma obra crua e dura e que retrata, infelizmente, o que acontece ainda a muitas "Emas". Triste ver e sentir que passados tantos anos após a sua primeira publicação, o livro continue a encaixar na perfeição em tantas histórias da vida real que se cruzam connosco direta e indiretamente.
Profile Image for Ana.
581 reviews11 followers
December 20, 2020
Um livro pequeno e duro, sofrido. Forte e feminino, muito bem escrito.
Displaying 1 - 30 of 48 reviews

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